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Eleições 2026Reinaldo Azevedo

Se o capitalismo reaça tem cloaca, seu nome é Zema: o pombo e o xadrez

Candidato do Novo falou em evento da CNI e foi mais aplaudido quanto mais excretava. E depois estranham que Lula lidere as pesquisas

22/06/2026 21:57
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Se o capitalismo reaça tem cloaca, seu nome é Zema: o pombo e o xadrez
Se o capitalismo reaça tem cloaca, seu nome é Zema: o pombo e o xadrez

Se o capitalismo tardio tivesse gerado um órgão na natureza, o dito-cujo seria a cloaca. Vocês sabem… Por ali, saem todas as excreções das aves, dos répteis, dos anfíbios, da maioria dos peixes e até de alguns mamíferos raros.

E, se fôssemos eleger a cloaca do que tal modelo gerou de pior no Brasil, tipos como Romeu Zema mereceriam o epiteto de cloaca do atraso não porque raros como um ornitorrinco ou uma équidna, mas porque insuportavelmente vulgares, como o pombo que carimba com meleca a roupa de algum distraído numa praça.

O pombo é aquele bicho que não sabe jogar xadrez e que, ora vejam!, não pode ser vencido em tal jogo porque bate as asas, derruba as pedras, caga no tabuleiro e ainda diz, com o peito estufado, muito característico: “Você não ganhou de mim”. Conselho: não jogue xadrez com pombos.

Por que isso?

O ex-governador de Minas e candidato do Novo (o nome do partido virou piada…) participou de um evento da CNI (Confederação Nacional da Indústria), em Brasília, nesta segunda.

Foi de uma impressionante ousadia em sua produção cloacal e, obviamente, muito aplaudido por aqueles senhores que, ora vejam!, gostaram muito dos milhões da NIB (Nova Indústria Brasil) do governo Lula e devem, com um mínimo de vergonha cara, reconhecer que nunca houve um BNDES tão virtuoso para eles e para o Brasil como o que aí está.

Mas a mistura de ignorância com ódio de classe, com pitadas relevantes de incompetência, os impede de admitir que Lula fez por eles o que nenhum outro presidente fez na história “destepaiz”. Então os valentes aplaudiram Zema.

O pré-candidato do Novo voltou a atacar o Bolsa Família; a associar, contra todos os dados técnicos, o benefício a uma suposta geração de imprestáveis, dizendo que exigirá que estudem — só os machos — para receber o benefício, associando a carência de oferta de mão de obra ao programa.

Muitos bacanas presentes aplaudiram sem se perguntar, afinal, por que, então, o desemprego está baixo no Brasil… Como o pombo ora candidato — que só deve ter chegado à idade adulta porque herdeiro — quer demonstrar que é uma cloaca existencial com coração —, fez uma ressalva: as mulheres estariam dispensadas de evidenciar que estão estudando porque, afinal, lhes cabem os trabalhos domésticos…

UM HOMEM SINCERO

Zema, admita-se, tem ao menos a sinceridade de quem não vai mesmo para o segundo turno. Quer rever a reforma tributária para atender aos cartórios dos quais é próximo; pregou o fim do ganho real para as aposentadorias, benefício de prestação continuada e salário mínimo e defendeu o fim da vinculação constitucional dos gastos com saúde e educação…

Essa é justamente a pauta da CNI, o que, obviamente, faria cair drasticamente o consumo no Brasil, implicando uma queda substancial do consumo e, pois, da produção… Mas convenham: fica tudo bem se as despesas tributárias, como isenções e desonerações, forem mantidas, não é mesmo? Zema não tocou no assunto. Nem a plateia.

Nesse caso, esses “capitães da indústria” ficariam felizes porque, no fim das contas, viveriam dessas benesses que são arrancadas do suor dos pobres para financiar os nababos.

Flávio não pode, a exemplo de Zema, dizer tudo o que que quer porque há o risco de que ganhe a eleição, embora eu ache que isso não vá acontecer.

O “Homem Novo” pode deixar claro o que realmente quer. Se a questão era ser o retrato da cloaca do capitalismo que o aplaudiu, convenham, não há concorrência: ninguém excreta com a produtividade de Zema. Para gáudio da elite das excreções.