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Quer fazer um OnlyFans? Confira um guia definitivo de conteúdo adulto

Criador de conteúdo brasiliense explica logística do OnlyFans e dá dicas para organização de conteúdo e saúde mental nesse segmento

atualizado 17/11/2022 19:41

MUlher nua de costas se abraçando em fundo branco - Metrópoles lusiphotography.com/Getty Images

Desde os anônimos até quem já tem uma carreira estabelecida no meio artístico. Muitas pessoas têm se interessado cada vez mais em uma plataforma: o OnlyFans. Apesar de ser uma rede de assinaturas para conteúdos de qualquer tipo, ela ganhou sua fama por conta da possibilidade de vender (ou comprar) conteúdo adulto.

São quase 200 milhões de usuários espalhados por 100 países, consumindo o conteúdo de aproximadamente 2 milhões de criadores. Do valor das assinaturas, 80% vai para quem faz os vídeos e fotos. No mês de novembro, a plataforma anunciou ter distribuído US$10 bilhões aos criadores desde quando foi lançada.

Um deles é o brasiliense Renato Andrade, de 25 anos, que cria conteúdos +18 desde 2016, e começou a fazer isso bem antes do OnlyFans bombar por aqui. No maior estilo “quando eu cheguei aqui, era tudo mato”, Renato lembra que iniciou a venda de nudes ainda no Snapchat.

“Na época, fui convidado para fazer um ensaio nu com o fotógrafo Andre Carlos para a revista NUDUS., e nesse primeiro contato tive acesso às fotos, que ficaram incríveis, e ganhei vários seguidores. As pessoas começaram a perguntar se eu venderia algumas das fotos sem as censuras que eu usava para postar nas redes sociais tradicionais, e decidi criar um novo perfil no Snapchat para isso. Lá, eu cobrava para adicionar as pessoas e elas podiam permanecer por 1 mês”, conta.

Modelo do OnlyFans posando deitado em foto preta e branca - Metrópoles
Renato começou a produzir conteúdo +18 em 2016, ainda pelo Snapchat

Em um primeiro momento, Renato cobrou R$ 50 por pessoa e começou com cerca de 60 seguidores. Ou seja, já no primeiro mês ele faturou R$ 1.000 – mais do que ele recebia no emprego de garçom que tinha até então. Hoje, o modelo vende conteúdos exclusivamente no OnlyFans, e cobra R$ 45 pela assinatura do perfil Senhor Renato.

Quero também. E agora?

Apesar de muito se falar sobre as plataformas de conteúdo adulto e o quanto é possível ganhar mensalmente com elas, ao mesmo tempo se tem pouca informação no que diz respeito à logística envolvida em virar um creator.

E o primeiro passo, segundo Renato, é ler as regras, normas e detalhes de pagamento para ter conhecimento de como funcionam estas empresas. Sabe aquele documento que você passa direto e seleciona: “Li e concordo com os termos de uso”? Dessa vez, é para ler de verdade. Também é importante ressaltar que a criação de perfis por menores de idade é proibida.

“Normalmente, o processo de criação de contas é mais rígido apenas na parte de confirmação de identidade, podendo levar dias para verificar documentos e fotos. Cada plataforma tem suas regras e normas, porém uma regra geral é a idade, apenas maiores de 18 anos podem se cadastrar”, elucida.

Na maioria dos sites não é cobrado um valor para a criação da conta. No OnlyFans, por exemplo, a plataforma retém 20% do valor total de tudo que for vendido, como assinaturas, vídeos, fotos, entre outros. “Uma boa dica para tentar captar mais assinantes é sempre dar uma olhada nas condições de pagamento para facilitar a vida deles, e se é um site que funciona bem e tem suporte…”, diz.

Sobre o conteúdo

Com vários formatos de vídeos, fotos, ligações e até mesmo bate-papos exclusivos com o creator, o céu é o limite para a criação de conteúdo – que, vale ressaltar, em plataformas que permitem perfis +18, costumam não ter muitas restrições para o que pode ser mostrado.

E para quem tem dúvida: é possível, sim, interagir com os donos das contas. “Sempre importante para poder saber como melhorar e também dar atenção especial para aqueles que acompanham e aproveitam seus conteúdos”, afirma Renato.

Modelo do Onlyfans posando com faixa verde no peito - Metrópoles
Hoje, Renato tem o OnlyFans como sua única fonte de renda

Na hora de se organizar para começar a, de fato, produzir conteúdo, além de estar atento à demanda dos assinantes é também importante ter um feeling do que é mais confortável para si. Afinal, existem vários tipos de conteúdos direcionados para vários tipos de assinantes, então tem nicho para todo mundo.

“Eu sou hétero, então meus conteúdos são normalmente comigo sozinho ou com outras mulheres, mas meu publico é majoritariamente masculino. Às vezes a demanda dos assinantes ultrapassa um pouco do que a gente se sente confortável em fazer, então, ainda que seja legal essa troca, é bom saber esse limite”, alerta.

Assédio e preconceito

Não é nenhuma novidade que tudo que envolve sexo, nudez e qualquer outra coisa que saia do padrão conservador da “família tradicional brasileira” costuma ser mal vista e mal recebida por muita gente. Com a criação de conteúdo, não seria diferente.

Apesar de, felizmente, ter recebido apoio da família e dos amigos, o entrevistado já precisou lidar com assédio e comentários desagradáveis de pessoas que acham que, por ele produzir conteúdos sensuais, está aberto a ler qualquer coisa.

“Sempre tem algum comentário que ultrapassa o limite, mas quando estamos dispostos a nos expor dessa forma devemos estar cientes que comentários desrespeitosos na internet são uma realidade, infelizmente. Quando alguém me desrespeita eu uso das ferramentas das plataforma para poder me ajudar, como bloquear ou silenciar, e também enviar uma denúncia para, caso essa pessoa que esteja quebrando as normas da plataforma, possa ser banida”, explica.

Divulgação

Um tópico que desperta muita curiosidade é se esses espaços disponibilizam uma espécie de “feed” no qual as opções de conteúdos são entregues. A resposta é não. O que faz a divulgação fora da plataforma ser a alma do negócio. No caso do brasiliense, sua principal vitrine é o Instagram.

“As pessoas precisam procurar sua página para achar, por isso recomendo o uso das outras redes sociais para essa divulgação e para cativar mais seguidores. Outra plataforma boa é o Twitter, muitos criadores de conteúdo a utilizam e muitas pessoas que consomem esses conteúdos estão lá”, indica.

É para mim?

Por último, mas não menos importante, é sempre bom se perguntar: é mesmo para mim? Por se tratar de um trabalho com exposição erótica em um país conservador, é essencial ponderar algumas questões que podem surgir. Afinal, julgamentos e comentários maldosos fatalmente vão aparecer. Mas, caso você esteja disposto, por que não?

“É uma ótima forma de ganhar um dinheiro rápido e fácil, mas existem também seus pontos negativos. Minha maior dica é estar mentalmente saudável. O maior investimento para esse tipo de trabalho é nossa cabeça. Se for algo que você consiga lidar, é uma ótima opção para ajudar com as rendas; agora, se acredita que isso pode te machucar, às vezes não é para você”, finaliza.

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