
Paulo CappelliColunas

Geólogo esclarece se há urânio em área de Goiás fotografada pela Nasa
Geólogo comenta formação do solo em Goiás após embaixada dos Estados Unidos publicar imagem de satélite da Nasa
atualizado
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Uma imagem de satélite fotografada pela Nasa e divulgada pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, no domingo (22/6), levou internautas a compararem a formação geológica da Serra de Caldas, em Goiás, à usina de enriquecimento de urânio de Fordow, no Irã — alvo recente de bombardeios por parte dos Estados Unidos e de Israel.
Geólogo do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Valdir Silveira esclareceu à coluna que não há urânio na região. “A feição está localizada em Caldas Novas, Goiás. As termas estão ao redor da elevação geológica. Só tem águas quentes, não tem urânio”, afirmou o diretor de Geologia e Recursos Minerais do Serviço Geológico Brasileiro (SGB).
O registro, feito pelo satélite Landsat 9, fruto de parceria entre a Nasa e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), mostra uma formação arredondada que se eleva cerca de 300 metros acima da paisagem do Cerrado. A semelhança com instalações nucleares despertou especulações nas redes sociais.
Alguns internautas apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro interpretaram a divulgação da imagem como uma possível ameaça velada ao Brasil, sugerindo que o país estaria sob vigilância por parte do governo norte-americano.
Serra de Caldas é uma formação natural originada por antigas atividades vulcânicas. A área abriga um parque estadual com trilhas, mirantes e cachoeiras, sendo um ponto turístico conhecido por suas águas termais.
Já a usina de Fordow, no Irã, mencionada nas comparações, tem histórico de tensão internacional. Construída sob uma montanha, a instalação é voltada ao enriquecimento de urânio e foi alvo de recentes ações militares de Estados Unidos e Israel, que buscam desmantelar o programa nuclear iraniano.