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Jair Renan Bolsonaro: “Quem sabe eu não sou o próximo Elon Musk?”

Em entrevista exclusiva, o filho 04 do presidente revela novos lances polêmicos de sua vida empresarial, que já é alvo de investigação da PF

atualizado 17/07/2022 22:51

Jair Renan Bolsonaro Igo Estrela/Metrópoles

Jair Renan Bolsonaro, 24 anos, filho 04 do presidente da República, está de novo metido em uma crise. Em março de 2021, ele virou alvo de um inquérito em curso até hoje na Polícia Federal que o investiga por tráfico de influência em razão de parcerias de sua firma de marketing com empresários interessados em negócios no governo.

Àquela altura, as transações da empresa – entre elas o recebimento de um carro – eram intermediadas por um amigo de Jair Renan, um jovem personal trainer que ele transformou em assessor. Depois que a empreitada virou caso de polícia, os dois romperam.

Na sequência, o 04 passou a ter um novo assessor, desta vez um influencer de Brasília, Diego Pupe, que ficou encarregado de negociar contratos e parcerias de publicidade em seu nome.

No início deste mês, Jair Renan e Diego também romperam, e de maneira pouco amigável, a ponto de o influencer ter dado declarações públicas nas quais critica acidamente o 04 e afirma ter muito o que contar. “Essa pessoa para mim já era, acabou”, disse à revista Veja o agora ex-assessor, que se assume gay e afirma viver sob ameaças.

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O pano de fundo do rompimento é realmente inquietante – mais para Jair Renan, evidentemente, por ser filho do presidente. Novamente, no centro da confusão, assim como ocorreu no caso que resultou na abertura da uma investigação pela PF, há dinheiro, contratos e tentativas de aproximação de empresários, alguns também interessados em usar o 04 como ponte para chegar a Jair Bolsonaro.

Na sexta-feira, Jair Renan aceitou falar com a coluna. Estava ao lado de seu mais novo empresário, Maciel de Carvalho, um advogado e ex-pastor da Assembleia de Deus que se apresenta como coach e empreendedor. Carvalho, que também é instrutor de tiro do filho de Bolsonaro e até semanas atrás ensinava o próprio Diego Pupe a atirar, se apresenta como o responsável por redesenhar a imagem de Jair Renan – agora o filho do presidente tem evitado postar nas redes vídeos e fotos de baladas e se apresenta de terno e gravata, em posts repletos de frases motivacionais.

Na entrevista que você lerá a seguir, Jair Renan Bolsonaro conta alguns casos rumorosos e reveladores do quanto ele, mesmo depois da abertura da investigação de que é alvo, continuou se expondo a relações interessadas. A pretexto de contra-atacar Diego Pupe, o ex-assessor com quem está brigado, ele diz, por exemplo, ter sido procurado por uma das maiores fabricantes de equipamentos eletrônicos do país, a Multilaser, que queria uma parceria e em troca lhe daria “um novo quarto gamer”.

A oportunidade surgiu em um momento em que Jair Renan, segundo ele próprio, desejava atualizar o computador que usa para jogar. As conversas teriam sido travadas com um dos donos da Multilaser, afirma o filho do presidente. Ele desfia a história com o tom de quem parece não se dar conta do perigo que costuma surgir quando interesses de empresas privadas se encontram com interesses de familiares políticos poderosos: diz que, nesse episódio, foi passado para trás por Pupe, que teria tomado para si o “quarto gamer”.

Jair Renan Bolsonaro com Diego Pupe em Gramado
Jair Renan com Diego Pupe em viagem ao sul do país antes do rompimento

Diz Jair Renan: “Ele (Pupe) simplesmente fez a minha caveira para o dono da Multilaser e se vendeu logo em seguida. Aí ele ganhou e veio falar para mim: ‘Eu ganhei um quarto gamer e você não’. Eu fiquei muito bravo na hora, mas respirei fundo e beleza. Ele nem joga videogame, cara… Porra, ele nem sabe quem é Goku (personagem da franquia de desenhos e jogos Dragon Ball), o que é CSGO (Counter-Strike: Global Offensive, um popular jogo de tiros), o que é League of Legends (outro jogo de sucesso). Parece que ele fez isso para me afetar mesmo”.

