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Por que a desistência de Datena ajuda candidato tucano em SP

Saída do apresentador da disputa pelo Senado é mais um de vários lances a contribuir para a campanha de Rodrigo Garcia

atualizado 01/07/2022 21:54

Fábio Vieira/Metrópoles

Considerado a prioridade do PSDB nas eleições deste ano, o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, era tratado como um coadjuvante na cena política até pouco tempo atrás.

Ainda bastante desconhecido do eleitorado, Garcia não só aparecia bem atrás nas pesquisas de intenção de voto como tinha como obstáculo figuras graúdas que impediam sua projeção e ameaçavam seu projeto de reeleição.

Uma a uma, essas figuras foram deixando o caminho de Rodrigo Garcia e o atual governador paulista é, disparado, quem mais lucrou politicamente com a série de desistência.

A primeira delas foi a de Geraldo Alckmin. O ex-governador esteve perto de se filiar ao PSD de Gilberto Kassab no fim de 2021 para concorrer novamente ao governo de São Paulo, contra Garcia. No início deste ano, mudou os planos e topou ser vice na chapa do ex-presidente Lula pelo PSB.

A segunda desistência que beneficiou Garcia foi a de João Doria (PSDB), de quem ele foi vice. Isolado dentro do partido, o ex-governador tucano anunciou em maio que não iria mais disputar a Presidência da República.

A notícia foi celebrada por aliados de Garcia, que viam Doria como um empecilho para a campanha em São Paulo, por causa do alto índice de rejeição do ex-governador. Agora, Garcia terá mais facilidade para se descolar do “padrinho” impopular.

Nos últimos dias, foi a vez de Garcia comemorar a desistência do apresentador José Luiz Datena em disputar uma vaga ao Senado na chapa do ex-ministro Tarcísio de Freitas (Republicanos). O candidato bolsonarista é considerado o principal adversário do tucano no primeiro turno, já que as pesquisas mostram que uma vaga já estaria assegurada ao petista Fernando Haddad.

Com grande popularidade, Datena poderia alavancar a candidatura de Tarcísio, especialmente entre as classes mais baixas. Sem o apresentador, o ex-ministro terá mais dificuldade para enfrentar a poderosa máquina do PSDB em São Paulo, que já amarrou o apoio da maioria dos prefeitos do estado.

A saída de Datena, como a coluna já mostrou, deve levar a mais uma desistência de grande interesse para Rodrigo Garcia. Trata-se do ex-governador Márcio França (PSB), que já sinalizou abrir mão da candidatura ao governo para concorrer ao Senado na chapa do PT.

As pesquisas indicam que Garcia é o candidato que mais cresce com a saída de França. No último Datafolha, divulgado na última quinta-feira, o tucano já aparece empatado com Tarcísio em segundo lugar, com 13%, atrás de Haddad, com 34%. Em abril, ele tinha apenas 6%.

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