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Ramiro Brites

Mãe acusa filhos de “terrorismo psicológico” em briga por herança dos Mitre

Após a morte de Júlio Mitre, a disputa pelo espólio criou dois grupos de herdeiros que trocam acusações. A discussão foi parar no MPSP

Imagem cedida ao Metrópoles
Jorge Mitre e Maria Elisa Mitre

O impacto dos quatro anos de disputa pela herança do médico e empresário Jorge Mitre, falecido em junho de 2022, aos 68 anos, vai muito além dos inúmeros conflitos em curso nos tribunais. Maria Elisa Marcondes Mitre, esposa de Jorge, afirmou num depoimento que “sofre um terrorismo psicológico constante” promovido pelos filhos Júlio e Juliana, “sem o menor respeito e consideração por nada que ela e o marido fizeram para a família”.

Na declaração, que consta numa peça do Ministério Público de São Paulo (MPSP) sobre o caso, ela acrescentou que a “briga tem se arrastado e dividido cada vez mais a família, chegando ao ponto de não conseguir mais ter o contato que gostaria com os próprios netos”.

A guerra, em linhas gerais, opõe os irmãos Júlio e Juliana contra a mãe, Maria Elisa, e o irmão mais velho, Fabrício, CEO da construtora e incorporadora Mitre Realty. Os negócios da família concentram-se no Grupo HOSP – Hospital de Olhos de São Paulo.

Na avaliação da genitora, o confronto ocorre porque Júlio e Juliana querem responsabilizar o irmão mais velho por problemas que afetaram a Elisa Agro (ex-Mitre Agropecuária), na qual ela, o marido e Fabrício eram sócios.

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A empresa agrícola entrou em recuperação judicial em fevereiro de 2024, com dívidas estimadas em R$ 680 milhões. Parte da garantia desses débitos inclui propriedades que pertenciam a Jorge e a Maria Elisa.

A defesa de Júlio não quis se manifestar. Já a de Juliana respondeu à coluna com acusações contra a mãe. Segundo os advogados, Juliana vivia uma vida funcional, como mãe, médica e empresária, até que, após descobrir desvios da mãe e do irmão Fabrício, virou alvo de uma série de acusações.

“Após se opor a tais atos e obter êxito em afastar Maria Elisa da administração das principais sociedades do Grupo Hosp e a sua destituição judicial da função de inventariante devido a graves suspeitas de desvios financeiros milionários em benefício dela e de seu irmão Fabrício Mitre, Juliana passou a ser alvo de um severo sufocamento financeiro, violência processual e diversas representações criminais temerárias, além de supostos atos de monitoramento clandestino e violência doméstica”, diz a nota.

“Como criminosos”

A mãe observa no depoimento que, prevendo a desavença entre os filhos, Jorge tentou evitá-la desde a preparação do testamento. O patriarca pediu para colocar uma cláusula no documento segundo a qual quem criasse problemas perderia metade da herança à qual teria direito.

O objetivo da medida, segundo Maria Elisa, era preservar a união familiar. Mas é ela quem conclui: “Infelizmente as brigas aconteceram a ponto de gerar queixas criminais como se fossem criminosos”.

Afastamento

Ao longo da disputa, Maria Elisa foi afastada pela Justiça da função de inventariante do espólio do marido. Em decisão de fevereiro de 2025, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) considerou que os “argumentos suscitados pela herdeira Juliana a fim de embasar o pedido de remoção da inventariante [que incluía uma polêmica em torno da venda de um apartamento], ainda que refutados pela agravante [no caso, Maria Elisa], demonstram um cenário de extrema beligerância entre herdeiros”.

Nessa circunstância, “somada ao elevado e complexo patrimônio deixado por Jorge”, o TJSP decidiu pela “imediata nomeação de um inventariante dativo: “Medida que certamente trará maior celeridade e eficiência ao trâmite do inventário”, fixou a sentença. A briga, porém, continua.