PL que pode beneficiar Eduardo Cunha foi apresentado pela filha dele
Ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha foi considerado inelegível em 2016, após ter o mandato cassado por mentir em uma CPI

O Projeto de Lei Complementar 192/2023, que modifica a Lei da Ficha Limpa e altera os prazos de inelegibilidade, tem autoria da deputada federal Dani Cunha (União Brasil-RJ). O texto, pautado para votação no plenário do Senado nesta terça-feira (26/8), poderá beneficiar o próprio pai da parlamentar, o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.
Se aprovado no Senado, o projeto precisa ser sancionado pelo presidente Lula (PT) para começar a valer.
Eduardo Cunha está inelegível desde 2016, quando teve o mandato cassado por decisão da Câmara dos Deputados após mentir em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a respeito de patrimônio mantido no exterior. Segundo o entendimento de especialistas, caso o texto seja aprovado, o ex-deputado já poderia disputar as eleições de 2026.
Em 2022, Eduardo Cunha chegou a se candidatar para disputar o cargo de deputado federal por São Paulo.
Naquele ano, no entanto, o então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, reverteu decisão da Justiça Federal em Brasília que tornava Eduardo Cunha elegível. A decisão do magistrado foi referendada em acórdão da Suprema Corte no ano seguinte.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAo contrário do entendimento de especialistas, Eduardo Cunha, por sua vez, nega que o projeto de lei irá beneficiá-lo.
Além de Eduardo Cunha, projeto pode beneficiar José Roberto Arruda
Na prática, o texto estabelece um prazo único de inelegibilidade: oito anos, contados a partir da data da condenação. Atualmente, a Lei da Ficha Limpa prevê que o político considerado inelegível fica impedido de disputar eleições oito anos a partir do fim da pena ou do mandato. Além disso, o projeto de lei estabelece um teto máximo de 12 anos de inelegibilidade.
Essa mudança significa, por exemplo, que o ex-governador José Roberto Arruda poderá ser beneficiado pela norma e, consequentemente, liberado para concorrer nas eleições de outubro de 2026, quando se encerra o prazo de 12 anos contados a partir da primeira condenação colegiada contra ele.
Como a sentença que condenou Arruda é de julho de 2014, o tempo expiraria no mesmo mês de 2026.
A 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação de Arruda à perda dos direitos políticos por oito anos, em julgamento em 9 de julho de 2014, no âmbito do processo decorrente da Operação Caixa de Pandora.
O ex-governador foi acusado de comprar apoio político da ex-deputada Jaqueline Maria Roriz e do marido dela, Manoel Costa de Oliveira Neto, com dinheiro que seria oriundo de propina paga por empresas de informática.




















