Reinaldo Azevedo - Colunista

Datafolha: Moraes é o ministro com maior índice de aprovação. Contas!

Já No ranking da Folha/Datafolha, os 3 primeiros são Mendonça, Carmen e Fux, que votaram por indiretas no RJ; 2 não viram tentativa de golpe

atualizado

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Pois é… Quando escrevi o artigo sobre o PUS — o Partido Único Contra o Supremo —, eu nada sabia da pesquisa Datafolha que avalia, se assim se pode dizer, o trabalho do tribunal e o dos ministros individualmente. Os textos da Folha foram publicados às 23h de ontem; meu artigo, às 22h07. Ainda que o tribunal não tivesse sido engolfado por uma agenda negativa, eu estaria a indagar se são cabíveis avaliações dessa natureza sobre uma corte que tem a sua razão de ser também na função contramajoritária — vale dizer: colocar-se contra o alarido se preciso.

Como informa o jornal, é a primeira vez que se faz esse tipo de pesquisa. E eu não teria endossado a iniciativa ainda que o levantamento tivesse sido realizado logo depois da condenação dos golpistas, com votos contrários, por exemplo, de Luiz Fux, então integrante da Primeira Turma, de André Mendonça e de Nunes Marques — nos dois últimos casos, no que lhes foi dado votar, quando a ação de alguns réus foi examinada pelo pleno. Vamos lá.

CASO MASTER
Pouca coisa se noticia sobre o STF não relacionada ao caso Master e temas conexos. Logo, indagados os entrevistados se tomaram conhecimento do assunto, 30% responderam que não. Entre os 70% que disseram “sim”, 55% veem envolvimento de ministros, 4% não acreditam, e 10% não souberam responder. Sabem os leitores que não apoio a militância do PUS, o Partido Contra o Supremo. Mas lhes digo: o resultado não deixa de ser surpreendente. E a favor do Supremo. Convenham: se o noticiário da imprensa ditasse a opinião dos brasileiros, o “conhecem” e o “sim” deveriam ser unânimes. Goste-se ou não, apesar e a despeito de tudo, 45% não culparam ministros do tribunal.

PODER DEMAIS?
O Datafolha faz três afirmações sobre o tribunal — duas negativas e uma positiva — e quer saber se os respondentes anuem com elas ou não.

A primeira: “O STF tem poder demais” (ver gráfico). Convenham, trata-se de um segredo de Polichinelo, né? Só 3% dizem não saber, e 2%, nem que sim nem que não. Discordam da assertiva apenas 20%, e, por óbvio, 75% concordam. Esse grupo seria majoritário até se o sujeito da frase fosse o síndico de condomínio ou o flanelinha. Que tal indagar se o Congresso tem prerrogativas excessivas na distribuição de emendas, e um presidente, na capacidade de baixar decretos e enviar Medidas Provisórias ao Parlamento. Dados os dias que vivemos, a pesquisa vira uma coleta de obviedades.

A propósito: quais são mesmo os poderes do STF? No caso, então, de os ter de menos, quais lhe deveriam ser retirados?

ACREDITAM MENOS?
Outra afirmação, também formulada com carga negativa, manda ver: “Os brasileiros acreditam menos no STF do que no passado”.

Primeira dúvida: qual passado? O recente, por exemplo, quando se condenaram os golpistas? Os jovens que integram a amostra têm qual padrão de comparação? Bem, não surpreende que os números sejam rigorosamente os mesmos.

ESSENCIAL PARA A DEMOCRACIA?
E aí há a única afirmação positiva sobre o tribunal: “O STF é essencial para proteger a democracia”. Dizem concordar 71%. Já 24% discordam. Os memos 3% e 2% não sabem ou não estão nem lá nem cá. A Folha se surpreendeu: “Apesar de ter empreendido uma série de medidas heterodoxas nos últimos anos, como o controverso inquérito das fake news, a atuação do Supremo teve apoio de parcela da opinião pública frente às investidas autoritárias de Bolsonaro.” Bem, o “apoio” não é de “parcela” apenas, não? É da ampla maioria.

AVALIAÇÃO SOBRE O TRABALHO DOS MINISTROS
Agora falemos um pouco de matemática.

