
Paulo CappelliColunas

Como o Exército deverá atuar contra traficantes no RJ
Estratégia prevê ações conjuntas com uso de veículos blindados das Forças Armadas em áreas nas quais há barricadas e armamentos pesado
atualizado
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O governo do Rio de Janeiro pretende solicitar o apoio do Exército para operações conjuntas voltadas à retomada de áreas sob domínio de traficantes e milicianos. A estratégia prevê o uso de veículos blindados das Forças Armadas, especialmente em regiões com barricadas e presença de armamento pesado.
Com base na Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o pedido de apoio será formalizado junto ao governo federal e deve integrar o plano de segurança que será enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) até 15 de outubro. A expectativa do Palácio Guanabara é que as ações em parceria com a União comecem ainda em 2025.
Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Victor dos Santos, o Exército deve atuar principalmente na retaguarda, prestando suporte logístico — a exemplo do que ocorreu na retomada do Complexo do Alemão, em 2010.
“O Exército é, na realidade, uma força que a gente entende que atuaria com a logística. Até porque, pela questão da atuação e atribuição constitucional, o Exército não estará atuando dentro da comunidade. Mas pode, por exemplo, [atuar] como fez na retomada do Alemão, em 2010, fornecendo blindados para que as forças [de segurança estadual] pudessem ingressar naquela comunidade”, afirmou o secretário.
Ele reforça que, antes de avançar na negociação com o governo federal, o Estado precisa apresentar um planejamento sólido.
“Temos que ter uma estrutura ou uma operação que mostre que está bem planejada para que eles [a União] participem. É como a minuta de um contrato, um pacto pela ordem para livrar as comunidades da criminalidade”, disse.

O plano de segurança será apresentado no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas. Em abril, o STF determinou que o governo fluminense elaborasse um planejamento amplo para reocupação de territórios sob controle de grupos armados, com ações voltadas à segurança pública e à presença do Estado nas comunidades.