Tácio Lorran

Funcionários de empresa bilionária são indiciados por incêndio no RS

Empregados da Dufrio teriam furtado equipamento-chave para descobrir causa de incêndio que destruiu prédio de 1,2 mil metros quadrados

atualizado

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Incêndio atingiu Castelo de Gelo - Icebar em outubro de 2025
1 de 1 Incêndio atingiu Castelo de Gelo - Icebar em outubro de 2025 - Foto: Arquivo

Três funcionários da Dufrio, gigante brasileira do mercado de refrigeração, foram indiciados pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul (PCRS) após furtarem um equipamento que poderia ser usado para descobrir a causa de um incêndio que destruiu, em outubro passado, um prédio de 1,2 mil metros quadrados em Gramado (RS) onde estava sendo construído o Castelo de Gelo – Icebar.

Moisés Luís Picoli, Diego Ramos de Oliveira e Rodrigo Barth foram indiciados no último dia 14. A coluna teve acesso ao relatório final da PCRS, assinado pela delegada Fernanda Seibel Aranha.

A Dufrio tem faturamento de R$ 2,3 bilhões ao ano e dezenas de lojas espalhadas em 18 estados brasileiros. A empresa gaúcha, fundada nos anos 1990, foi contratada para construir as câmaras frias do Castelo de Gelo – Icebar. O estabelecimento, inspirado na história de A Bela e a Fera, estava para ser inaugurado sob a promessa de se tornar o maior bar temático do mundo.

A inauguração estava prevista para 5 de novembro de 2025 e os ingressos já estavam à venda. O investimento total alcançou R$ 10 milhões e o espaço foi planejado para receber mais de 1,2 mil pessoas por dia. O incêndio, no entanto, atingiu o estabelecimento por volta das 22h de 9 de outubro de 2025. Ninguém ficou ferido, apesar de o prédio ter ficado completamente destruído.

Veja o antes e o depois:

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Castelo de Gelo - Icebar depois do incêndio
Castelo de Gelo - Icebar antes do incêndio
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Castelo de Gelo - Icebar antes do incêndio

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Castelo de Gelo - Icebar depois do incêndio
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Castelo de Gelo - Icebar depois do incêndio

As investigações da Polícia Civil não conseguiram identificar a causa do incêndio, sobretudo devido ao alto grau de destruição ocasionado pelo fogo no local. No entanto, a corporação também identificou que os três funcionários da Dufrio atuaram para furtar o equipamento Sitrad In Box, considerado essencial para a apuração da origem do sinistro, uma vez que realiza o monitoramento da temperatura da câmara de gelo – local onde, provavelmente, teve início o incêndio.

“Restou apurado que, após o incêndio, o equipamento Sitrad foi retirado do local por Moisés e Diego, sendo posteriormente entregue a Rodrigo, funcionário da mesma empresa [Dufrio]”, diz o relatório da PCRS. “A ausência de formalização da retirada, a falta de comunicação aos proprietários e a manipulação dos dados após a remoção evidenciam a intenção de induzir a erro”, prossegue.

Moisés Picoli vai responder por furto e incêndio qualificados, falsa identidade e fraude processual; Diego Ramos, por furto e incêndio qualificados; e Rodrigo Barth, por fraude processual.

A coluna procurou o advogado responsável pela defesa dos três funcionários. Em nota, o advogado Marcelo Araújo afirmou que não houve negligência ou conduta irregular dos três funcionários. “A retirada do Sitrad foi feita na tentativa de salvar o que poderia ser preservado em meio ao incêndio, a pedido dos proprietários do empreendimento e com anuência dos bombeiros. Não houve intenção de ocultação, visto que o equipamento foi posteriormente apresentado às autoridades”, explicou.

“Reiteramos que o Sitrad tem identificação única e é inviolável. As informações contidas nele são fidedignas e asseguradas por laudo técnico do fabricante. A defesa entende que há um erro no indiciamento e já solicitou reparação ao Ministério Público”, prosseguiu o defensor.

A reportagem também tentou contato com a Dufrio, mas não houve retorno.

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