O Datafolha primeiro quis saber se os que responderam a pesquisa conheciam ou não os ministros da Corte. Esta é a ordem, com o índice de conhecimento entre parênteses. O que falta para chegar a 100 indica os que desconhecem:
Alexandre de Moraes (89); Cármen Lúcia (68); Gilmar Mendes (62); Edson Fachin (57); Dias Toffoli (54); Flávio Dino (53); Luiz Fux (49); André Mendonça (42); Cristiano Zanin (37); Nunes Marques (30).

Moraes ser o mais conhecido se explica: foi relator do inquérito da tramoia golpista e agora é o principal saco de pancadas do noticiário. Cármen e Gilmar, o decano, são antigos no tribunal. Toffoli está lá faz tempo. Fachin também já tem janela (desde 2015). Flavio Dino é, digamos, da nova safra, mas é bastante operoso. Fux ser mais desconhecido do que conhecido é certamente uma sorte para ele. Está na Corte há 15 anos. Resolveu ser relevante no ano passado, absolvendo golpistas. Os outros são nomeações mais recentes.

E aí vem a avaliação do trabalho dos ministros (ver gráfico Folha/Datafolha) entre os que dizem conhecê-los. Vejam a tabela. O Datafolha inventou uma pontuação subtraindo a taxa de ruim/péssimo da de ótimo/bom, o que eleva Mendonça aos píncaros da glória: seu índice de avaliação seria 26, o melhor, e o de Tóffoli -16, o pior. Com a devida vênia, é uma arbitrariedade técnica sob qualquer aspecto. Não há matemática que justifique. Para começo de conversa o “regular”, que não é reprovação, desaparece da conta.

ENTÃO VAMOS REFAZER
O “terrível” Alexandre de Moraes aparece com 41% de ruim/péssimo, 33% de ótimo/bom e 22% de regular. Que fique claro de novo: essa terceira categoria não é repulsa, como sabem os especialistas. De todo modo, no ranking da Folha, o “Xandão” fica em antepenúltimo lugar, com “menos 8”. Só que não.

E se eu lhes disser que, dado o conjunto da amostra, que é o que conta — já que eles são ministros de quem os conhecem e também de quem não —, ele está na ponta? É o ministro com o maior percentual de ótimo/bom: 29,37%, seguido por Cármen Lúcia, com 28,56%. E só então vem André Mendonça: 16,38%. “Ah, mas Mendonça é menos conhecido”. Eu sei. Está na Corte desde 2021 — caminha para cinco anos.

“Ah, não entendi a conta”. Explico. Vamos pegar a base 100 para facilitar os percentuais?

Moraes é desconhecido por 11% (11 pessoas) e conhecido por 89% (89 pessoas). Nesse grupo das 89, ele é considerado ótimo/bom por 33%: 29,37 pessoas (29,37%) do total dos entrevistados. E regular para 22% das 89 (19,58 pessoas: 19,58% do total), e ruim/péssimo para 41%: 36,49 pessoas (36,49% do total). Não sabem 5% (4,45 pessoas). Com as 11 que não o conhecem (11% do total), chega-se a 100% da base 100 — na verdade, 101% (números fornecidos pelo Datafolha). Moraes, com efeito, também tem a maior reprovação. Pois é… Até lembra eleição, né? Só que ministro não disputa voto.

Faz sentido ser assim? É o homem que encarnou e simbolizou o enfrentamento do golpismo. E isso o indispõe, de saída, com quase metade do eleitorado. E que bom que o tenha feito! Rejeitam-no, de verdade, apenas 36,49% de cada 100 pessoas. É quase um milagre nestes tempos.

Ali aparece também com números não muito vistosos Gilmar Mendes, um dos maiores juristas do Brasil e do mundo. Boa parte da jurisprudência que garante o controle abstrato de constitucionalidade no Brasil — e, pois, a estabilidade da democracia — passou por ele. Dizem conhecê-lo 62% dos que responderam a pesquisa. Ousaria dizer que não.

ENCERRO
Encerro observando que, no ranking da Folha/Datafolha, os três primeiros colocados são André Mendonça, Cármen Lúcia e Luiz Fux. O trio votou por eleições indiretas no Rio, contra os fatos. E dois deles não reconheceram o crime óbvio de tentativa de golpe de Estado. Quanto louvor!

 

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