CBBrazil operava juros extorsivos contra servidores do GDF, diz MP
Empresa investigada por descontos indevidos, CBBrazil prometia aos servidores empréstimo com "a menor taxa do mercado"

A CBBrazil – uma das empresas investigadas na Operação Juros Zero, deflagrada nesta sexta-feira (19/6) para investigar suposto esquema de fraudes na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal – promete, em seu próprio site, empréstimo com “a menor taxa” e a “maior segurança” do mercado.
Contudo, as investigações conduzidas pelo MPDFT apontaram que a empresa operava juros extorsivos e usava dados sensíveis de servidores públicos para manipular o sistema e realizar descontos indevidos nas folhas de pagamento.

Entre os alvos da operação desta sexta-feira, além da própria CBBrazil, estão o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev-DF), o PicPay e outras associações ligadas ao caso.
No caso da CBBrazil, cuja razão social é JR Serviços de Informações Cadastrais Ltda, a empresa é acusada de operar como um braço operacional estratégico do esquema fraudulento. O modus operandi da companhia envolvia a oferta agressiva de um produto denominado “Consignado CARD 96X”, uma operação de empréstimo de longuíssimo prazo.
Em consulta ao site da empresa, a coluna identificou que a CBBrazil oferece o produto também para servidores públicos federais, estaduais e municipais e para aposentados e pensionistas do INSS.
A reportagem simulou a contratação de um empréstimo. Mesmo em meio à Operação do MPDFT, a CBBrazil segue operando normalmente. Uma funcionária da empresa solicitou um contracheque para simular juros e parcelas.

Para efetivar a contratação, a empresa exigia que o servidor fornecesse dados extremamente sensíveis, como e-mail, senhas pessoais e tokens de acesso ao portal ConsigServ. De posse dessas credenciais, os operadores do esquema tinham liberdade para manipular o sistema de margem consignável e registrar descontos sem a devida transparência ou controle por parte das vítimas.
Um ponto central da ilegalidade era o disfarce da natureza financeira das operações: os empréstimos concedidos pela CBBrazil eram lançados no contracheque sob a rubrica de “Planos de Saúde”.
Assim, a empresa operava uma atividade bancária clandestina, convertendo o que deveriam ser benefícios sociais em mecanismos de amortização de dívidas com juros abusivos.




