Após um divórcio, recomeçar a vida afetiva e sexual exige comunicação clara
Deixar uma relação pode causar uma série de inseguranças. Comunicação deve ser ponto de partida para recomeçar vida afetiva-sexual

Especialmente para as mulheres, o divórcio pode parecer uma fase turbulenta e difícil de ultrapassar. Após um casamento longevo, muitas sentem dificuldade em redescobrir a própria sexualidade — na maioria das vezes por acreditar, equivocadamente, que já passaram da idade para viver novas experiências. Embora esse tipo de sentimento seja comum, ele não é saudável e, com comunicação clara, pode ser enfrentado.

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Ver todasEm entrevista à coluna, o especialista em inteligência emocional Rogério Silva elenca os principais sentimentos associados a esse cenário: medo de sofrer, receio de lidar com rejeição, vergonha do próprio corpo e dificuldade de se abrir para o novo.
“Esse recomeço pode reunir vontade e receio ao mesmo tempo. Sentir insegurança não significa, por si só, estar despreparado. O importante é reconhecer o próprio ritmo e não transformar a retomada da vida afetiva ou sexual em uma obrigação, uma competição com o ex-parceiro ou uma prova de superação”, destaca.
O que causa tanto receio?
Segundo o profissional, experiências como traição, controle excessivo e desvalorização são algumas das razões para que uma pessoa saia de uma relação com tantos sentimentos negativos. “Isso pode aparecer como dificuldade para confiar, necessidade frequente de confirmação, afastamento emocional ou receio de expressar desejos e limites”, afirma.
Para quem fica com cicatrizes emocionais, o principal desafio é reconhecer que uma nova pessoa pode ser diferente da anterior.
Entre no canal de WhatsApp do Vida e Estilo“A confiança pode ser construída gradualmente, observando coerência, respeito e disponibilidade para conversar. Quando as experiências anteriores provocam sofrimento persistente ou dificultam muito a aproximação, o acompanhamento psicológico pode ajudar a elaborar o que aconteceu”, ressalta.

Dicas práticas
Rogério lembra, entretanto, que não é preciso estar completamente feliz para investir em uma relação afetiva-sexual. A orientação do especialista é questionar se, de fato, existe interesse ou se é apenas uma urgência para fugir da solidão. Também vale observar se há espaço para escolhas conscientes, honestidade e respeito aos próprios limites.
Segundo ele, algumas perguntas podem ajudar:
- “Consigo respeitar meu ritmo?”
- “Posso dizer não por medo de perder essa pessoa?”
- “Estou disponível para conhecer alguém como ele é, sem compará-lo o tempo todo?”

E quando estiver com alguém?
Independentemente se é apenas sexual ou também romântico, Silva reforça que a comunicação no relacionamento deve acontecer conforme ele avança. Antes de uma transa, por exemplo, deve haver abertura para falar de consentimento, proteção, limites e cuidados com a saúde sexual.
“Sobre o passado, não é necessário contar tudo nem expor detalhes para demonstrar confiança. Pode ser suficiente dizer: ‘Passei por uma experiência difícil e prefiro ir com calma’ ou ‘para mim, é importante saber o que você espera dessa relação’. O objetivo é preservar a privacidade sem atribuir ao novo parceiro a responsabilidade de reparar as dores anteriores”, encerra.












