Tácio Lorran

O que governo diz sobre incineração de R$ 368 milhões em medicamentos

Anestésicos e bloqueadores neuromusculares foram os mais descartados pelo governo. Ministério da Saúde culpa pandemia

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Igo Estrela/Metrópoles
fachada ministério da saúde sus - Metrópoles governo
1 de 1 fachada ministério da saúde sus - Metrópoles governo - Foto: Igo Estrela/Metrópoles

O Ministério da Saúde afirma que a incineração de R$ 368 milhões em medicamentos e insumos durante o governo Lula, revelada pela coluna nesta quinta-feira (19/12), se relaciona com a pandemia da Covid-19. Anestésicos e bloqueadores neuromusculares, usados para intubação orotraqueal, foram os mais destruídos de janeiro de 2023 a outubro de 2024.

Segundo a pasta, foram realizadas grandes compras durante os anos mais críticos da pandemia da Covid-19, na qual cresceu o número de pacientes que precisaram de intubação:

“Em caráter excepcional, entre 2020 e 2022, devido à crise de saúde pública gerada pela Pandemia de Covid-19, o Ministério da Saúde realizou aquisições e distribuições dos medicamentos para Intubação Orotraqueal (IOT) aos entes federados. Entre as classes terapêuticas, incluem-se os anestésicos e bloqueadores neuromusculares”, diz a nota do Ministério da Saúde.

A partir da vacinação, todavia, os medicamentos para intubação deixaram de ser necessários em tamanha quantidade. “Contudo, com o aumento da cobertura vacinal para covid-19, redução da necessidade dos medicamentos IOT, normalização do mercado nacional e dos estoques nas Secretarias desses itens, houve redução no consumo médio mensal dos medicamentos para IOT nas localidades”, conclui.

Lotes de medicamentos incinerados pelo governo

Do montante, R$ 106,5 milhões foram destruídos neste ano e R$ 261,4 milhões, no ano anterior. Na lista, há até mesmo o fentanil – um dos responsáveis pela crise de opioides nos Estados Unidos –, que tem uso hospitalar como um potente analgésico, usado durante cirurgias, por exemplo.

Os dados de medicamentos e insumos incinerados foram enviados pelo Ministério da Saúde em uma planilha organizada de acordo com o lote destruído. Os preços podem variar justamente porque se tratam de remessas, explicou a pasta.

É o caso, por exemplo, da imunoglobulina anti-hepatite B – usada para prevenir a reinfecção pelo vírus após um transplante de fígado –, que oscilou de R$ 36,1 mil a R$ 3,7 milhões em 2024. No total, foram incinerados R$ 17,5 milhões do medicamento.

Já um único lote de besilato de cisatracúrio chegou a custar mais de R$ 3,1 milhões em 2023. Uma remessa de cloridrato de dexmedetomidina, sedativo administrado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ultrapassou R$ 2,7 milhões no ano passado.

Este não é o primeiro caso de descarte que chama a atenção na gestão da ministra da Saúde, Nísia Trindade. Como a coluna revelou em novembro, a pasta incinerou 10,9 milhões de vacinas vencidas durante o governo Lula. Outras 12 milhões de doses estavam fora da validade e também deveriam ser incineradas pela pasta.

O que governo diz sobre incineração de R$ 368 milhões em medicamentos - destaque galeria
6 imagens
Ministério da Saúde vai comprar 73 milhões de testes rápidos de Covid-19
Ministério da Saúde, onde fica a Funasa
Ministério da Saúde também está na ação
Ministério da Saúde oferece um dos remédios mais caros do mundo pelo SUS
Ministério da Saúde
Ministra da Saúde, Nísia Trindade
1 de 6

Ministra da Saúde, Nísia Trindade

Fábio Vieira/Metrópoles
Ministério da Saúde vai comprar 73 milhões de testes rápidos de Covid-19
2 de 6

Ministério da Saúde vai comprar 73 milhões de testes rápidos de Covid-19

Rafaela Felicciano/Metrópoles
Ministério da Saúde, onde fica a Funasa
3 de 6

Ministério da Saúde, onde fica a Funasa

Ministério da Saúde
Ministério da Saúde também está na ação
4 de 6

Ministério da Saúde também está na ação

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministério da Saúde oferece um dos remédios mais caros do mundo pelo SUS
5 de 6

Ministério da Saúde oferece um dos remédios mais caros do mundo pelo SUS

Igo Estrela/Metrópoles
Ministério da Saúde
6 de 6

Ministério da Saúde

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Restituição

Segundo ofício da pasta enviado à coluna via LAI, não necessariamente o total de R$ 367,9 milhões se perdeu. “Nem sempre a incineração de medicamentos implica perda financeira para a administração pública. Em alguns casos, é possível a restituição de parte do valor por parte dos fornecedores ou transportadores”, informou.

O Ministério da Saúde não indicou, porém, o quanto desse montante seria devolvido. “A restituição dos valores de medicamentos incinerados está em andamento e ocorre conforme o estabelecido em cada contrato”, diz a nota da assessoria de imprensa.

A pasta aponta, em ofício, para uma série de fatores para justificar esse cenário de desperdício. O primeiro ponto seria a flutuação na demanda, seguida por oscilação no número de casos de doenças transmissíveis.

medicamentos

Depois, vêm mudanças nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDTs), que servem para nortear o tratamento de doenças no SUS, e compras por decisões judiciais, com suspensão da sentença, morte do paciente ou fornecimento do medicamento por um estado em vez da União, por exemplo. Avarias em produtos também são citadas.

O Ministério da Saúde ainda explicou no documento que implementa uma série de medidas para evitar o descarte. Há, por exemplo, o remanejamento de medicamentos entre programas de saúde ou unidades federativas, a doação para outros estados ou países, a compra com cronograma parcelado e a previsão de substituição dos produtos em contratos, entre outros.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?