O 04 diz mais. Segundo ele, além da tal parceria que lhe renderia um quarto gamer, há outros contratos – alguns deles importantes e de valores expressivos – que estavam sendo negociados e dos quais seu agora ex-parceiro teria tentado se aproveitar. Um desses contratos, afirma, seria com a Rumble, uma plataforma canadense de compartilhamento de vídeos concorrente do YouTube que passou a ser usada por figuras como Donald Trump. Outro caso envolve uma empresa de produtos de beleza que, diz Jair Renan, estaria interessada em lançar um shampoo com a foto dele no rótulo.

“Eu pedi o telefone deles para conversar com eles sobre o que estava sendo negociado. Ele (Pupe) disse que não ia me mandar, que ia fechar o contrato e quando estivesse fechado eu assinava e acabou”, declara o 04, acrescentando que os projetos seguirão agora, sob a orientação de seu novo empresário e parceiro. Os dois pretendiam registrar uma queixa formal contra Diego Pupe ainda na sexta-feira.

Indagado se não teme que as parcerias e os contratos lhe rendam novos problemas com a polícia, ele afirma: “Eu tenho até medo”. O rompimento seria uma tentativa de se desvincular de eventuais embaraços? O ex-assessor estaria ameaçando contar segredos desagradáveis? O filho do presidente garante que não. Mas, sem disfarçar, deixa escapar a preocupação com a investigação em andamento na Polícia Federal.

A cada vez que o assunto surge na entrevista, seu semblante muda. E ele repete que sobre isso não fala – e que esse é um assunto para Frederick Wassef, o notório advogado do clã Bolsonaro, aquele em cujo escritório estava escondido o não menos notório Fabrício Queiroz, amigo da família acusado de operar o esquema de rachadinhas no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro, o irmão mais velho de Jair Renan. Wassef atua como defensor do 04 na investigação sobre tráfico de influência da qual ele é alvo.

“Se quiser falar sobre esse assunto, fala com meu outro advogado, o Frederick Wassef”, diz o rapaz. O Wassef não deixa você falar sobre isso?, perguntamos. “Fala com ele sobre”, responde.

Jair Renan ao lado de Maciel de Carvalho, seu novo empresário, que também é professor de tiro

Em seguida, o jovem Bolsonaro se derrete em elogios a Wassef, a quem se refere como “meu advogado preferido”. “Sem ficar com ciúme, tá bom, Maciel?”, brinca, estocando seu novo parceiro de negócios, também formado em Direito. “Eu gosto muito dele (de Wassef). Me protege muito bem, protege toda minha família, é incrível. Ele é um anjo da guarda”, prossegue, sem se dar conta de que Fabrício Queiroz também chamava Wassef de “anjo” no período em que estava se escondendo da polícia.

Sobre sua pretensa nova fase, Jair Renan afirma que quer voltar a estudar (em uma faculdade que não seja tão difícil quanto a anterior), reduzir o ritmo das baladas (que prosseguirão, diz, apenas nos finais de semana) e passar a frequentar uma igreja evangélica que ainda não escolheu (vai esperar Deus dizer “é essa”).

No pacote de novos negócios, ele diz que há uma parceria comercial com Hungria Hip Hop, rapper de Brasília que ganhou fama nacional. Será, afirmam Jair Renan e seu novo empresário, um negócio “de milhões”. Segundo eles, produtos com a assinatura do artista serão vendidos no site que a empresa do filho do presidente pretende lançar nas próximas semanas.

Jair Renan diz ter o sonho de ficar milionário. “Quem sabe eu não viro o próximo… Quem é que estava aqui com meu pai agora mesmo?”, solta, fazendo um esforço de memória para lembrar o nome do homem mais rico do mundo, que esteve no Brasil recentemente para um encontro com Jair Bolsonaro. Elon Musk? “O Elon Musk, isso… Quem sabe eu não sou o próximo Elon Musk? Tem que pensar alto, né? Se eu pensar baixo, aonde eu vou chegar?”, dispara. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.

