Tácio Lorran

PF exonera agente que planejou matar Lula e Moraes em trama golpista

STF condenou Wladimir Matos Soares a 21 anos de pena em regime inicial fechado. Exoneração da PF ocorre após o fim dos recursos

atualizado

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1 de 1 Imagem colorida de foto 3x4 de homem pardo com barba e cabelo grisalhos e camiseta vermelha - Foto: Reprodução

A Polícia Federal (PF) exonerou nesta segunda-feira (30/3) o agente Wladimir Matos Soares, condenado a 21 anos em regime inicial fechado por participação na tentativa de golpe de Estado. Como integrante do núcleo 3 da trama golpista, foi acusado de planejar o assassinato de autoridades e pela operacionalização da tentativa de rompimento democrático.

Na lista de alvos, estavam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A decisão da PF ocorre duas semanas após o STF declarar o trânsito em julgado das condenações dos integrantes do núcleo 3 da trama golpista, isto é, não cabe mais recurso.

PF publica portaria para "desconstituir o vínculo estatutário" de Wladimir Matos Soares, ou seja, exonerá-lo da corporação
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Áudios obtidos e periciados pela PF mostram que o agora ex-agente revelou informações sobre a segurança do presidente Lula a servidores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Também ameaçou Moraes, que, posteriormente, se tornou relator do processo no STF:

“O Alexandre de Moraes realmente tinha que ter tido a cabeça cortada quando ele impediu o presidente [Jair Bolsonaro] de colocar um diretor da Polícia Federal, o Alexandre Ramagem. Tinha que ter cortado a cabeça dele era aqui”, afirmou.

As ameaças em relação ao STF se estenderam a outros ministros quando o então policial federal disse que haveria um grupo armado para prendê-los. Soares chegou até a falar, nas gravações, que haveria disposição para uso de força letal e “matar meio mundo”.

O ex-agente da PF está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), a Papudinha. Durante interrogatório, negou todas as acusações, lamentou a detenção ocorrida na Operação Contragolpe ainda em novembro de 2024 e declarou ser “muito fã” de Moraes:

“Minha própria polícia fez isso comigo”, disse em julho passado. “Em 2016, durante as Olimpíadas, eu participei da segurança pessoal do ministro Alexandre de Moraes, quando ele esteve lá como Ministro da Justiça. Eu era muito fã dele, porque quando me formei em Direito eu estudei pelo livro dele”.

O STF sentenciou Soares a 21 anos de pena privativa de liberdade. Do total, são 18 anos e 6 meses de reclusão e mais 2 anos e 6 meses de detenção. Além disso, a Corte estabeleceu o pagamento de 120 dias-multa, equivalentes a 120 salários mínimos à época dos fatos. O valor total fica em R$ 145,4 mil.

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