
Reinaldo AzevedoColunas

Eduardo será condenado; poucos produziram tanta prova contra si mesmo
A coação no curso do processo foi escancarada. O dito Zero Três fez questão de documentar em vídeo a sua sanha ameaçadora contra o STF
atualizado
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Ai, ai, lá vêm os momentos de histeria.
A Procuradoria-Geral da República, em manifestação enviada ao Supremo, pede a condenação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) por coação no curso do processo. Dizer o quê? Essa é a mais certa de todas as coisas. Eduardo, claro!, “não vale um caminho sob o Sol”, como cantou o poeta, mas a lei tem de ser cumprida. Ou também se vai tentar dizer que esse crime evidente era mera manifestação da liberdade de expressão?
Anota a PGR:
“O réu deixou claro que suas palavras carregavam o peso de uma execução iminente, visando desestabilizar o julgamento então em curso contra seu pai. O poder de influência ostentado e exercido por ele serviu como instrumento de pressão institucional, ultrapassando qualquer limite razoável de crítica política”.
E ainda:
“São fartos os registros audiovisuais, preservados nos autos, em que o réu verbaliza intimidações, minudencia seu itinerário e revela suas articulações em solo estrangeiro, com o claro escopo de constranger a cúpula do Judiciário brasileiro e perturbar o curso da AP 2.668. A imprensa documentou as movimentações do acusado, que chegou a se vangloriar de sua rede de conexões internacionais”.
Ora, ele gravava vídeos dia sim, dia também, alguns deles em companhia de Paulo Figueiredo, jactando-se justamente de seus contatos junto ao governo norte-americano. Ainda agora Figueiredo — que é braço de Eduardo e não tem vida própria — orgulha-se de seus influência. Todos o vimos a esgrimir as suas “fontes anônimas”, por exemplo, para assegurar que o encontro de Lula com Trump teria sido um desastre.
E, creiam, ele tem um monte de orelhas de aluguel na imprensa.
E o que se dava no Brasil enquanto se moviam freneticamente para cavar punições aos ministros? Ora, o julgamento dos golpistas. Eduardo ameaçou os magistrados mais de uma vez, deixando claro: ou recuavam, ou a punição viria. Ele não se encontrava nos EUA apenas expressando sua torcida ou seu desejo.
Bem, até quando os embates se dão lá entre eles, isso fica claro, não? Nas pancadas que levou de Ricardo Salles, que se quer a verdadeira alma do bolsonarismo na disputa por uma das vagas ao Senado por São Paulo, o ex-ministro lembrou a obra do “pensador da família” nos EUA, inclusive a condição de financiado pelo pai. Ou Jair Bolsonaro não confessou que sustentou a jornada punitiva contra os ministros do Supremo?
O dito “Zero Três” teve e tem uma enorme necessidade de reconhecimento de seus feitos, não é mesmo? E Paulo Gonet não o deixa na sarjeta, não. Lembra o mal efetivo que fez ao país também no caso das tarifas, evidenciado a “eficácia” de sua militância deletéria:
“De todo modo, não há como ignorar as severas repercussões na economia nacional provocadas pela conduta do réu, cujos efeitos transbordaram a esfera das autoridades públicas atingidas. A estratégia criminosa culminou em prejuízos concretos a diversos setores produtivos onerados pelas sobretarifas norte-americanas, alcançando, em última instância, trabalhadores vinculados a essas cadeias econômicas, completamente alheios aos processos penais atacados”.O homem, enfim, se cola à sua grande obra.