A “parceria” que acabou

Você e Diego Pupe se conhecem de onde e há quanto tempo?
Eu conheci ele (sic) em uma balada, curtindo com os amigos. Me apresentaram ele, e aí curti o perfil dele. Ele é daqui (de Brasília). Na verdade, ele é gaúcho. É do Sul e veio pra cá. Eu conheço ele tem por volta de dois anos. Mas eu nunca fui próximo assim dele. Antes eu encontrava ele em algum canto, cumprimentava e seguia minha vida. Mas tem por volta de 9, 10 meses que a gente alinhou essa parceria.

Quando o rompimento aconteceu exatamente?
Deixa eu dar uma olhada aqui (Jair Renan pega o celular, em cuja tela aparece um desenho de Sasuke Uchiha, personagem da série japonesa Naruto). Foi no dia 5 de julho.

Antes desse, teve o rompimento com seu outro assessor, o personal trainer que te assessorava nas parcerias que viraram investigação na Polícia Federal…
Não, disso aí eu não vou falar… Sobre isso, não. Esse assunto já morreu.

O personal saiu de um jeito semelhante…
Já foi esse assunto aí. Teve uma desavença, ele fez uma coisa do outro lado, eu percebi e acabou.

E como era essa outra parceria, com o Pupe?
Quando ele fechava um contrato, pegava 20% para ele. Quando eu divulgava uma empresa nos meus stories (do Instagram), por exemplo.

Em dinheiro, isso deu quanto?
Não foi muito, não. A gente não conseguia muito contrato, porque eu estava muito na farra. Por isso meu perfil não estava muito bem visto. Não sei, mas eu chutaria bem baixo. Quando uma loja de roupas queria me dar roupa, eu e ele íamos na loja, eu pegava uma roupa, ele pegava outra e a gente divulgava no Instagram.

“Eu não vou ser para sempre o filho do presidente”

Agora você tem tentado aparecer mais sério nas redes sociais, sempre de terno e gravata e com frases motivacionais. Por quê?
Quer saber a verdade? Depois da entrevista que eu dei para o Pânico, eu fui ver a entrevista e me senti envergonhado do que eu falei. Eu queria dar uma mudada de chave.

Por que você se sentiu envergonhado?
Porque eu vi que eu não estava construindo nada ali. Eu só falei besteira naquela entrevista. Aí eu falei assim: “Não, não, isso aí está errado, eu vou voltar a estudar, vou voltar a cursar Direito”. Eu também sentia que não estava honrando meu pai nem minha mãe. Então, preferi voltar atrás e voltar para os estudos.

Teve algum puxão de orelha nesse meio tempo? O presidente reclamou ou sua mãe falou algo?
Minha mãe falou: “Filho, você tem que estudar, não é assim que as coisas funcionam… Olha, você não deixava o entrevistador terminar de falar pra você responder”. Eu atropelava. Aí eu escutei um pouquinho a minha mãe. Meu pai não falou nada.

E qual é a imagem que você quer passar agora?
Um cara que estuda, principalmente, que sabe o que vai falar, que sabe o que está falando, com propriedade, que honre pai e mãe, que esqueça um pouquinho a vida da balada e que se forme. Porque eu não vou ser para sempre o filho do presidente. Eu quero agregar, construir alguma coisa para futuramente ficar bem tranquilo na vida, caso eu não vá para a vida política.

Você já retomou o curso de Direito?
Eu estou para retomar o curso já, no ano que vem. Na pandemia eu fiz EAD (ensino à distância) por um tempo, fiz o quarto período no IDP (faculdade privada de Brasília), mas depois disso eu tranquei durante a pandemia.

E você vai retomar o curso lá mesmo?
Não, não. Eu achei bem difícil o IDP. Vou voltar talvez para a Estácio, onde eu comecei, ou para o próprio CEUB (outra faculdade da cidade).

Você chegou a fazer outro curso…
Cheguei a fazer TI (Tecnologia da Informação) durante um ano, mas também tranquei. Tranquei, fiquei mais um ano sem fazer nada, voltei para Direito, como eu disse, e depois tranquei de novo. Tranquei e fiquei na farra.

Você hoje considera que se excedeu nas baladas?
Eu me excedi um pouco, mas eu… Eu me excedi. Não vou passar pano para mim mesmo, não. Eu me excedi, e quero voltar e tentar recuperar o tempo perdido, em que não foquei nos estudos.

