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Pesquisa revela pegging como nova tendência de sexo anal
O pegging é uma pratica de sexo anal que vem ganhando destaque por proporcional prazer fora do convencional
atualizado
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Quando se fala em prazer anal, algumas práticas acabam dominando o debate, enquanto outras seguem mais discretas — apesar de também serem excitantes e carregadas de intimidade. É o caso do pegging, termo que vem ganhando espaço nas conversas sobre sexualidade contemporânea e desafiando tabus ligados ao prazer masculino.
Para quem ainda não está familiarizado, pegging é quando uma mulher ou alguém com vulva utiliza um brinquedo sexual com cinta para penetrar um homem ou alguém com pênis.
A prática costuma ser descrita como uma espécie de “inversão de papéis”, mas vai além disso: trata-se de uma oportunidade para homens explorarem o prazer da penetração anal, uma região rica em terminações nervosas e altamente sensível.
Os números ajudam a explicar por que o tema tem ganhado visibilidade. Uma pesquisa realizada pela plataforma de relacionamentos Feel mostrou que a prática de sexo anal com penetração (pegging) cresceu mais de 200% entre homens cis, um indicativo de que o prazer anal masculino está sendo cada vez mais normalizado — e, com ele, novas definições de masculinidade, bem-estar sexual e intimidade nos relacionamentos.

O estudo também apontou um crescimento expressivo no interesse por brinquedos sexuais, que lideraram a lista de desejos, com aumento superior a 400% entre os participantes. Em seguida, aparece o role play, reforçando a busca por experiências mais criativas e consensuais na vida sexual.
Segundo Luke Brunning, professor de Ética Aplicada da Universidade de Leeds, na Inglaterra, e um dos líderes da pesquisa, esse movimento reflete uma mudança cultural importante. “O estigma em torno do uso de brinquedos sexuais está diminuindo à medida que eles se tornam mais comuns e melhor representados na mídia. Muitos homens também passam a perceber que esses acessórios podem ampliar o prazer e a intimidade, em vez de ameaçá-los”, diz.

Ao Metrópoles, a sexóloga e educadora sexual Luciane Cabral destacou que o pegging envolve não apenas o estímulo físico, como também aspectos emocionais e simbólicos. “A prática consiste na mulher penetrar o ânus de um homem com uma prótese peniana, vibrador ou cinto com prótese. Pode estar ligada a um fetiche, a dinâmicas de dominação e submissão ou, simplesmente, à exploração de uma zona erógena comum a homens e mulheres, com muitas terminações nervosas”, complementa.
Mais do que uma tendência passageira, o crescimento do pegging e do uso de brinquedos sexuais revela um cenário em que diálogo, consentimento e curiosidade ocupam um papel central. Em tempos de revisão de padrões rígidos de gênero e sexualidade, práticas antes vistas como tabu passam a ser entendidas como parte legítima de uma vivência sexual mais ampla, diversa e consciente.














