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“Sexo não é opcional”: post de ex-BBB sobre casamento causa polêmica
A Pouca Vergonha conversou com uma terapeuta de casais para avaliar a pressão sobre sexo dentro de casamentos
atualizado
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O ex-BBB Bil Araújo compartilhou um “manual” do seu casamento. O modelo, que é casado com Adriana Yanca desde março de 2025, listou algumas regras que mantém com a companheira para celebrar o 1º aniversário de relação. O destaque ficou para o papel de “líder” para o homem e o sexo como item obrigatório.
A publicação completa de Bill lista:
- Se precisa esconder, já é traição;
- Marido e esposa não podem ter amigas ou amigos íntimos;
- Amizade que não respeita o casal, não serve para andar junto;
- Sem diálogo vocês vão fracassar;
- O marido é o líder. A esposa é auxiliadora;
- Casais maduros não ameaçam separar;
- Sexo não é opcional, é necessário;
- Quando Deus envia um filho, Ele transforma sua vida do jeito mais intenso possível;
- Casamento sem Deus é casa sem fundamento.

Nos comentários da publicação, o tal manual de casamento gerou polêmica e dividiu os seguidores. “Um ano de casados e já se acham aptos a dar palestrinha”, ironizou um internauta. “Que postagem ridícula! Sou casada há 40 anos e nunca foi assim”, comentou uma mulher, enquanto outra acrescentou: “Casamento é sociedade. Os dois lideram, os dois têm voz ativa, os dois direcionam.”
Entre os pontos que mais chamaram atenção nas redes sociais foi: “Sexo não é opcional, é necessário”. E apesar de muitos concordarem que a vida sexual é um pilar dos relacionamentos, é preciso ter cautela.
A Pouca Vergonha conversou com a sexóloga e terapeuta de casais Alessandra Araújo que destacou que compreender o papel do sexo no casamento exige um equilíbrio delicado entre reconhecer sua importância vital e evitar que ele se torne uma fonte de angústia.
“É inegável que o sexo é parte essencial de uma relação conjugal e funciona como um dos pilares que diferencia a parceria romântica de uma amizade profunda”, explica. “Quando a vida sexual desaparece por completo, isso raramente é um evento isolado; na verdade, costuma ser um sinal claro de que há algo disfuncional na relação do casal, funcionando como um ‘termômetro’ que indica que a conexão emocional, a admiração ou a saúde física podem estar comprometidas.”
Mas alerta: “A afirmação de que o sexo é ‘necessário e não opcional’ pode carregar uma ambiguidade perigosa: ao mesmo tempo em que alerta para a importância da manutenção do vínculo, pode gerar uma pressão paralisante.”
Alessandra salienta que se o casal encara essa necessidade como uma cobrança autoritária, a espontaneidade morre e o quarto vira um campo de batalha ou de deveres, o que acaba por afastar ainda mais a possibilidade de um prazer real e conectado.
“Transformar o sexo em uma ‘cláusula de contrato’ traz riscos severos à saúde emocional e à integridade do consentimento. Quando um dos parceiros sente que ‘não tem o direito de dizer não’ porque o sexo é um requisito do casamento, a autonomia corporal é ferida e a confiança mútua se desgasta”, reforça.
A profissional comenta que o risco, em situações como essas, é o desenvolvimento de uma aversão sexual, onde o corpo passa a reagir ao toque do outro com tensão, antecipando uma cobrança. “A saúde de um casamento não se mede apenas pela frequência das relações, mas pela capacidade do casal de encarar a ausência de sexo como um sintoma que precisa de cuidado, diálogo e, muitas vezes, ajuda profissional.”
“O foco deve ser sempre restaurar a conexão que torna o sexo um desejo mútuo, e não uma dívida a ser paga, garantindo que ambos se sintam vistos e respeitados em suas necessidades e limites”, detalha. “Ou seja, sexo no casamento é o tempero necessário para que não entremos em outras funções no casamento.”
























