
Tácio LorranColunas

Ex-assessora de Stefanutto é punida pelo INSS por assédio moral
A coluna ouviu relatos sobre funcionários que adoeceram, tiveram crise de ansiedade e pediram afastamento do setor de trabalho no INSS
atualizado
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A série de denúncias de assédio moral relatadas por servidores levou o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a punir a ex-chefe de comunicação da autarquia durante a gestão do então presidente Alessandro Stefanutto, preso em novembro passado por envolvimento na fraude dos descontos indevidos. Martha Valéria Imenes de Oliveira não pode mais ocupar cargos comissionados e funções de confiança na Administração Pública federal.
A punição, com a sanção de “destituição de cargo em comissão”, foi publicada na edição desta quinta-feira (22/1) do Diário Oficial da União (DOU) e assinada pelo presidente do INSS, Gilberto Waller Junior. A portaria específica que ela infringiu três artigos do Estatuto dos Servidores Públicos:
- dever de manter conduta compatível com a moralidade administrativa;
- tratar as pessoas com urbanidade; e
- proibição de retirar documentos/objetos sem autorização.
A coluna ouviu relatos sobre funcionários que adoeceram, tiveram crise de ansiedade e pediram afastamento do setor por estarem subordinados a Martha Imenes. Uma pessoa que já trabalhou com ela não quis conversar com a reportagem por não querer rememorar episódios traumáticos.
Martha Imenes respondia ao Processo Administrativo Disciplinar (PAD) por assédio moral desde 2024. Ela comandou o setor de comunicação do INSS de abril de 2023 até março de 2025. Em seguida, ela foi nomeada para comandar a área de comunicação do Ministério da Previdência Social, então comandada por Carlos Lupi. Com a queda do ministro, ainda na primeira semana de maio, ela foi exonerada do cargo.
Ex-assessora do INSS nega assédio moral
Em conversa com a reportagem, Martha Imens negou que seja uma pessoa assediadora. Ela explicou que todas as cobranças que fez aos subordinados eram sobre questões de trabalho. “Houve embates, mas embates de trabalho. Não era nada pessoal. Nunca existiu assédio moral”.
‘Eu fui muito hostilizada pelos servidores públicos, por ser ‘de fora’, ou seja, cargo comissionado. Eu não tive, em momento algum, apoio assim que entrei”, desabafou. Ela afirmou ainda que adoeceu e que teve depressão.
A ex-funcionária acusou a Corregedoria do INSS, no curso do PAD, de não levar em conta os relatos dela. Por causa disso, pretende judicializar o caso para reverter a punição. “Sou conhecida por ser uma pessoa gentil, educada, mas eu sou séria. Eu respondi a um processo que está cheio de equívocos. Não foi levado em conta as justificativas e contraprovas”, declarou.







