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Tácio Lorran

CDBs do Digimais explodiram 1.130% em oito anos e chegam a R$ 8,5 bilhões

Polícia Federal investiga gestão fraudulenta envolvendo Digimais, o banco do bispo Edir Macedo, da Igreja UIniversal do Reino de Deus

24/06/2026 02:00
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Arte/Metrópoles
Digimais | Edir Macedo

O saldo de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo Banco Digimais, instituição ligada ao bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, saltou 1.130% em oito anos e alcançou R$ 8,5 bilhões em 2025. O crescimento acelerado, sustentado por remunerações que chegaram a 140% do CDI para atrair investidores, está no centro da investigação que levou a Polícia Federal (PF) a deflagrar nessa terça-feira (23/6) uma operação contra a instituição financeira.

O valor da carteira de CDBs era de R$ 694 milhões em 2017. Desde então, cresceu ano após ano até atingir R$ 8,5 bilhões em 2025, segundo demonstrativos financeiros do Digimais analisados pela coluna.

O banco Digimais foi alvo da Operação Miragem da Polícia Federal, que investiga suspeitas de gestão fraudulenta, inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito vedadas. Além de mandados de busca e apreensão, a Justiça autorizou quebra de sigilos fiscais de 18 alvos da operação e o bloqueio de bens do bispo Edir Macedo.

Em relação aos CDBs, a investigação aponta que o Digimais instrumentalizou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) como um “mecanismo de cobertura para fraudes”, em um modus operandi semelhante ao do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

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PF faz operação contra banco de Edir Macedo
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Na representação, a PF sustenta que houve uma transferência deliberada de risco: os gestores captavam bilhões do público para sustentar uma operação deficitária, repassando o prejuízo final para o sistema de proteção institucional do FGC.

“Ocorre que o crescimento do volume de captação não possuía lastro na capacidade patrimonial da instituição emissora, sustentando-se na expectativa de cobertura por parte do FGC, o que demonstra que a gestão utilizou a garantia coletiva para captar liquidez, ocultar o passivo a descoberto e transferir o risco da operação para o sistema financeiro”, narra a Polícia Federal.

XP, Itaú e Nubank ofereceram CDBs do Digimais

Para atrair investidores em meio ao agravamento da situação financeira, o banco passou a oferecer remunerações acima da média do mercado. Em 2025, o custo médio de captação via plataformas de distribuição chegou a 115,7% do CDI. Segundo a Polícia Federal, alguns CDBs foram ofertados com rentabilidade de até 140% do CDI.

Enquanto ampliava sua captação de recursos e atraía bilhões de reais de investidores, o Digimais registrava lucros que agora são alvo de questionamentos por parte dos investigadores.

Documento elaborado pelo próprio Digimais lista seis instituições financeiras como parceiras de captação. São elas: XP Investimentos, BTG Pactual, Nu Invest, Itaú Corretora, Inter e Ágora.

Documento do Digimais elenca instituições parceiras na captação de investidores
Documento do Digimais elenca instituições parceiras na captação de investidores