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Flávio golpista: o moderado é cabeça de bacalhau da “zelite” sem miolo

Bastou o filho de Bolsonaro cair do “Dark Horse” e tropeçar nas pesquisas para voltar a fazer discurso extremista. Quem está surpreso?

22/07/2026 22:00
Flávio golpista: o moderado é cabeça de bacalhau da “zelite” sem miolo
Flávio golpista: o moderado é cabeça de bacalhau da “zelite” sem miolo

E não é que o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL, segue sendo o mesmo golpista que concedeu uma entrevista à Folha em 14 de junho do ano passado, jamais retirada, em que ameaçou o STF com o uso da força? Então não é verdade que essa jaca caiu da jaqueira Jair Bolsonaro? Por incrível que possa parecer, ou nem tanto, Flávio repetiu, nesta terça, as mentiras contadas pelo pai então presidente, em 18 de julho de 2022, pondo em dúvida o sistema eleitoral brasileiro. Até o público é o mesmo: diplomatas estrangeiros. Quem está surpreso? Eu não.

Parte considerável “dazelite” no Brasil é, para empregar uma expressão que eu mesmo criei, “extremista de centro”. De verdade, compartilha valores da direita mais rombuda e antipovo, mas ou descobriu que isso não pega muito bem em certos círculos ou serve de elemento de mobilização “dessa gente morena” — que ainda desperta medo, mesmo em tempos em que tudo está tão formidavelmente diluído.

Tão diluído, diga-se numa nota à margem, que os dois grandes defensores do capitalismo globalizado são hoje Xi Jinping, disputando a liderança desse tal mundo, e, ora vejam!, Luiz Inácio Lula da Silva — no caso, entre as grandes economias menores. Fim da nota. Retomo.

Sabem como é: extremistas de centro precisam de um extremista de direita moderado… Flávio tentou caber nesse figurino apertado. Não deu. Uma lembrança antes que avance: o candidato ideal dessa turma era Tarcísio de Freitas. Seu nome, note-se, já está sendo (re)lançado para 2030 pelos devotos da Igreja da Cabeça de Bacalhau dos Últimos Dias: o “bolsonarismo moderado”. Dizem existir, mas ninguém viu. O governador de São Paulo é, sim, “um deles”, mas bem mais articulado do que Jair e com mais admiradores “nazelites” do que a “famiglia”.

Por isso Eduardo, espertamente, o alvejou. Escrevi no UOL em 7 de julho do ano passado que o candidato do “Mito” seria alguém do seu sangue porque essa estirpe de valentes preferia perder para Lula a ungir um sucessor fora da linhagem. Sabem como são os nobres… Bingo! “Uzmercáduz” erraram feio e perderam dinheiro. Quem mandou não acreditar neste pobrezinho, não é mesmo?

Pré-“Dark Horse”, tudo caminhava bem para Flávio e mal para Lula, que faz um governo muito melhor do que apontam as pesquisas. Tempos de redes sociais… Mas aí o Zero Um caiu do cavalo.

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Aquele que comandava uma súcia que tentava jogar o caso Master no colo do PT e que fingia nem saber direito quem era o dono do banco teve revelado o imbróglio em que pediu nada menos do que e R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para supostamente fazer um filme — tendo, comprovadamente, em companhia de Eduardo, recebido R$ 62 milhões.

A coisa toda desandou. E ele não tinha sido fiel aos aliados. Quando o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, foi alvo de mandado de busca e apreensão, o impoluto Flávio aproveitou para pisar no seu pescoço. E, Agora, não parece que vá arrastar esse partido para a sua aliança. O União Brasil também não quer saber — as duas legendas estão unidas numa federação. Tem-se mostrado um trapalhão. E não! Isso não quer dizer que já é um derrotado. As eleições ainda estão distantes.

MAIS EXTREMISMO

O “Dark Horse” derrubou Flávio à beira da derrota. O diagnóstico da turma barra-pesada da extrema direita é um só: ele está muito manso, muito lhano, muito cordato. Faltaria “bolsonarismo-raiz” nas mensagens que chegam aos eleitores. A tentativa de parecer moderado não estaria dando resultado — como se ele vivesse a má jornada de agora em razão disso.

Paulo Figueiredo foi explícito, quase fazendo a apologia do crime: é preciso ressuscitar aquele Bolsonaro que disse que não estupraria uma deputada porque ela não… merecia. Deixou claro: esse é o verdadeiro bolsonarismo.

E Flávio, como se nota, parece ter cedido. Acuado pela pesquisa e por uma massa expressiva de eleitores que cultuam, sim, o vale-tudo, acabou o papo do extremismo de centro.

O pré-candidato voltou a pôr em dúvida o resultado das eleições de 2022, em evento no Espírito Santo (“aqui é Bolsonaro, porra!”); conclamou a que se vote em senadores que façam o impeachment de ministros do STF e, nesta terça, contou mentiras em um evento sobre a compra de urnas, que nunca aconteceu, da Smartmatic, que já foi relacionada a suposta fraude de eleições na Venezuela, o que nem a CIA confirma. Ele está mentindo.

Repete, assim, o discurso do pai — aquele mesmo que, dada a iminência de uma derrota eleitoral, preferiu articular um golpe de estado. Alguma surpresa?

Não para mim. O bolsonarismo é a primeira corrente de opinião de extrema direita da história brasileira verdadeiramente internacionalista. O integralismo se inspirava, sem dúvida, nos fascismos europeus, mas era também bastante “nacional”, fosse porque expressava uma forma de regressismo do capitalismo tardio, fosse porque misturava elementos nativistas a seu ideário que o distanciaram, ainda que não pelo caminho da virtude, de seus inspiradores do Velho Continente. Para ler: “O Integralismo de Plínio Salgado”, de J. Chasin.

O bolsonarismo reproduz o ideário do extremismo reacionário que ainda assombra as democracias mundo afora. Seus respectivos alvos são as instituições, que estariam todas corrompidas e precisariam ser reinventadas.

Ecos desse niilismo retrógrado e com endereço certo — “azelites” oportunistas — estão também, na imprensa. Há alguns editoriais que remontam à Idade da Pedra de qualquer senso de moralidade…

Antes de ser acuado pelo seu passado, Flávio estava em pleno processo de adoção por essas elites. Mas aí veio também o tarifaço. E o que se viu foi a família de joelhos, a oferecer tudo a Donald Trump: das terras raras ao Pix.

Ah, que grande ironia! Coube ou “execrável” (para elas…) Lula defender os interesses da indústria e do agro brasileiros. A família Bolsonaro está é de olho no “green card” e poderia cantarolar o poema de Paulo Leminsky, que Caetano musicou:
“De repente vendi meus filhos/
Pra uma família americana/
eles têm carro, eles têm grana/
Eles têm casa e a grama é bacana/
Só assim eles podem voltar/
E pegar um sol em Copacabana”.

Entreguismo assim nunca se viu nem nos dias que precederam o golpe de 1964. Os militares praticaram todos os crimes que o “anticomunismo de época” os levaram a praticar, mas, ora vejam, a exemplo dos integralistas, conservavam um viés nacionalista. Essa gente começa por vender a honra. Depois dela, resta o quê?