Show de Jorge e Mateus: Tribunal de Contas apontou desvio de Emendas Pix
Emenda Pix visava investimento, mas foi aplicada na contratação de shows. Situação foi denunciada pela Prefeitura após troca de gestão

Uma fiscalização do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) constatou desvio de finalidade na execução de Emenda Pix que deveria bancar obras em Fartura (SP) e foi aplicada na contratação de show da dupla Jorge e Mateus e mais duas duplas de sertanejo. O documento foi anexado à prestação de contas pela gestão municipal, que denunciou o caso à União.
A situação foi constatada e denunciada após a mudança no comando do executivo do município. Segundo a própria prefeitura informou à União, a gestão anterior usou a emenda recebida para contratar artistas que se apresentaram na Expofar, festa agropecuária realizada em abril de 2024.
A verba pagou a contratação da dupla Jorge e Mateus por R$ 556 mil, bem como dos sertanejos Ícaro & Gilmar (R$ 344 mil) e Clayton & Romário (R$ 240 mil).
“Conforme Planos de Ação […] os recursos recebidos por meio das emendas se destinavam à realização de Despesas de Capital (Investimento), entretanto, verificou-se que houve aplicação em despesas de custeio no montante de R$ 1.146.000,00 para a contratação de Show Artístico, revelando desvio de finalidade na aplicação dos recursos”, afirma o relatório do TCE-SP.
Segundo o município, as despesas foram bancadas com Emenda Pix indicada pelo ex-deputado Samuel Moreira (PSD-SP). Em nota à coluna, ele afirmou “que nunca destinou emendas para a realização de shows e espera que os fatos sejam apurados e que as medidas cabíveis sejam tomadas”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesApós constatada a malversação, a Prefeitura de Fartura comunicou a situação ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). “Em meados de julho de 2025, foram comunicadas ao Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) e ao Tribunal de Contas do Estado, para conhecimento e adoção das providências cabíveis”, informou à coluna.

O que diz o governo federal
Em nota, o MGI destacou que as transferências especiais decorrem de emendas parlamentares individuais, cabendo ao parlamentar indicar o ente beneficiário. “A responsabilidade pela aplicação dos recursos, pelas contratações e pelos pagamentos é do ente que recebe a transferência, observadas as exigências constitucionais e legais”, frisou.
A pasta ressalta que a emenda mencionada, de 2023, integra o conjunto de transferências especiais realizadas entre 2020 e 2024. “Nesse período, a liberação dos recursos não estava condicionada à aprovação prévia do plano de trabalho por ministério setorial, conforme decisão posterior do STF”, sublinhou.
“A análise do plano de ação e de seu cumprimento é feita a partir da apresentação do relatório de gestão final, pelo órgão setorial responsável pela respectiva política pública com base nas informações e na documentação comprobatória apresentadas pelo ente beneficiário”, completou.
O relatório de gestão final da referida emenda já foi apresentado no Transferegov.br pelo município de Fartura (SP), mas consta no sistema como “ainda não analisado”. “Dessa forma, a aplicação dos recursos não recebeu, até o momento, atestado de regularidade pelo órgão setorial responsável”, completa.