O que você enxerga como excesso nesse período?
Eu não ficaria na balada de segunda a segunda.

Não vai ter balada mais?
De segunda a sexta eu vou estudar e no final da sexta-feira, sábado e domingo eu vou dar uma curtida, não vou deixar de curtir. Mas claro que, agora, com responsabilidade e disciplina sempre.

Você deseja ser político?
No momento eu estou começando a plantar a sementinha sobre esse sonho. Mas agora o meu foco é estudar, me formar e empreender. E tudo o que eu vou fazer é privado. Na verdade, agora eu não tenho nem como pensar nisso (em entrar para a política) porque eu não posso me candidatar. A lei não deixa que parentes de primeiro ou segundo grau do presidente se candidatem a algo. Se for o caso, isso só vai acontecer em 2028 ou 2030.

O que será, então, esse novo Jair Renan?
Um cara mais sério, mais conservador.

O que é ser mais conservador?
É parar de zoada e ir para igreja, conversar mais com o público em geral, falar sobre assuntos relevantes e não mais a zoada em que eu estava nesses quatro anos atrás.

Você voltou a frequentar alguma igreja?
Estou voltando. Eu já tinha uma Bíblia, ganhei outra. Estou esperando alguma… Como é que diz mesmo? Alguma iluminação de Deus para falar: “É essa”.

“Meu pai é muito democrático”

Você mesmo disse que não vai ser o filho do presidente para sempre. O que pretende fazer quando seu pai deixar o governo?

Como eu falei, quero ter a minha empresa, e eu quero que ela seja bem conhecida no ramo de tecnologia, de entretenimento. E se aparecerem outros (ramos), quero empreender sobre.

Quando fala em empreender, você pensa em transformar sua empresa em um grande negócio de shows, de eventos?
Quem não pensa em empreender e ser reconhecido no Brasil e mundo afora? Eu penso grande, não vou mentir para vocês (Maciel de Carvalho, o novo empresário de Jair Renan, interrompe para dizer que os dois acabaram de fechar um contrato com um artista conhecido nacionalmente. Depois de fazer algum mistério, ele diz que o novo parceiro é o rapper Hungria).

Essa virada de chave acontece faltando poucos meses para a eleição e não se sabe se seu pai vai ser reeleito. Tem a ver com você ter que se virar caso ele não se reeleja e com o fato de que, no ano que vem, você talvez não seja mais o filho do presidente?
Não, não tem nada a ver com as eleições.

Você acredita que seu pai conseguirá se reeleger?
Ele vai ser reeleito.

Por que acha isso? As pesquisas mostram o contrário.
Dá para ver quando ele sai às ruas, pelo apoio que ele recebe, diferente do outro candidato. Eu não acredito em pesquisa. A única que eu acredito se chama “Data Povo”. Tem que ir pra rua para saber.

Fala-se muito que, se o seu pai não for eleito, ele pode tentar permanecer no poder pela força, aplicando um golpe. O que você pensa sobre isso?
Eu não acredito, não. O meu pai é muito democrático. Não existe essa possibilidade.

Você já fez essa pergunta para ele alguma vez?
Não. O meu assunto com meu pai é futebol… De vez em quando ele me dá umas chamadas, tipo assim: “Renan, não vai por essa linha, não”. Não trato nada de política com meu pai.

“Relação de filho e madrasta”

Com que frequência você e seu pai se encontram?
Ah, toda vez que dá uma brecha, que eu estou tranquilo, vou até ele, dou um abraço nele, fico conversando pra saber como ele está. Eu tento sempre almoçar com ele. Eu vou umas três vezes na semana. Gosto muito de jantar com ele, porque aí estamos só eu e ele, e a gente janta sozinho. A gente bota um jogo de futebol, Fórmula 1, para assistir. É o meu momento com meu pai.

Ele te mima?
Ah, mimado eu não sou, não. Já passei dessa fase. A Laura (filha mais nova de Bolsonaro, com Michelle) que é mimada hoje. Comigo é mais puxão de orelha, né?

