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Mês do Orgulho: saiba por que bissexuais ainda são invisibilizados
Pessoas bissexuais ainda encaram apagamento dentro e fora da comunidade LGBTQIAPN+; entenda os motivos para isso
atualizado
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Junho é o Mês do Orgulho LGBTQIAPN+ e, ao longo desse período, a Pouca Vergonha abordará reportagens para todas as letras da sigla. A luta contra o apagamento bissexual é um dos temas debatidos na coluna. Mesmo com maior reconhecimento e informações, pessoas bissexuais ainda são invisibilizadas dentro e fora da comunidade.
Entre as reivindicações da comunidade bissexual, destaca-se principalmente a luta contra os estereótipos que rondam as pessoas bi, vistas como indecisas, “bi de festinha”, em cima do muro e muitos comentários que, no fundo, apagam toda uma vivência.

João Victor Moreira, psicólogo LGBT+ e homem bissexual, destaca que a sociedade ainda tem resistências em relação às sexualidades que não se enquadram em um modelo binário, que engloba apenas héteros e homossexuais.
“O que nos atrai em outra pessoa é, de certa forma, diferente do que outras pessoas procuram. O corpo/gênero do objeto do nosso amor tem menos importância — buscamos algo mais profundo, nos atraímos pela pessoa em si. O gênero, geralmente, fica em segundo plano”, comenta João.
O psicólogo acrescenta que, para ele, uma das maiores dificuldades foi lidar com preconceitos dentro dos próprios relacionamentos. “Pessoas que não entendiam essa dinâmica achavam estranho ou até mesmo não sabiam lidar com os próprios sentimentos de gostar de uma pessoa do mesmo gênero. Muitas se limitam a gostar de um mesmo tipo de pessoa, por normas sociais. Quando esse paradigma é quebrado, elas se sentem confusas.”
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Além de todos os fatores externos — a bifobia, os tabus e as visões estereotipadas sobre a sexualidade —, as pessoas bissexuais encontram muitas barreiras dentro da própria comunidade LGBTQIAP+ que, na teoria, deveria as acolher.
“Para lidar com isso, precisei de muita reflexão e um entendimento mais profundo das construções sociais ao redor das questões de gênero e sexualidade. Entender isso e estar em paz com meus sentimentos foi um alívio”, emenda.
Ainda assim, a luta continua. João aponta que a invisibilidade é uma das maiores questões para a comunidade LGBTQ+. “. Isso é ainda mais presente para as pessoas bi, pois muitas vezes são vistas como apenas ‘confusas’ ou só ‘passando por uma fase’. Outra questão, também, é a de que muitas pessoas pensam que, se você é bissexual, tem que provar isso saindo com uma pessoa do mesmo gênero e, caso você não o faça, você está mentindo e retroalimentando o discurso de que se trata apenas de uma pessoa confusa.”

Na visão do expert, isso também tem muito a ver com as narrativas sociais criadas ao redor do que é um relacionamento ‘padrão’. “Sempre que alguém foge dessa norma, ela é vista como estranha e silenciada”, reforça o psicólogo.
João, por fim, revela que o mais importante é a pessoa estar feliz e confiante nas suas escolhas, afinal, a sexualidade sempre foi um espectro — e pessoas bi também transitam nesse meio.










