AtlasIntel-Bloomberg: o “Dark Horse” escoiceia Flávio e o leva ao chão
No segundo turno, Lula abre grande vantagem sobre os três principais nomes da extrema direita; Zema e Caiado também se dão mal
atualizado
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O efeito “Dark Horse” na candidatura de Flávio Bolsonaro, segundo os números da pesquisa AtlasIntel Bloomberg, é desastroso para o pré-candidato do PL à Presidência e, por óbvio, muito favorável ao presidente Lula. Há um desdobramento importante nesse levantamento: se, no primeiro turno, os outros candidatos de extrema direita se beneficiam um tantinho com a desdita de Flávio, no segundo, todos despencam.
Levantamento feito entre os dias 13 e 18, ouvindo 5.032 pessoas por meio de respostas a questionários ditais, com margem de erro de um ponto, aponta que, em relação a abril, Flávio despencou de 47,8% para 41,8%, uma queda de 6 pontos. O petista, por sua vez, cresceu de 47,5% para 48,9%. Uma vantagem de 0,3 ponto na jornada anterior se transformou, para o filho de Bolsonaro, num prejuízo de 7,1 pontos.
E agora cumpre notar: em abril, os extremistas de direita Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) também empatavam com o presidente. O cenário mudou radicalmente. O ex-governador de Minas perderia para Lula por 47,4% a 36,6%, uma diferença de 10,9 pontos — em abril, o placar era 47,4% a 46,5%. O mesmo acontece com ex-governador de Goiás: seria derrotado agora por 47,5% a 38,5% — 9 pontos de distância. Antes, estavam encostados: 46,8% a 46,2%. Teria sido a digamos, “falta de fidelidade“ que demonstraram ao senador a afastar deles o eleitorado bolsonarista? Não parece. No primeiro turno, como se verá, os votos que o candidato do PL perde migram para alternativas igualmente reacionárias — menos no caso de Caiado, é verdade, que perdeu votos.
Parece-me que o fato de todos eles pensarem, em essência, a mesma coisa pode estar pesando mais no juízo dos eleitores. De resto, em abril, havia uma espécie de bolha noticiosa em favor dos pré-candidatos do Novo e do PSD.
O tal Zero Um vai conseguir se recuperar? A ver. A sequência de desastres continua, como se viu nesta terça. Ao tentar explicar por que visitou Daniel Vorcaro em São Paulo um dia depois de este ter deixado o presídio, informação a que imprensa chegou primeiro — Igor Gadelha, neste “Metrópoles” —, o ainda pré-candidato do PL tentou explicar que foi lá para dizer que não sabia que o caso era tão grave e que não queria mais o dinheiro. Até a Velhinha de Taubaté desconfiou da explicação… Em matéria de gerenciamento de crise, essa turma que gosta de fazer arminha com os dedos vive dando tiro no pé.
PRIMEIRO TURNO
O prejuízo se mostra na simulação de primeiro turno. Lula, como era esperado, herda poucos votos diretamente de Flávio. Eles se distribuem para outros nomes da extrema direta — com notável desempenho ruim de Caiado, note-se. Em relação a abril:
– LULA oscilou de 46,6% para 47%;
– FLÁVIO caiu de 39,7% para 34,3%;
– RENAN SANTOS, do Missão, cresceu de 5,3% para 6,9%;
– ROMEU ZEMA, do Novo, avançou de 3,1% para 5,2%;
– RONALDO CAIADO, do PSD, foi de 3,3% para 2,7%;
– AUGUSTO CURI, do Avante, oscilou de 1,1% para 0,4%;
– ALDO REBELO, da DC, foi de 0,3% para 0,2%;
– VOTOS BRANCOS E NULOS somam 1,4%;
– NÃO SOUBERAM RESPONDER 1,9% dos entrevistados.
É legítimo inferir que Santos e Zema herdaram os votos que Flávio perdeu — e uma transferência direta para o petista no primeiro turno seria mesmo o menos provável. Eis por que não faz sentido supor que a brutal perda de eleitores dos dois ex-governadores no segundo turno se deva à falta de solidariedade com Flávio. Fosse assim, não seriam os nomes do Missão e do Novo e ficar com um pedaço do seu eleitorado no primeiro já que se mostraram justamente os mais críticos, no campo conservador, às lambanças do senador.
Quando o nome de Michelle é testado como alternativa do PL, não chega a empolgar a extrema direita. Marca apenas 23,4%. Nesse caso, Zema saltaria para 10%; Santos para 7,8%, e Caiado para 6%. Mas anotem aí: é muito pouco provável que Flávio desista. Nunca se esqueçam de que Eduardo concedeu uma entrevista em 4 de novembro do ano passado e disse ver “vitória também na derrota” desde que o que ele chama “conservadorismo” não mude de maõs.
JORNADA POSITIVA PARA LULA
A AtlaIntel traz boas notícias para o campo progressista. Também Fernando Haddad (46,7% a 43%) e Geraldo Alckmin (46,4% a 42,3%) venceriam o candidato do PL num hipotético segundo turno. O “horror na economia” é papo-furado do colunismo reacionário. E a campanha eleitoral, creio, deixará isso mais claro.
A avaliação sobre o desempenho de Lula e a sobre o governo seguem no vermelho, mas a “boca do jacaré” vem se fechando. Os que consideram o governo ruim ou péssimo caíram de 51% para 48,4%, e os que o veem como bom ou ótimo oscilaram de 42% para 42,9%. A diferença ainda é de 5,5 pontos percentuais. Os que desaprovam a atuação do presidente caíram de 53% para 51,3%, e os que a aprovam variaram de 47% para 47,4%, saldo ainda negativo de 3,9 pontos.
CONCLUO
Esse é o retrato de agora, como é o de toda pesquisa. Quando se mira o futuro, é de supor que medidas do governo que estão em curso e para entrar em vigor têm potencial para melhorar a avaliação de Lula e do governo. Mais: na campanha eleitoral, o governo, que apanha todo dia, terá a chance de se defender.
Mais: existe, adicionalmente, a agenda secreta da extrema direita: o que ela quer para a aposentadoria, para a jornada de trabalho, para o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada e para a jornada de trabalho? Flávio já decidiu, no que parece ser um outro erro estratégico, juntar os sábios do empresariado e “duzmercáduz” para defender a viabilidade de sua candidatura. Vai prometer o quê?
Flávio e Eduardo, com seus segredos, meteram a extrema direita numa enrascada e se enrolam a cada dia. O mais notável: com efeito, financiar filme ou receber financiamento para tanto não constituem crime. O diabo é que essa gente não consegue nem mesmo evidenciar que a grana teve essa finalidade. O mínimo que se pode dizer sobre a tal GO UP, a produtora — que, a exemplo de Mário Frias, já mudou sua versão — é que precisa ser investigada.
