Pouca vergonha

Médicos explicam o que é ereção permanente, vista na série The Pitt

Um episódio médico sobre ereção permanente foi retratado na série The Pitt e chamou a atenção dos telespectadores

atualizado

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the pitt
1 de 1 the pitt - Foto: Divulgação

A série médica The Pitt, um dos títulos mais comentados da HBO Max, não fugiu de um tema delicado e ainda pouco explorado na TV: a disfunção erétil. Em um episódio da segunda temporada, a produção leva o assunto ao limite — literalmente.

Um homem vivido por Christopher T. Wood chega à sala de emergência com priapismo, uma ereção dolorosa e persistente que já dura mais de quatro horas. A causa é revelada: ele injetou o dobro da dose indicada de um medicamento líquido usado no tratamento da disfunção erétil, alternativa comum quando comprimidos como viagra e cialis falham.

Ao explicar a situação ao Dr. Langdon, interpretado por Patrick Ball, o paciente admite que exagerou na tentativa de “garantir o desempenho” durante a comemoração dos 20 anos de casamento. O plano, no entanto, termina em urgência médica.

Diante do risco de danos permanentes, os médicos realizaram um procedimento invasivo para aliviar a pressão e drenar o sangue acumulado no pênis.

A cena, gravada com o auxílio de uma prótese extremamente realista, chama atenção pela crueza e pela forma direta com que a série aborda um tema cercado de constrangimento — reforçando a proposta de The Pitt de tratar saúde sem filtros ou eufemismos.

O que é priapismo

Na vida real, a situação também pode ocorrer. Douglas Rodrigues, médico urologista e andrologista do Hospital Mater Dei Goiânia, explica que a ereção sempre foi culturalmente associada à potência, desejo e virilidade masculina.

“No entanto, a ciência médica é clara: quando uma ereção ultrapassa o limite fisiológico, ela deixa de ser sinal de saúde e passa a ser um risco real. Esse quadro tem nome, causa e consequências bem definidas: priapismo”, explica o profissional ao Metrópoles.

Ou seja, o priapismo é definido como uma ereção persistente e prolongada, com duração superior a 4 horas, sem relação com estímulo sexual e, na maioria das vezes, com dor intensa.

“Em condições normais, a ereção depende de um delicado equilíbrio entre entrada e saída de sangue nos corpos cavernosos do pênis. No priapismo, especialmente no tipo mais comum, acima de 95% dos casos — o priapismo isquêmico — o fluxo arterial dentro do pênis fica ausente ou reduzido, o sangue entra, mas fica aprisionado, perdendo oxigênio ao longo do tempo.”

O que pode desencadear a ereção prolongada

O urologista do Hospital Mantevida, Rodrigo Arbex, comenta que o uso abusivo de esteroides, tadalafila, sildenafila e drogas injetáveis que provocam ereção com as prostaglandinas pode desencadear a ereção prolongada.

O abuso do uso de cocaína e medicações psicotrópicas, como as utilizadas em pacientes com doenças psiquiátricas graves, estão muito associadas à etiologia do priapismo isquêmico (venoso ou de baixo fluxo).

Na mesma lógica, Douglas cita que, hoje em dia, muitos homens estão usando medicação para ereção sem prescrição, misturando comprimidos com álcool ou drogas recreativas.

“Muitos desses produtos alteram o fluxo sanguíneo do pênis de forma imprevisível”, ressalta Rodrigo. “Se você usa medicação para ereção ou alguma substância recreativa, procure orientação médica antes de combinar com qualquer outro produto. A ciência recomenda cautela sempre.”

Mão do médico segurando uma seringa injetando fluido em uma banana em fundo azul claro. Conceito de disfunção erétil

Emergência médica

Rodrigo explica que, nos casos em que há diagnóstico de priapismo isquêmico (venoso), o paciente precisa passar por um procedimento cirúrgico com o objetivo de tentar reverter a condição.

“Um relato pessoal meu e de alguns colegas de profissão: nos últimos 2 anos, tem aumentado a incidência de pacientes atendidos nos atendimentos médicos com priapismo”, salienta o urologista.

O médico também comenta que os últimos pacientes que tiveram essa condição eram jovens e previamente saudáveis. No caso, eles estavam utilizando medicações em excesso para prolongar ou maximizar a ereção, como tadalafila, prostaglandinas injetáveis e testosterona.

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