E como é o puxão de orelha dele?
É o de pai. Ele fala assim: “Pô Renan, cuidado com o que você fala, cuidado com quem você anda, diga-me com quem tu andas e direi quem tu és”. Ele só quer me proteger mesmo.

Falam muito que Michelle não gosta do contato de Bolsonaro com os filhos que teve nos casamentos anteriores. Procede?
É mentira. Não existe isso, não.

E como é sua relação com Michelle?
É relação de filho e madrasta. Eu chego e cumprimento ela. Mas eu não quero ficar com ela. Ela não é minha mãe. Quero ficar com meu pai, aproveitar o meu pai. Eu chego, cumprimento, pergunto se está tudo bem com ela e eu vou correndo para o meu pai, porque eu quero é ficar um tempo com meu velho.

“Uma sombra que ajuda”

Em 2018 houve a facada. Neste ano, há indicações de que a campanha será turbulenta. Você tem medo?
Eu não estou com medo porque acredito que o GSI (Gabinete de Segurança Institucional, responsável por proteger o presidente da República e seus familiares) tem uma ótima competência.

Você, por ser filho do presidente, também é protegido pelo GSI. Como lida com isso?
Eles são uma extensão da família para mim. Eles têm um papel muito importante. O general Heleno (Augusto Heleno Ribeiro, ministro-chefe do GSI) está fazendo um ótimo trabalho e não tem nenhum (segurança) com que eu não me dê bem. Me dou bem com todos. Eles são como se fosse uma família, uma sombra que ajuda. E eu não saio sem eles. Não consigo. Eu sempre confiei 100% neles. O que eles me falam é ordem para mim.

Relação com os irmãos

Como é a sua relação com seus irmãos?
Quando a gente se reúne, cada fica um zoando o outro ali. Nada a ver com política nem nada.

Tem algum deles que você trata como conselheiro?
Eu trato todos eles como conselheiros. Eles têm mais vivência que eu, então sempre que eu tenho dúvida pergunto para eles. Quando eu leio uma matéria ou alguma coisa que eles postaram no Instagram, eu ligo e digo “Pô, eu não entendi isso aqui, irmão, me explica melhor?”.

A relação é boa até com Carlos, que parece ser mais fechado?
Eu gosto do Carlos. Ele é bem sincero.

O que ele fala sobre sua mudança de comportamento nas redes sociais?
Ele me falou que gostou que eu estou postando menos e que estou mais tranquilo agora.

“Ele nunca fez nenhuma investida em mim”

Nas baladas, ser filho do presidente é algo que te favorece?
Eu sou bem tranquilo. Quando eu vou na balada, não quero chamar atenção. Eu normalmente fico no cantinho, na minha, bem na moita. E quando eu acho alguém interessante eu puxo uma conversa, não dou carteirada. Eu não preciso dar carteirada, todo mundo sabe quem eu sou. Quando eu não era filho do presidente eu namorava, tive quase três anos de relacionamento. Eu era tranquilo, um moleque namoradeiro (sic). Quando eu me mudei pra cá (para Brasília), (o relacionamento) acabou não dando certo por causa da distância, e aí eu comecei a sair e ficar um tempo solteiro, aproveitar. Eu nunca tinha ficado solteiro. Eu não saio em um dia da balada e pego dez meninas, não. Recentemente eu até conheci uma pessoa, que é de outro estado, veio pra cá a passeio… Conheci na sexta e fiquei com a pessoa até segunda-feira. Fui deixar ela no aeroporto.

Seu pai já falou que você era o “pegador” do condomínio. Como era isso?
Eu fui pegador naquela época, né? Eu contei pra ele naquela época em uma conversa, mas não sabia que ele ia soltar pra todo mundo. Até falei com ele: “Pô, pai, me explanou”. Não vou colocar dessa forma, não, mas no momento ali foi maneiro.

O mesmo Diego Pupe, agora seu ex-assessor, fez dias atrás uma insinuação sobre a sua sexualidade? Por que ele fez isso?
Por que você acha, Maciel? (Jair Renan se dirige ao empresário, que afirma: “Ele – Pupe – chegou a falar até que eu tinha um caso com ele – com Jair Renan. Mas eu jamais teria um caso com outro homem, até porque isso vai contra meus princípios”).

