Paulo Cappelli

Ovo de Páscoa envenenado: polícia diz que esteticista agiu por vigança

Polícia Civil indiciou mulher que enviou ovo de Páscoa envenenado para a namorada do ex-marido e aponta duplo homicídio qualificado

atualizado

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Ovo da Páscoa suspeita indiciada
1 de 1 Ovo da Páscoa suspeita indiciada - Foto: Reprodução/redes sociais

A Polícia Civil do Maranhão indiciou a suspeita de matar duas crianças com um ovo de Páscoa envenenado na cidade de Imperatriz (MA), em abril deste ano. A esteticista Jordélia Pereira Barbosa, de 36 anos, é acusada de duplo homicídio qualificado contra Evely, de 13 anos, e Luís Fernando, de 7. E, também, de tentativa de homicídio qualificado contra a mãe das crianças, Miriam Lira.

No relatório do caso, ao qual a coluna teve acesso, a polícia pediu a manutenção da prisão preventiva de Jordélia, detida no dia 17 de abril, e o acesso aos dados de dois celulares apreendidos com ela no momento da prisão. De acordo com as investigações, o crime foi motivado por vingança. Mirian, de 32 anos, é a atual namorada do ex-marido de Jordélia, Antônio Alves Barbosa Filho.

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Polícia encontrou chocolate e chumbinho com suspeita
Jordélia Pereira foi presa por enviar ovo da Páscoa envenenado à namorada do ex-marido
Suspeita de matar duas crianças e tentar matar rival, Jordélia foi indiciada pela Polícia Civil
Mirian e os filhos foram envenenados com chumbinho
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Mirian e os filhos foram envenenados com chumbinho

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Polícia encontrou chocolate e chumbinho com suspeita
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Polícia encontrou chocolate e chumbinho com suspeita

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Jordélia Pereira foi presa por enviar ovo da Páscoa envenenado à namorada do ex-marido
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Jordélia Pereira foi presa por enviar ovo da Páscoa envenenado à namorada do ex-marido

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Suspeita de matar duas crianças e tentar matar rival, Jordélia foi indiciada pela Polícia Civil
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Suspeita de matar duas crianças e tentar matar rival, Jordélia foi indiciada pela Polícia Civil

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A substância usada no crime foi o veneno conhecido como “chumbinho”, utilizado clandestinamente para controle de roedores. “No que diz respeito à vítima Mirian, restou evidenciado que a investigada agiu com dolo direto, na modalidade de homicídio qualificado tentado. Isso porque a autora direcionou intencionalmente o envenenamento à Mirian, com quem mantinha desavença, tendo entregue alimentos envenenados com ‘chumbinho’ diretamente a ela”, diz o relatório.

“Além disso, está demonstrado nos autos o histórico de ameaças da investigada em desfavor da vítima, o que demonstra motivação pessoal (motivo fútil), configurando animosidade dirigida. A substância utilizada tem alta toxicidade, sabidamente letal, o que evidencia o animus necandi, mesmo que o resultado morte não tenha se consumado em razão de causas alheias à vontade da autora”, afirma a Polícia Civil.

Sobre a morte dos filhos de Mirian, o relatório observa que Jordélia assumiu o risco de matar as duas crianças ao enviar os produtos envenenados, ciente de que elas moravam com a mãe. “Já no que tange às crianças, filhos da vítima, que vieram a óbito após o consumo dos mesmos alimentos envenenados, aplica-se a modalidade de dolo eventual, pois a autora não os visava diretamente, mas assumiu o risco de matá-los ao entregar alimentos contaminados na residência em que viviam com a mãe, sabendo que esta os dividiria com os filhos”, destaca o documento.

“Trata-se, portanto, de conduta com previsão e aceitação do resultado possível, típica da aceitação do risco, uma vez que a presença das crianças na residência e o hábito de partilhar alimentos eram plenamente previsíveis. Por fim, a dinâmica revela indiferença quanto às consequências fatais, permitindo-se que o resultado se consumasse”, avalia a Polícia Civil maranhense.

Na conclusão do inquérito, os investigadores pedem a manutenção da prisão preventiva pela “gravidade concreta da conduta, a frieza e premeditação do ato, o uso de meio insidioso e o risco concreto de reiteração delitiva, diante da tentativa de fuga e uso de subterfúgios para dissimular sua identidade”.

Investigação aponta uso de disfarce

As investigações sobre as mortes de Evely e Luís Fernando e o envenenamento de Mirian apontaram que Jordélia Pereira viajou 400 quilômetros até a cidade de Imperatriz, usou um disfarce para se hospedar e foi até o local de trabalho da namorada do ex-marido para uma primeira tentativa de envenená-la.

A esteticista fingiu ser representante comercial e foi ao local de trabalho de Mirian, um supermercado, para oferecer uma degustação de chocolates aos operadores de caixa — função exercida pela vítima. Mirian acabou não participando da degustação, o que levou Jordélia a adotar outra estratégia: entregar os ovos da Páscoa na casa da rival.

Ela contratou um motoboy para fazer a entrega, passou o endereço e o nome de Mirian. Jordélia chegou a telefonar para a vítima perguntando se ela havia recebido a encomenda.

Depois de saber da morte da primeira criança, Luís Fernando, o motoboy procurou a polícia e informou o que sabia. A esteticista, no entanto, já havia fugido do hotel onde estava hospedada. Ela foi localizada e detida no dia 17 de abril, nas proximidades de Santa Inês (MA), onde mora. “Em interrogatório, Jordélia negou a autoria, mas caiu em contradições quanto à finalidade da viagem e afirmou ter enviado os chocolates à vítima, o que a vincula diretamente ao evento danoso”, diz o relatório policial.

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