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Asfixia autoerótica: entenda o fetiche retratado na série Dele & Dela
Série da Netflix reacende o debate sobre prazer, risco e limites ao expor prática extrema ligada à sexualidade
atualizado
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A minissérie Dele & Dela, da Netflix, conhecida por sua atmosfera densa e temas psicológicos, abriu espaço para um debate delicado ao retratar a asfixia autoerótica. A prática surge quando Richard, personagem interpretado por Pablo Schreiber, reage com total indiferença ao ser confrontado com um vídeo íntimo em que aparece restringindo a própria respiração para obter prazer sexual.
“É asfixia autoerótica, e daí?”, dispara ele, recusando-se a sentir culpa ou vergonha. Mas, fora da ficção, o tema envolve riscos graves e até fatais, como explica a sexóloga Alessandra Araújo.
A série Dele & Dela acompanha a investigação de assassinatos em uma cidade marcada por traumas do passado, crimes e segredos íntimos. Richard é cinegrafista da emissora local e marido de Lexy, âncora rival da protagonista Anna. Ao ter sua intimidade exposta, ele não apenas normaliza o fetiche como o trata como algo banal, revelando uma camada perturbadora de sua personalidade.

Segundo Alessandra Araújo, a asfixia autoerótica consiste na restrição intencional do oxigênio que chega ao cérebro durante a masturbação ou o sexo. O objetivo é intensificar as sensações e o orgasmo.
“A diminuição do oxigênio provoca tontura, euforia e desinibição. Quando isso se soma à liberação de dopamina e endorfinas do ato sexual, algumas pessoas relatam um prazer mais intenso”, explica a profissional ao Metrópoles.
Consequências
A sexóloga ressalta, no entanto, que esse mecanismo fisiológico cobra um preço alto. A perda de consciência pode acontecer em segundos e, quando a prática é feita sozinho — como o próprio nome indica —, não há ninguém para intervir.
“O maior risco é desmaiar e não conseguir interromper o que está bloqueando a respiração. Muitas mortes acontecem sem intenção suicida”, alerta Alessandra.
Além do risco fatal, a privação repetida de oxigênio pode causar danos neurológicos permanentes, afetando memória, cognição e funções motoras. Por isso, especialistas em sexualidade consideram a asfixia autoerótica uma das práticas mais perigosas dentro do espectro dos fetiches.
A sexóloga também faz uma distinção importante: o chamado breathplay, realizado entre parceiros com consentimento, ainda é de alto risco, mas envolve monitoramento e possibilidade de interrupção. Já a asfixia autoerótica, praticada individualmente, não oferece margem de segurança.
“Nunca se recomenda restringir a respiração sozinho. Quem busca sensações intensas pode explorar outros estímulos sem colocar a vida em risco”, orienta.
Ao trazer o tema para a tela, a série Dele & Dela provoca reflexão sobre desejos extremos, repressão emocional e a busca por sensações limites. Mas, como conclui Alessandra Araújo, é essencial separar a provocação da ficção da realidade: o que pode parecer transgressor ou excitante na narrativa é, fora dela, uma prática com consequências irreversíveis.










