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Agro e indústria bancam pavilhão do Brasil na COP27

Governo faz mistério e não informa os custos do espaço. CNA e CNI estão entre os financiadores

atualizado 14/11/2022 20:16

Pavilhão do Brasil na COP27, no Egito Reprodução

O governo de Jair Bolsonaro faz mistério sobre os custos do pavilhão do Brasil na COP27, a conferência do clima da ONU, que vai até o próximo dia 18, no Egito, e não informa quanto cada um dos financiadores do espaço desembolsou.

A falta de transparência tem um motivo aparente: os custos do pavilhão estão sendo bancados por entidades que representam o agronegócio e a indústria, dois setores da economia brasileira que costumam ser criticados por nem sempre adotarem medidas suficientes para proteger o meio ambiente.

Participam do rateio a Confederação Nacional da Indústria, a CNI, e a Confederação Nacional da Agricultura, a CNA. O pavilhão também teve investimentos do Sebrae e da Apex, a agência oficial de promoção do comércio exterior.

Indagado diversas vezes pela coluna sobre os valores desembolsados por cada um dos financiadores do pavilhão, o Ministério do Meio Ambiente tergiversou e não prestou as informações solicitadas. Limitou-se, depois de muita insistência, a dizer que o espaço é resultado de uma “parceria” com CNI, CNA, Apex e Sebrae.

A CNI e a CNA também não informaram quanto gastaram.

O Sebrae foi o único financiador que respondeu objetivamente. Informou que arcou com R$ 2,5 milhões e que os custos dos estandes, distribuídos em uma estrutura de 300 metros quadrados, foram divididos com as outras entidades.

Estão incluídos no pacote o projeto arquitetônico do pavilhão, a montagem da estrutura e o pagamento dos funcionários contratados para trabalhar no local durante a conferência.

O pavilhão brasileiro é suntuoso, moderno, mas no quesito relevância passa longe dos vizinhos, talvez pela pouca importância que o governo Bolsonaro dá aos temas tratados na conferência.

Não por acaso, o espaço ficou quase vazio nos primeiros dias do evento, enquanto os espaços montados por outros países, inclusive da América do Sul, estiveram lotados e contaram até com a presença dos respectivos presidentes. Jair Bolsonaro, como se sabe, não viajou ao Egito.

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