Reinaldo Azevedo - Colunista

Lula, afinal, chega ao vice dos sonhos de qualquer candidato: Alckmin!

Setores do petismo chegaram a ambicionar um nome de algum partido mais conservador ou memo chapa puro-sangue. Dirceu afirmou a coisa certa

atualizado

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Nesta terça, Lula acabou com um mistério que nunca deveria ter existido — se é que chegou a existir algum dia: o vice da sua chapa será Geraldo Alckmin, que, assim, concorre também à reeleição. Nunca entendi por que se fizeram especulações sobre outro nome. Quando José Dirceu, que compõe a velha-guarda do petismo com real capacidade de análise, advertiu que uma eventual mudança poderia custar um mandato, pareceu-me que havia petistas que também diziam coisas sensatas sobre o assunto.

O ex-governador de São Paulo, que migrou para o PSB, foi peça importante na vitória apertada de 2022. Não que Lula precisasse, de fato, de credenciais moderadas — ou alguém vai sugerir que se estava diante de um líder de extrema esquerda?, mas uma coisa é o que se é, e outra o que diz a campanha adversária. Depois da razia bolsonarista, era boa a ideia de uma união de defensores da democracia que incluísse expoentes políticos sem raízes na esquerda. O mesmo movimento atraiu Simone Tebet, que ora se filia ao PSB para disputar uma das vagas ao Senado por São Paulo.

Ocorreram, sim, flertes com esse ou aquele partidos, num ambiente de fragmentação política que não se vislumbrava em 2023, no cenário pós-Bolsonaro, muito especialmente depois que se revelaram os bastidores da intentona fascistoide. O bolsonarismo, no entanto, teve força suficiente para fagocitar parte considerável da velha direita e do centrão, que se espalha por várias legendas, mesmo depois de tudo. Eis um erro de análise que nunca cometi: subestimar a força eleitoral da família. Sempre me pareceu impossível que Lula atraísse algum outro partido de porte médio e corte conservador para uma aliança de porteira fechada.

Houve ainda os que chegaram a sonhar com uma chapa pura, em que Fernando Haddad, por exemplo — que vem pontuando bem em pesquisas para o governo de São Paulo —, figurasse como vice. Isso já seria um princípio de encaminhamento de uma outra sucessão: a que tem de se dar no seio do próprio PT, no pós-Lula. Mas aí se acenderam luzes de advertência: uma passagem de bastão como essa, numa estrutura complexa e diversa como é o partido, não se resolve por tabela, articulando uma chapa presidencial.

E, então, o óbvio e ululante, sem trocadilho, se lembrou de acontecer: não havia uma miserável razão para que o vice não fosse o próprio Alckmin, sobretudo porque, dada a função que exerce, foi de uma fidelidade exemplar ao presidente.

Não me lembro de ter lido textos, envolvendo Alckmin, com a fórmula manjada e aborrecida — em que ainda insistem alguns, com todas as vênias — a noticiar que “Fulano conversou com interlocutores e disse…” “Spoiler”: o “interlocutor” é sempre quem escreve, e a informação que supostamente se daria pelas costas da personagem da notícia foi fornecida pela própria. Os tais “comentários com interlocutores” são só um modo de “lavar a fonte”.

Nunca se viu o agora apenas vice-presidente metido em rolos dessa natureza. Suportou estoicamente todas as especulações, afirmou ser jogador do time e ponto. Foi um excelente ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e conseguiu tirar do papel, não é tarefa fácil nestes tempos, a NIB, a Nova Indústria Brasil. É personagem importante nas negociações com os EUA sobre tarifas, em parceria com o Itamaraty. Alguém já o viu a dar pitaco em outras pastas? Ser vice-presidente e ministro em tempos como estes e conseguir o milagre de se mostrar imune a fofocas, conspiratas contra adversários internos e gafes é para poucos.

Lula encontra, enfim, o vice dos sonhos de qualquer candidato. E não é que é Alckmin!?

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