Ex-chefe do BC pede a Mendonça para retirar tornozeleira por crise na PF
Defesa de Belline Santana diz que o próprio ministro admitiu insegurança da PF ao afastar Andrei Rodrigues e suscita nulidade de futura ação

A defesa do ex-chefe do Banco Central (BC) Bellini Santana protocolou, na tarde de sexta-feira (11/9), um pedido para que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar as medidas cautelares impostas a Santana.
Relator do inquérito sobre os escândalos do Banco Master, Mendonça ordenou que Santana seja monitorado por tornozeleira eletrônica e entregue o passaporte às autoridades.
De acordo com os advogados do ex-servidor do BC, o próprio ministro André Mendonça reconheceu “disfuncionalidades” e “potenciais ilicitudes” no comando da PF, quando determinou o afastamento do diretor de inteligência Leandro Almada e do diretor-geral do órgão Andrei Rodrigues – o ato foi suspenso por decisão do presidente do STF, Edson Fachin.
Para os defensores de Santana, a atitude de Mendonça lança suspeita sobre o órgão que conduz a investigação da Operação Compliance Zero, que apura os crimes relacionados ao Banco Master, o que comprometeria, diz a petição, qualquer condenação decorrente dos achados da PF.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Se a lisura da condução das investigações é posta em xeque em seu mais alto nível hierárquico – e por decisão do próprio ministro relator –, resta igualmente comprometida a higidez dos elementos a partir dos quais se construiu, e se pretende manter, a narrativa que ora atinge o peticionário”, escrevem os advogados Leonardo Palazzi, Bruno Salles, Gabriela Carvalho e Luísa Rossi.
A defesa de Santana sustenta ainda que a insegurança admitida por Mendonça em relação à alta cúpula da PF pode comprometer toda a investigação, indicando que poderá pedir a nulidade de um eventual processo.
Belline Santana criou grupo com Vorcaro
Belline Santana era chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) e prestava consultoria informal para o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso desde março de 2026.
Além de Santana, o número dois do Desup, Paulo Sérgio Neves de Souza, também deu conselhos a Vorcaro. Os três tinham um grupo de WhatsApp, segundo a PF. Antes, Souza havia chefiado a Diretoria de Fiscalização (Difis) do BC.
Nos inquéritos que tiveram o sigilo levantado por Mendonça, após pedido de Fachin, há mensagens entre os servidores do BC e Vorcaro.
Numa delas, Santana diz que criou um grupo no aplicativo de mensagens para “facilitar nossa interlocução” e, depois, dá uma orientação sobre um documento que seria encaminhado ao BC.
“Fico apenas com uma dúvida da necessidade/adequação da expressão, especialmente da Difis. Penso que deixar mais aberta, dessa autarquia, etc. Pode ajudar a evitar ruídos desnecessários”, escreveu Santana a Vorcaro.
Em outras mensagens interceptadas pela PF, o outro servidor, Paulo Sérgio Neves de Souza, dá dicas para Vorcaro antes de uma conversa com o “Presi”, referindo-se ao presidente do BC, à época, Roberto Campos Neto.
Há ainda conversas de Vorcaro com o seu cunhado Fabiano Zettel, combinando pagamentos a Belline. Em uma das mensagens, o ex-banqueiro expõe preocupação para que o recurso não saia do Master.
Viagens bancadas por Vorcaro
Os documentos cujo sigilo foi levantado por Mendonça mostram ainda que Daniel Vorcaro bancou viagens dos servidores ao exterior.
Santana foi para a França e Souza para os Estados Unidos, com despesas, como guias turísticos, pagas pelo Banco Master.
Como já mostrou a coluna, em depoimento à PF, um prestador de serviço ao ex-banqueiro disse que o serviço de “concierge” na Disney para o ex-diretor do BC custou 38 mil dólares a Vorcaro.





