Direitos humanos: grupo de Bolsonaro alega violação e aciona tribunal
Grupo de parlamentares ligados a Jair Bolsonaro prepara pedido à Comissão Interamericana de Direitos Humanos contra supostas irregularidades

O grupo político de Jair Bolsonaro diz que o ex-presidente é vítima de violação de direitos humanos e vai recorrer a cortes internacionais. As supostas irregularidades, argumentam, ocorreriam no âmbito dos inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) sob relatoria de Alexandre de Moraes.
A afirmação é de parlamentares bolsonaristas que vão protocolar petição na Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Caberá ao colegiado, então, decidir se há elementos para que o caso seja julgado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, sediada na Costa Rica. Aliados de Bolsonaro também cogitam recorrer ao Tribunal de Haia.

Receba no seu email as notícias da coluna Boletim Metrópoles
Frequência de envio: Diário
Ver todasEntre os articuladores, estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A alegação central é de “censura”, sob o argumento de que o ministro do STF promoveria “perseguição política” ao ex-presidente com intenção de “calar a oposição”.
O entorno de Bolsonaro busca coletar ao menos 100 assinaturas de deputados para dar peso à petição. A avaliação é que a marca seria atingível, uma vez que boa parte dos 139 parlamentares que pediram o impeachment de Lula também colocaria a assinatura no documento enviado à OEA. A lista será aberta a senadores.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOutros pontos permearão a petição, como o suposto excesso de prisões preventivas e a negativa de Moraes de conceder acesso à íntegra das provas, como a delação de Mauro Cid. Também será alegada a prática de fishing expedition, que consistiria na apreensão de celulares e computadores de Bolsonaro e aliados para obter provas não referentes ao fato investigado originalmente (fraude em cartões de vacinação).
A Corte Interamericana de Direitos Humanos não pode interferir em decisões do STF. Portanto, a expectativa de bolsonaristas com a petição é fazer barulho no campo internacional, em estratégia semelhante à adotada por Lula quando foi alvejado pela Lava Jato. No caso do atual presidente, ele acionou o Comitê de Direitos Humanos da ONU, que se manifestou pela parcialidade do juiz Sergio Moro em abril de 2022.
Por essa ótica, o cenário internacional influenciaria o nacional, uma vez que as chances de absolvição no STF seriam praticamente nulas. Contudo, até o momento, não há qualquer sinal de vitória para Bolsonaro em tribunais fora do Brasil.
Entre parlamentares de esquerda, o clamor é tratado com ironia, uma vez que Bolsonaro já chamou os direitos humanos de “esterco da v@g@b#ndagem”.












