
Paulo CappelliColunas

Câmara cobra Lewandowski por filho advogar para empresa ligada ao PCC
Comissão de Segurança da Câmara vai convocar Lewandowski para prestar esclarecimentos; requerimento questiona “compatibilidade ética”
atualizado
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A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara vai convocar Ricardo Lewandowski para prestar esclarecimentos sobre o fato de Enrique de Abreu Lewandowski, filho do ministro da Justiça e Segurança Pública, advogar para uma empresa acusada de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Com maioria formada por integrantes da oposição, o colegiado deverá aprovar o requerimento de convocação na próxima sessão ordinária.
Enrique Lewandowski é um dos advogados da Terra Nova Trading, investigada pela Polícia Federal (PF) no esquema de fraudes bilionárias e lavagem de dinheiro do PCC a partir de postos de combustíveis e fintechs. De acordo com a PF, a empresa foi instrumentalizada para gerar créditos tributários falsos, inflar preços em transações internas e lavar dinheiro do crime organizado.
O requerimento é assinado pelo deputado Capitão Alberto Neto (PL-AM). Ele argumenta que a relação do advogado, cujo escritório também foi citado nas investigações sobre fraudes ao INSS, com a empresa “suscita sérias dúvidas sobre a compatibilidade ética e moral da permanência do ministro à frente da pasta responsável pelo combate ao crime organizado e pela condução da política nacional de segurança pública”.
“Essa situação gera um conflito ético de enormes proporções e coloca sob suspeita a própria autoridade do Ministério da Justiça na condução das políticas de combate ao crime organizado. É inadmissível que a pasta responsável por coordenar as forças policiais, supervisionar investigações e definir estratégias nacionais de segurança esteja associada, ainda que de forma indireta, a agentes e empresas investigadas por envolvimento em esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro e financiamento de facções criminosas”, diz o parlamentar.
Por tratar-se de uma convocação — e não de um convite —, Lewandowski não poderá se recusar a comparecer à comissão. A audiência pública com o ministro será marcada após a aprovação do requerimento e notificação ao Ministério da Justiça, a partir da disponibilidade de agenda de Lewandowski.





