Beneficiários de posse de terras devolutas em SP concentram 27 sobrenomes
Fazendeiros atendidos pelo Programa Estadual de Regularização de Terras, que cede grandes e médias propriedades rurais, repetem sobrenomes

Na lista de beneficiários do Programa Estadual de Regularização de Terras, 27 sobrenomes se repetem em ao menos cinco dos 236 imóveis cuja posse o estado de São Paulo transferiu a fazendeiros entre 2023 e o primeiro semestre de 2026.
Como a coluna revelou, a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) arrecadou R$ 280,7 milhões por essas terras, valor ao menos R$ 1,1 bilhão abaixo do preço de mercado. O governo nega o desconto.
Alguns dos sobrenomes, são os mais comuns do país como “Silva”, “Santos”, “Oliveira”, “Souza” e “Pereira” – os mais populares, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) –, outros representam famílias com o poder no agronegócio paulista há décadas (veja lista completa abaixo).
É o caso do sobrenome Junqueira, o 5º mais comum entre os beneficiários do programa de regularização de terras devolutas. Desde 1960, três secretários da Agricultura tinham esse sobrenome.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDurante a ditadura militar, Alkindar Monteiro Junqueira ocupou o cargo. O sobrenome voltou a figurar entre os chefes da pasta na atualidade. Entre 2019 e 2021, no governo de João Dória, Gustavo Junqueira chefiou a Secretaria de Agricultura. No início do governo de Tarcísio de Freitas, em 2023, Antonio Júlio Junqueira de Queiroz foi secretário.
A lista dos proprietários de imóveis rurais beneficiados com o Programa Estadual de Regularização de Terras foi obtida pelo gabinete do deputado estadual Paulo Fiorilo (PT-SP) por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
Sobrenome x imóvel
- Catarino – 25 imóveis
- Pereira – 25 imóveis
- Oliveira – 19 imóveis
- Fonseca – 19 imóveis
- Junqueira – 16 imóveis
- Azenha – 12 imóveis
- Silva – 11 imóveis
- Amorim – 10 imóveis
- Santos – 9 imóveis
- Coimbra – 9 imóveis
- Lemos – 9 imóveis
- Almeida – 9 imóveis
- Ramos – 8 imóveis
- Martins – 8 imóveis
- Baptista – 7 imóveis
- Ferreira – 7 imóveis
- Neves – 6 imóveis
- Garcia – 6 imóveis
- Souza – 6 imóveis
- Lourenço – 6 imóveis
- Milani – 6 imóveis
- Vilela – 6 imóveis
- Roncolato – 5 imóveis
- Cardoso – 5 imóveis
- Scarcelli – 5 imóveis
- Rainho – 5 imóveis
- Lerosa – 5 imóveis
A lei que sustenta o programa
A lei 17.557, que regulamenta o Programa Estadual de Regularização de Terras, foi apresentada por 14 deputados estaduais em 2022, e homologada no fim da gestão do ex-governador Rodrigo Garcia.
A maioria dos parlamentares compõem a base do atual governador Tarcísio de Freitas. Um deles, Carlos Cezar (PL), se tornou conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-SP) e outro, Jorge Wilson (Republicanos), foi o líder de Tarcísio na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) no início do governo.
Embora a lei tenha sido homologada por Garcia, foi só com Tarcísio que o programa foi de fato implementado. A legislação é alvo de contestação em uma Ação Direta de Inconstitucionalidade que corre no Supremo Tribunal Federal (STF).
“Essa lei tem prazo para acabar”
Em 2023, o então presidente do Itesp, Guilherme Piai (Republicanos), disse em audiência que iria acelerar o processo, temendo que o STF derrubasse a lei. A legislação em si também colocou um prazo para a regulamentação das terras.
“Estamos enfrentando um desafio interno, de os proprietários da região entenderem a urgência disso. Essa lei e esse decreto têm um prazo para acabar”, disse Piai.
Seis meses depois dessa fala, Piai foi alçado a secretário de Agricultura e Abastecimento do governo Tarcísio. Ele ficou no cargo até dezembro do ano passado, quando o deixou para disputar as eleições a deputado federal.
Em 2024, durante a Agrishow, uma das maiores feiras agropecuárias do mundo, Tarcísio de Freitas assinou o decreto para estender o prazo do programa até dezembro de 2026.





