Rodrigo Rangel

Por que o serviço secreto brasileiro usa um aplicativo como o seu para trabalhar

A Abin tem um sistema próprio de comunicação, mas seus agentes preferem o WhatsApp — e isso não é uma piada

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Antonio Cruz/Agência Brasil
sede abin
1 de 1 sede abin - Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

As investigações sobre os ataques de 8 de janeiro vêm expondo, mais uma vez, o amadorismo de alas relevantes da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência.

Há fartas evidências de que a cúpula do serviço secreto brasileiro tinha indicações do que estava por vir e pouco fez para evitar que hordas extremistas invadissem as sedes dos três poderes da República.

Muito disso está explícito em trocas de mensagens mantidas entre a direção da Abin e o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, o GSI, ao qual a agência estava vinculada até o início do atual governo.

Depoimentos prestados, por exemplo, à CPI mista aberta no Congresso para apurar os ataques já trouxeram detalhes dessas comunicações. Parte delas, às vésperas das invasões, se deu entre o então chefe da Abin, Saulo Moura da Cunha, e ninguém menos que o ministro do GSI à época, o agora notório general da reserva Gonçalves Dias.

O mais curioso é que as trocas de mensagens, com informações coletadas em campo pelos agentes da Abin, ocorreram por meio de… WhatsApp. Sim, parece piada, mas o serviço secreto brasileiro tem por hábito usar o WhatsApp mesmo quando estão trocando informações sensíveis relativas ao trabalho que desempenham.

Aplicativo blindado

É mais um sintoma da atuação precária da agência, que, em tamanho e em resultados, nem de perto se iguala às suas congêneres de países com a mesma estatura do Brasil.

A opção pelo WhatsApp é especialmente ilustrativa do amadorismo reinante porque a Abin tem, já faz algum tempo, um sistema próprio de mensagens feito para rodar em seus telefones funcionais — teoricamente, à prova de interceptação — que deveria ser utilizado nessas situações, mas é solenemente ignorado.

Batizado de Athena, o aplicativo foi desenvolvido internamente e, para além do emprego no trabalho dos agentes em atuação aqui no país ou mesmo no exterior, deveria ser usado, também, pelo presidente da República e por ministros do governo em situações nas quais é preciso se comunicar por um meio seguro.

Não é um sistema tão amigável e funcional quanto o WhatsApp e só funciona em telefones celulares com sistema operacional Android, mas tem a vantagem de ser protegido por uma criptografia da própria Abin, o que garante a proteção e, teoricamente, até o controle do fluxo das informações que por ali transitam.

Acontece que, na prática, o aplicativo não costuma ser utilizado sistematicamente, embora de tempos em tempos haja orientação interna nesse sentido.

Procurada, a Abin preferiu não responder as perguntas da coluna sobre o assunto.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?