Pouca vergonha

Asfixia autoerótica: entenda o fetiche retratado na série Dele & Dela

Série da Netflix reacende o debate sobre prazer, risco e limites ao expor prática extrema ligada à sexualidade

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação/Netflix
Tessa Thompson e Jon Bernthal em Dele e Dela da Netflix
1 de 1 Tessa Thompson e Jon Bernthal em Dele e Dela da Netflix - Foto: Divulgação/Netflix

A minissérie Dele & Dela, da Netflix, conhecida por sua atmosfera densa e temas psicológicos, abriu espaço para um debate delicado ao retratar a asfixia autoerótica. A prática surge quando Richard, personagem interpretado por Pablo Schreiber, reage com total indiferença ao ser confrontado com um vídeo íntimo em que aparece restringindo a própria respiração para obter prazer sexual.

“É asfixia autoerótica, e daí?”, dispara ele, recusando-se a sentir culpa ou vergonha. Mas, fora da ficção, o tema envolve riscos graves e até fatais, como explica a sexóloga Alessandra Araújo.

A série Dele & Dela acompanha a investigação de assassinatos em uma cidade marcada por traumas do passado, crimes e segredos íntimos. Richard é cinegrafista da emissora local e marido de Lexy, âncora rival da protagonista Anna. Ao ter sua intimidade exposta, ele não apenas normaliza o fetiche como o trata como algo banal, revelando uma camada perturbadora de sua personalidade.

Tessa Thompson e Jon Bernthal em Dele e Dela da Netflix
Tessa Thompson e Jon Bernthal em Dele e Dela da Netflix

Segundo Alessandra Araújo, a asfixia autoerótica consiste na restrição intencional do oxigênio que chega ao cérebro durante a masturbação ou o sexo. O objetivo é intensificar as sensações e o orgasmo.

“A diminuição do oxigênio provoca tontura, euforia e desinibição. Quando isso se soma à liberação de dopamina e endorfinas do ato sexual, algumas pessoas relatam um prazer mais intenso”, explica a profissional ao Metrópoles.

Consequências

A sexóloga ressalta, no entanto, que esse mecanismo fisiológico cobra um preço alto. A perda de consciência pode acontecer em segundos e, quando a prática é feita sozinho — como o próprio nome indica —, não há ninguém para intervir.

“O maior risco é desmaiar e não conseguir interromper o que está bloqueando a respiração. Muitas mortes acontecem sem intenção suicida”, alerta Alessandra.

Asfixia autoerótica: entenda o fetiche retratado na série Dele & Dela - destaque galeria
5 imagens
Uma vida sexual ativa e saudável tem impacto direto no bem-estar
O prazer e o orgasmo liberam hormônios responsáveis pela diminuição do estresse e pela melhora do sono
É possível manter a sexualidade ativa e saudável até a terceira idade
No sexo, tudo é liberado desde que com total consentimento de todos os envolvidos e segurança
O sexo é um dos pilares para uma vida saudável, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)
1 de 5

O sexo é um dos pilares para uma vida saudável, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS)

PeopleImages/Getty Images
Uma vida sexual ativa e saudável tem impacto direto no bem-estar
2 de 5

Uma vida sexual ativa e saudável tem impacto direto no bem-estar

Yana Iskayeva/Getty Images
O prazer e o orgasmo liberam hormônios responsáveis pela diminuição do estresse e pela melhora do sono
3 de 5

O prazer e o orgasmo liberam hormônios responsáveis pela diminuição do estresse e pela melhora do sono

Getty Images
É possível manter a sexualidade ativa e saudável até a terceira idade
4 de 5

É possível manter a sexualidade ativa e saudável até a terceira idade

filadendron/Getty Images
No sexo, tudo é liberado desde que com total consentimento de todos os envolvidos e segurança
5 de 5

No sexo, tudo é liberado desde que com total consentimento de todos os envolvidos e segurança

South_agency/Getty Images

 

Além do risco fatal, a privação repetida de oxigênio pode causar danos neurológicos permanentes, afetando memória, cognição e funções motoras. Por isso, especialistas em sexualidade consideram a asfixia autoerótica uma das práticas mais perigosas dentro do espectro dos fetiches.

A sexóloga também faz uma distinção importante: o chamado breathplay, realizado entre parceiros com consentimento, ainda é de alto risco, mas envolve monitoramento e possibilidade de interrupção. Já a asfixia autoerótica, praticada individualmente, não oferece margem de segurança.

“Nunca se recomenda restringir a respiração sozinho. Quem busca sensações intensas pode explorar outros estímulos sem colocar a vida em risco”, orienta.

Ao trazer o tema para a tela, a série Dele & Dela provoca reflexão sobre desejos extremos, repressão emocional e a busca por sensações limites. Mas, como conclui Alessandra Araújo, é essencial separar a provocação da ficção da realidade: o que pode parecer transgressor ou excitante na narrativa é, fora dela, uma prática com consequências irreversíveis.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?