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Limerência: quando o crush deixa de ser saudável e vira obsessão
Condição marcada por pensamentos intensos e idealização do outro pode impactar a saúde mental e os relacionamentos
atualizado
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Sentir aquele “frio na barriga” por alguém é comum — mas, em alguns casos, esse sentimento evolui para algo muito mais intenso e difícil de controlar. Esse fenômeno é conhecido como limerência, um estado psicológico marcado por obsessão romântica, idealização extrema e uma necessidade quase constante de reciprocidade.
O termo foi criado pela psicóloga Dorothy Tennov, que estudou o comportamento ao longo de anos e identificou padrões recorrentes. Segundo ela, a limerência envolve pensamentos intrusivos sobre a pessoa desejada, dificuldade de concentração em outras áreas da vida e uma montanha-russa emocional que depende de sinais — reais ou imaginados — de interesse.

Um dos pontos centrais da limerência é a incerteza. Diferente de um relacionamento estável, esse estado se alimenta da dúvida: pequenos gestos, mensagens ou interações podem ser interpretados como grandes provas de amor, enquanto a ausência de resposta pode gerar ansiedade intensa. Esse ciclo de esperança e frustração mantém o sentimento ativo.
De acordo com o Google Trends, o interesse mundial por buscas relacionadas à paixão obsessiva aumentou desde 2020. Também houve um aumento no conteúdo on-line relacionado ao tema, como tópicos e blogs que discutem quando e por que o amor pode se transformar em obsessão – e o que as pessoas afetadas podem fazer a respeito.
Estudos e relatos analisados por especialistas indicam que a limerência pode durar meses ou até anos, dependendo da situação e do nível de envolvimento emocional. Em muitos casos, ela não depende de um relacionamento concreto — podendo surgir até mesmo em conexões superficiais, amizades ou relações idealizadas a distância.
Entre os sinais mais comuns estão a idealização da pessoa, a dificuldade de enxergar defeitos, a necessidade constante de aprovação e a tendência a fantasiar cenários românticos. Fatores como baixa autoestima, carência emocional e experiências afetivas anteriores também podem aumentar a predisposição.
Embora não seja considerada um transtorno mental formal, a limerência pode impactar significativamente a saúde emocional, especialmente quando interfere na rotina, no trabalho e em outros relacionamentos. Por isso, especialistas recomendam atenção aos sinais e, se necessário, acompanhamento psicológico.
Reconhecer o limite entre paixão e obsessão é essencial para manter relações mais equilibradas — e evitar que um sentimento que deveria ser leve se transforme em fonte de sofrimento.