Qual é a razão dessas insinuações, a seu ver?
Não sei. Será que ele sente alguma coisa? (risos) Ele nunca fez nenhuma investida em mim. Eu também nunca dei nenhuma brecha. Era um negócio profissional mesmo.

Recentemente você falou sobre a maneira como seu pai e sua mãe te corrigem, e sua declaração causou polêmica.
Bom, minha mãe é a questão da vara dentro da Bíblia. Ela dá porrada. Meu pai só briga comigo, fala comigo, né, com palavras duras. Isso não quer dizer que era uma cobrança psicológica, não tinha isso. Você é pai, né? Você fala com seu filho ou bate no seu filho? Meu pai nunca foi de me bater. Ele era mais de falar mesmo, mas o que ele falava eu preferia tomar três surras. Castigo era mais com a minha mãe.

“Wassef é um anjo da guarda”

Sobre a parceria com aquela empresa de pedras do Espírito Santo, a que virou um inquérito na polícia…
Nunca existiu parceria.

Não? O que foi aquilo?
Eu não vou falar sobre. Se quiser falar sobre esse assunto, fala com meu outro advogado, o Frederick Wassef.

Ele não deixa você falar sobre isso?
Fala com ele sobre.

Você se arrepende desses movimentos que fez no passado?
Conversa com o Fred Wassef.

Acredita que tentaram se aproveitar de você em algum momento?
Isso aí sempre tem, né? Não é só do meu lado. Do lado do presidente, dos meus irmãos também… Mas com o tempo a gente começa a aprender sobre. A gente toma muita porrada, infelizmente.

Wassef te blinda muito?
O Wassef é o meu advogado preferido. Sem ficar com ciúme, tá bom, Maciel? (risos). Eu gosto muito dele. Me protege muito bem, protege toda minha família, é incrível. Ele é um anjo da guarda. Ele é durão, mas ele é… ele é bem tranquilo. A gente conversa sobre os assuntos e ele me dá altas dicas.

Wassef disse a você que há chances de esse inquérito da PF não resultar em problemas?
Essa investigação, na verdade, é para atingir o meu pai.

“A Multilaser veio falar comigo”

Você pretende cobrar explicações de Diego Pupe, agora seu ex-assessor?
Eu quero que ele (Pupe) prove se tudo isso que está falando é verdade. Eu quero ver ele provar isso que ele está falando. Caso ele não prove, vai ter resposta judicial. Parece que ele quer palco, não aceitou o fim do… do… da parceria.

No tempo em que foram parceiros você não percebeu os problemas que agora aponta?
Eu via isso, sim. Tinha muitas situações assim. Como vocês sabem, eu jogo videogame. Uma vez eu queria dar um upgrade no meu PC. Ele (Pupe) simplesmente fez a minha caveira para o dono da Multilaser e se vendeu logo em seguida. Aí ele ganhou e veio falar para mim: “Eu ganhei um quarto gamer e você não”. Eu fiquei muito bravo na hora, mas respirei fundo e beleza. Ele nem joga videogame, cara… Porra, ele nem sabe quem é Goku, o que é CSGO, o que é League of Legends. Parece que ele fez isso para me afetar mesmo.

E como vocês se aproximaram do dono da Multilaser?
A Multilaser veio conversar comigo. Como ele era meu assessor, ele cuidava diretamente sobre isso. E aí ele tomou a frente.

Como funcionaria essa parceria?
Eu queria atualizar o meu PC e iria divulgar eles (sic) em troca. Seria uma permuta, que eu faço nas redes de vez em quando. Eu queria participar e ele não me deixava participar. Ele sempre tomava a frente, entrava em contato com algumas empresas usando o meu nome. Eu não sei o que ele fazia usando meu nome, o que ele fazia de contrato. Tanto que eu sempre pedia para deixar eu participar, ver o que ele estava fazendo. Ele só mandava (os contratos) no final e falava para eu assinar. Eu não assinava, aí ele soltava… Ficava bravo. Eu não sabia o que estava acontecendo. Eu nem sei o que ele tinha feito com meu nome.

