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Pouca vergonha

Como acontece a ereção do pênis e por que a paixão é fator fundamental

A ideia de que o homem e o seu pênis devem estar sempre prontos para o sexo é um mito que desconsidera o importante fator "paixão"

16/06/2026 02:00
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Imagem colorida mostra homem analisando a região acima da barriga - Metrópoles

Filmes, séries e até histórias da própria vida real costumam retratar situações em que o pênis não “sobe” (ou seja, o homem não consegue ter uma ereção) porque está apaixonado por outra pessoa. Isso realmente acontece? Segundo a sexóloga e psicóloga Alessandra Araújo, a resposta é sim.

A profissional explica ao Metrópoles que as emoções e o vínculo afetivo exercem um papel importante na sexualidade e, em alguns casos, o envolvimento emocional com uma pessoa pode dificultar a excitação ou a ereção com outra parceira.

“A ideia de que o homem deve estar sempre pronto para o sexo, independente do contexto (o estereótipo do ‘pegador’), é um mito que ignora a complexidade da neurobiologia e da psicologia masculina. A resposta erétil não é puramente mecânica; ela é o resultado de uma engrenagem fina entre o cérebro, os hormônios e as emoções.”
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Segundo Alessandra, quando um homem está emocionalmente ligado ou apaixonado por uma parceira específica, o sistema de recompensa e apego (ligado à ocitocina e à dopamina) está direcionado a ela. Ao tentar se relacionar com outra pessoa, o cérebro pode sofrer um “conflito de lealdade” inconsciente.

“A ansiedade de performance, o sentimento de culpa ou simplesmente a falta de desejo genuíno por aquela nova pessoa geram uma sobrecarga no sistema nervoso, impedindo o relaxamento necessário para a ereção”, afirma a sexóloga.

Como acontece a ereção do pênis

Para que ocorra a ereção do pênis, Alessandra explica que o sistema nervoso parassimpático precisa estar ativado. Isso significa que o corpo precisa se sentir seguro, relaxado e estimulado. Quando há ansiedade, culpa ou um conflito emocional, esse processo pode ser prejudicado.

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O papel dos hormônios

A atração e o sexo casual dependem de picos de dopamina e noradrenalina.

“No entanto, quando há um sentimento de apego por outra pessoa, o cérebro do homem pode bloquear essa cascata de excitação com um parceiro diferente, pois falta o gatilho da intimidade emocional ou sobra o estresse da comparação”, esclarece Alessandra.

O freio inibitório

Sentimentos de culpa, remorso ou ansiedade acionam o córtex pré-frontal, que atua como um “freio” no desejo sexual.

“O corpo não responde quimicamente (com a liberação de óxido nítrico, que dilata os vasos sanguíneos do pênis) quando a mente está em outro lugar ou em estado de alerta emocional.”

Como diferenciar problemas emocionais de físicos

Quando a falha na ereção ocorre apenas com parceiras específicas ou em contextos de casualidade, o diagnóstico é predominantemente psicológico/emocional.

Sinais de origem emocional

  • A ereção acontece normalmente durante a masturbação.
  • O homem consegue ter ereções matinais (sinal de que o sistema circulatório e neurológico está saudável).
  • A dificuldade ocorre apenas com parceiras novas, mas não com a pessoa por quem ele está apaixonado (ou ocorria normalmente antes da paixão por outra pessoa se instalar).
  • Há pensamentos intrusivos, culpa ou ansiedade durante o ato.

Porém, quando a dificuldade de ereção acontece de forma frequente e independe da parceria ou do contexto emocional, é importante investigar possíveis causas físicas

Sinais de origem física 

  • A dificuldade de ereção é constante, acontecendo em qualquer situação (com parcerias diferentes e também na masturbação).
  • Ausência de ereções matinais.
  • Presença de fatores de risco como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares, tabagismo ou uso de certos medicamentos (como antidepressivos ou anabolizantes).

“Resumindo: a falha erétil nesse cenário não é um “defeito” do corpo, mas um sintoma de que a mente e a química interna estão desalinhadas com a situação. O corpo, de forma involuntária, recusa o que a mente não está inteiramente disposta a vivenciar”, conclui a sexóloga Alessandra Araújo.

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