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Paulo Cappelli

João Campos suspende contrato milionário após suspeita de sobrepreço

Recuo da Prefeitura do Recife, comandada por João Campos, ocorre após coluna revelar suspeita de irregularidades em contrato da Educação

28/12/2024 05:00
Mario Agra / Câmara dos Deputados
Foto colorida do prefeito de Recife, João Campos (PSB) - Metrópoles

Prefeito do Recife, João Campos (PSB) suspendeu um contrato com a empresa do filho do presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Álvaro Porto (PSDB). A decisão ocorre após a coluna revelar a suspeita de sobrepreço de R$ 12,5 milhões no acordo para fornecer energia solar a escolas públicas do município.

O recuo da prefeitura foi oficializado três dias após a publicação da reportagem. A ordem foi assinada por Danielle Duca, secretária-executiva de Infraestrutura na Secretaria de Educação do Recife. Nenhum valor chegou a ser desembolsado pela gestão municipal.

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O contrato foi firmado pela Prefeitura do Recife com a empresa Enove. O dono da companhia é Álvaro Porto de Barros Filho. Além de filho do atual presidente da Alepe, o empresário é primo do relator do caso no Tribunal de Contas do Estado, o conselheiro Eduardo Lyra Porto de Barros. O valor total do contrato era de R$ 19 milhões.

De acordo com auditoria do TCE, o contrato visa a instalação de sistema de geração de energia solar fotovoltaica ongrid em unidades escolares do Recife. O acordo previa a elaboração de projetos, laudos, pareceres, análise de viabilidade econômica e treinamento.

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“Nota-se que o valor contratado é quase o triplo do preço médio obtido na consulta de preços e está 182% acima do valor de mercado. Assim, é possível constatar um sobrepreço unitário de R$ 4.838,89. Por sua vez, para o quantitativo total contratado de 2.600 KWp, obtém-se um sobrepreço total no contrato de R$ 12.581.114,00 (doze milhões, quinhentos e oitenta e um mil, cento e quatorze reais)”, pontuou o corpo técnico do TCE.

Os analistas ainda indicaram ausência de estudos técnicos preliminares, projeto básico e orçamento para o contrato. “No caso concreto, não foram avaliadas as diferentes alternativas para diminuição do gasto com energia elétrica, como, por exemplo, a instalação de usina fotovoltaica (on grid, off grid e híbrido), a adesão ao mercado livre de energia, a geração compartilhada e a exploração de possíveis parcerias público-privadas, demonstrando a vantajosidade da solução escolhida em relação às outras”, destacaram.