Desses contatos saíam contratos, então?
Saíam. E aí como eu não sabia o que tinha sido acordado, eu não assinava. Aí ele ficava puto e fazia minha caveira para Deus e o mundo.

Como?
Falava mal de mim para os outros, que eu não era responsável. Teve o caso de uma plataforma de jogos e um cara que tem uma marca de shampoo que queria botar a minha cara no produto. Ele (Pupe) falou que já estavam fechando um contrato. Nisso eu pedi o telefone deles para conversar sobre o que estava sendo negociado. Ele disse que não ia me mandar, que ia fechar o contrato e quando estivesse fechado eu assinava e acabou. Aí eu tive a liberdade de passar por cima dele e saber o que estava sendo escrito sobre o assunto. Falei com os empresários sobre, e eles me disseram que não tinha nada, ele nem tinha mandado mensagem. O que ele fazia? Perdia o negócio, para falar que eu não tinha responsabilidade para ele entrar na jogada e pegar o negócio para ele. Eu estava vendo o que ele estava fazendo e eu tomei a frente, comecei a passar por cima dele para saber o que estava acontecendo.

Você teme que esses contatos possam te dar algum outro problema, como aquele que levou à abertura de um inquérito na PF?
Eu tenho até medo.

Pelo que você diz, vocês procuravam empresas grandes. Pode dar outros exemplos?
Teve uma plataforma gringa de streaming de jogos, a Rumble. A empresa me procurou, rolou uma conversa e eu fiquei interessado.

Quais outras grandes empresas você sabe que ele procurou?
Ah, eu não vou saber.

Eram contratos com valores altos? Esse com a plataforma, por exemplo, era de quanto?
Não tinha valor ainda. A gente ainda iria começar a conversa. A gente ia começar a entender sobre. Não tinha valor, eu queria entender o que eles queriam. E era tudo privado. Antes eu “streamava” na Twitch. Aí deu aquele problema lá, perdi minha conta (o perfil foi suspenso pela plataforma). Hoje em dia eu posso criar outra conta, mas não estou a fim. Eu pretendo focar nessa nova plataforma (a Rumble), até por ser de direita. Então eu posso… Lá não vão… Como fala? Não vão cortar minha voz. Eu posso soltar o verbo. Lá eu tenho direito de fala.

“Eu quero resolver os meus problemas”

Vai ser possível ficar rico com esses contratos que você tem negociado?
Ah, sim, eu pretendo. Quem sabe eu não viro o próximo… Quem é que estava aqui com meu pai agora mesmo?

Elon Musk?
O Elon Musk, isso… Quem sabe eu não sou o próximo Elon Musk? Tem que pensar alto, né? Se eu pensar baixo, aonde eu vou chegar?

Você fala de negócios, e é sabido que filhos do ex-presidente Lula, maior adversário do seu pai, por exemplo, fizeram negócios polêmicos e isso gerou reflexos judiciais…
Sim, tráfico de influência, desvio de dinheiro… Mas o meu foco é totalmente privado.

Você não teme que em algum momento haja uma mistura?
Não, eu sou do trâmite (sic) privado. Não tem nada de governo.

E como fazer para evitar que um empresário procure você interessado em se aproximar do governo?
Já corto na hora. Corto na hora, e falo assim: “Olha, você está tratando comigo, Renan Bolsonaro. Aqui é privado. Não tem nada a ver com o presidente da República ou com meus irmãos”. Eu já falei: “Não é assim que funciona, cara, isso não existe”. É minha imagem, a imagem do Renan Bolsonaro. Meu pai está na Presidência resolvendo os problemas do Brasil. Eu quero resolver os meus problemas.

Hoje você se considera rico?
Eu não. Se você quiser, posso te mostrar a minha conta bancária. Não tem nada, não. Eu vou ser (rico). Estou trabalhando para ser.

Você tem uma meta de fortuna para atingir?
Claro que tenho, mas não vou dizer. Nem o Maciel sabe. É uma meta pessoal.

Atualização – Embora Jair Renan tenha dito que foi procurado pelo “dono” da Multilaser, em nota enviada à coluna a empresa afirmou que “não manteve qualquer contato” com o filho de Jair Bolsonaro ou com Diego Pupe. Pupe ainda não se manifestou.

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