Paulo Cappelli

A reação do Itamaraty ao plano militar de Trump na Venezuela

O governo brasileiro avalia como uma interferência indevida o plano de Donald Trump de iniciar operações militares em solo venezuelano

atualizado

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O governo brasileiro avalia como uma interferência indevida o plano de Donald Trump de iniciar operações militares terrestres sob o pretexto de combater narcotraficantes na Venezuela. A declaração, segundo integrantes do Itamaraty, fere o princípio da soberania nacional e expõe a região a riscos de instabilidade.

Para diplomatas brasileiros, o anúncio de uma ofensiva sem negociação prévia com autoridades de Caracas quebra o protocolo diplomático. O argumento é que países costumam recorrer a canais bilaterais e a mecanismos multilaterais, a exemplo de organismos internacionais (ONU, OEIA), antes de usar a força.

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Em janeiro, o ditador venezuelano, Nicolás Maduro foi capturado pelos EUA
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Em janeiro, o ditador venezuelano, Nicolás Maduro foi capturado pelos EUA
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Em janeiro, o ditador venezuelano, Nicolás Maduro foi capturado pelos EUA

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Nicolás Maduro
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Nicolás Maduro

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Integrantes do Itamaraty sustentam que, além de colocar civis em risco, uma intervenção altere force países vizinhos a escolher lados e a redefinir sua postura diplomática diante de Caracas. O sinal recebido por Brasília, segundo diplomatas, é que os Estados Unidos de fato farão operações na Venezuela.

A fala de Trump ocorreu na quinta-feira (28), durante videoconferência com militares americanos no Dia de Ação de Graças, transmitida de Mar-a-Lago, na Flórida. A adoção de uma ação unilateral por terra é vista como perigosa pelo Brasil, que aponta risco de uma escalada “abrupta e imprevisível”.

Telefonema

A notícia sobre a possível intervenção ocorre no mesmo momento em que Trump e Maduro conversaram por telefone na última semana, segundo reportagem do The New York Times. A ligação, que não resultou em qualquer acordo definido, foi descrita como uma abertura diplomática — algo até então pouco esperado, diante da escalada de ameaças e da atuação militar dos EUA na região.

A reaproximação inesperada, contudo, não ameniza a apreensão de Brasília. Para analistas ouvidos pelo governo, a negociação concomitante a uma ameaça de invasão torna o risco de conflito ainda mais grave, pois mistura pressão militar com gestos diplomáticos — estratégia que pode ser interpretada como tentativa de impor uma transição de governo ou um rearranjo de poder, o que aumentaria a incerteza sobre a real motivação das ações americanas, segundo avaliação do Itamaraty.

O Brasil acompanha de perto o caso e tenta convencer os EUA a recuarem da ofensiva contra a Venezuela.

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