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Jejum de sexo pode ajudar na concentração? Expert explica
Terapeuta explica se a abstinência sexual antes de grandes eventos realmente pode ser estratégia eficaz de desempenho
atualizado
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Com a chegada do Carnaval, uma velha crença volta a circular nos bastidores de ensaios, desfiles e competições: a ideia de que fazer sexo antes do grande dia pode “drenar energia” e prejudicar a concentração. O chamado “jejum de sexo” ainda é adotado por algumas pessoas como estratégia de preparação física e mental, mas especialistas garantem que essa prática está mais ligada a mitos culturais do que a evidências científicas.
Segundo o psicólogo e terapeuta sexual Rafael Braga, não há base fisiológica que comprove que o sexo pode comprometer o desempenho físico ou mental. “Essa ideia de que o sexo rouba energia é muito mais um mito do que uma realidade do corpo. O que pode, de fato, atrapalhar a concentração não é o ato sexual em si, mas o que vem ao redor dele”, explica.

De acordo com o especialista, noites mal dormidas, consumo de álcool ou quebra da rotina de treinos são fatores que impactam negativamente a performance — e não a relação sexual. “Quando a pessoa perde o sono ou se desorganiza na rotina, isso sim afeta o rendimento. Psicologicamente, um jejum rígido pode gerar ainda mais ansiedade, porque vira uma obrigação ou uma forma de cobrança em um período que já é naturalmente estressante”, afirma.
Sexo como aliado contra a pressão
Em vez de vilão, o sexo pode ser um aliado importante no manejo da pressão intensa que antecede o Carnaval. Rafael Braga destaca que a relação sexual estimula a liberação de hormônios como a ocitocina e a endorfina, substâncias diretamente associadas à sensação de bem-estar, relaxamento e melhora da qualidade do sono.
“Para quem está vivendo um período de exaustão física e emocional, o sexo pode ajudar muito. Dormir melhor é fundamental para quem está sob cobrança constante, e o sexo contribui para isso”, diz. Ele também ressalta o impacto positivo na relação com o próprio corpo, especialmente para quem enfrenta cobranças estéticas intensas. “É uma forma de se reconectar com o corpo de maneira prazerosa, e não apenas como um instrumento de exibição.”
De onde vem o mito da abstinência
A prática de se privar do sexo antes de eventos importantes não é nova. Ela tem origem em tradições antigas do esporte, especialmente em modalidades como boxe e MMA. “Durante muito tempo, acreditava-se que a abstinência ajudaria a acumular agressividade ou energia. Alguns treinadores ainda defendem isso, mas muitas vezes o problema não é o sexo, e sim o ritual que vem junto: virar a noite, beber álcool, sair da rotina”, explica o terapeuta.
Além disso, algumas filosofias orientais também defendem a conservação da chamada energia vital, o que contribuiu para perpetuar essa ideia ao longo do tempo. No entanto, a ciência moderna segue em outra direção.
“O gasto físico de uma relação sexual comum é mínimo, algo comparável a subir dois lances de escada”, pontua Rafael Braga. “Hoje, a medicina do esporte e a psicologia trabalham com o conceito de equilíbrio. Se o sexo ajuda você a relaxar, dormir melhor e regular as emoções, ele não prejudica a performance — ele melhora.”
Para o especialista, o foco deve estar sempre na saúde mental e na regulação emocional. “Cada pessoa reage de um jeito, mas transformar o sexo em tabu ou privação tende a gerar mais tensão do que benefício. O que realmente faz diferença é o cuidado com o corpo, a mente e o descanso.”
Em um período marcado por brilho, intensidade e expectativas altas como o Carnaval, talvez o maior segredo não seja cortar prazeres, mas encontrar formas saudáveis de aliviar a pressão.
























