Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Tácio Lorran

CBBrazil operava juros extorsivos contra servidores do GDF, diz MP

Empresa investigada por descontos indevidos, CBBrazil prometia aos servidores empréstimo com "a menor taxa do mercado"

19/06/2026 13:28
Compartilhar notícia
CBBrazil
CBBrazil operava juros extorsivos contra servidores do GDF, diz MP

A CBBrazil – uma das empresas investigadas na Operação Juros Zero, deflagrada nesta sexta-feira (19/6) para investigar suposto esquema de fraudes na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal – promete, em seu próprio site, empréstimo com “a menor taxa” e a “maior segurança” do mercado.

Contudo, as investigações conduzidas pelo MPDFT apontaram que a empresa operava juros extorsivos e usava dados sensíveis de servidores públicos para manipular o sistema e realizar descontos indevidos nas folhas de pagamento.

Site da CBBrazil
Site da CBBrazil

Entre os alvos da operação desta sexta-feira, além da própria CBBrazil, estão o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF), o PicPay e outras associações ligadas ao caso.

No caso da CBBrazil, cuja razão social é JR Serviços de Informações Cadastrais Ltda, a empresa é acusada de operar como um braço operacional estratégico do esquema fraudulento. O modus operandi da companhia envolvia a oferta agressiva de um produto denominado “Consignado CARD 96X”, uma operação de empréstimo de longuíssimo prazo.

Em consulta ao site da empresa, a coluna identificou que a CBBrazil oferece o produto também para servidores públicos federais, estaduais e municipais e para aposentados e pensionistas do INSS.

A reportagem simulou a contratação de um empréstimo. Mesmo em meio à Operação do MPDFT, a CBBrazil segue operando normalmente. Uma funcionária da empresa solicitou um contracheque para simular juros e parcelas.

Site da CBBrazil
Site da CBBrazil

Para efetivar a contratação, a empresa exigia que o servidor fornecesse dados extremamente sensíveis, como e-mail, senhas pessoais e tokens de acesso ao portal ConsigServ. De posse dessas credenciais, os operadores do esquema tinham liberdade para manipular o sistema de margem consignável e registrar descontos sem a devida transparência ou controle por parte das vítimas.

Um ponto central da ilegalidade era o disfarce da natureza financeira das operações: os empréstimos concedidos pela CBBrazil eram lançados no contracheque sob a rubrica de “Planos de Saúde”.

Assim, a empresa operava uma atividade bancária clandestina, convertendo o que deveriam ser benefícios sociais em mecanismos de amortização de dívidas com juros abusivos.

Trecho da decisão que autorizou a Operação Juros zero
Trecho da decisão que autorizou a Operação Juros zero