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Sex/Life: nova série da Netflix aborda desejo e identidade feminina

Sex/Life, que estreia no dia 25, é a história de um triângulo amoroso entre uma mulher, o marido e o passado dela

atualizado 18/06/2021 17:27

Sex/Life, série da NetflixNetflix/Divulgação

Sex/Life é a história de um triângulo amoroso entre uma mulher, o marido e o passado dela, uma visão nova e ousada sobre o desejo e a identidade feminina. Assim, é a nova série que estreia no dia 25 de junho na Netflix. A trama conta a história de Billie Connelly (Sarah Shahi), que mostra que nem sempre foi a típica dona de casa e mãe de família.

Antes de se casar com Cooper (Mike Vogel), um homem carinhoso e estável, e se mudar para Connecticut, Billie era uma mulher de espírito livre que morava em Nova York com a melhor amiga, Sasha (Margaret Odette), trabalhava muito e curtia a vida.

Cansada de cuidar dos dois filhos pequenos e com saudades do passado, Billie começa a escrever um diário, fantasiando sobre a relação quente que tinha com o ex-namorado Brad (Adam Demos), que ela nunca conseguiu esquecer. Mas, quanto mais Billie se lembra, mais ela questiona como chegou até aqui. E, então, o marido encontra o diário. Será que a verdade sobre o passado vai provocar uma revolução sexual no casamento ou fazer Billie voltar para a vida que ela pensou ter deixado para trás com o homem que a fez sofrer?

Abaixo, a criadora Stacy Rukeyser e a protagonista Sarah Shahi falam sobre fazer uma série focada no desejo e na identidade feminina.

Com que aspectos da história da Billie você se identificou a ponto de querer dar vida à experiência dela?
STACY RUKEYSER: O motivo principal pelo qual criei a série foi para mergulhar na complexidade de ser mulher. Eu sinto a história da Billie como algo muito pessoal. Por muito tempo, fui uma mulher solteira que curtia baladas. Então, quando me casei e tive filhos, também passei noites acordada em uma poltrona de amamentação, como a Billie, pensando: “Quem eu sou agora?” A série é também um estudo dos relacionamentos, especialmente o casamento. A gente sempre se pergunta: “Será que uma pessoa só pode me dar tudo o que eu quero?” A pessoa que te dá estabilidade e uma linda família também pode te dar tesão? No fim das contas, essa é a decisão que Billie tem que tomar.

SARAH SHAHI: Para mim, é como se a Stacy tivesse roubado direto do meu coração algumas coisas que a Billie diz. Passei os últimos 10 anos me preparando para este papel. Eu me casei e tive filhos razoavelmente cedo, então realmente senti essa tensão entre quem eu era e quem sou agora. Tendo filhos ou não, quando nós, mulheres, chegamos a uma certa idade, é como se tivéssemos que esquecer como éramos. Temos que esquecer o passado e amadurecer.

RUKEYSER: É muito fácil se identificar com a situação em que a Billie está, e muitas mulheres vão entender. Ela tem uma vida ótima, adora os filhos, ama o marido. Mas, ao mesmo tempo, ela é uma mulher sexual que se sente uma versão diluída de quem era. Ela quer ter tudo, e acho que este é um desejo que muitas mulheres entendem perfeitamente.

Como foi o processo criativo para chegar a colocar os temas principais da série — desejo e identidade feminina — em primeiro plano?
RUKEYSER: Eu queria fazer uma série que dissesse que não tem problema se as mulheres admitirem que têm desejos, que tiveram experiências sexuais e que querem ter ainda mais. Billie e Sasha são mulheres inteligentes, formadas em excelentes universidades, que têm cabeça boa e adoram sexo. Normalmente, quando uma personagem feminina adora sexo, é a vilã ou a garota má, ou é punida por ser selvagem e gostar de sexo, enquanto os homens são elogiados por serem libertinos e cederem aos desejos. Fazer uma série sobre uma mulher que gosta de sexo, que quer e exige sexo, é em si um ato revolucionário.

Como vocês refletiram esse ponto de vista na série, em termos criativos?
RUKEYSER: Todos os episódios desta temporada foram dirigidos por mulheres. Tivemos seis roteiristas, incluindo eu, e quatro são mulheres. Muitos de nossos departamentos são chefiados por mulheres, como direção de arte e figurino. Foi muito importante a série ter sido escrita e realizada com esse olhar feminino.

SHAHI: Devo dizer que ter somente diretoras mulheres foi empoderador. Nós tivemos que filmar muitas cenas muito pessoais e íntimas, e estar principalmente entre mulheres foi muito fortalecedor.

Vocês podem falar um pouco sobre como abordaram a roteirização e a filmagem das cenas de sexo da série?
RUKEYSER: Para mim, era muito importante ter todos os detalhes das cenas íntimas escritos de forma muito, muito específica. Já ouvi de muitos atores que, muitas vezes, quando você chega a uma cena de sexo, o roteiro diz apenas algo como: “E eles fazem sexo”. Frequentemente, as pessoas ficam com vergonha de escrever os detalhes da cena no papel. Mas eu queria ser muito mais específica do que isso, porque as cenas não são apenas sobre sexo. Cada cena relata o que está acontecendo com a Billie naquele momento, emocional e psicologicamente. Queríamos mostrar cenas de sexo bem realistas, então você vai notar que tem muito sexo oral e estimulação manual na série. Houve muito cuidado para lidar com a essência do prazer feminino. Esse elemento é particularmente importante, porque as cenas são sobre a experiência da Billie — não queríamos que ela estivesse sendo exposta.

Tem um triângulo amoroso no centro desta história entre Billie, o marido, Cooper, e o ex-namorado, Brad. Para quem vocês acham que o público vai torcer?
RUKEYSER: A gente se esforçou para que os dois fossem ótimos personagens, e o público deveria se sentir tão dividido quanto a Billie. Ambos são atraentes e complicados de maneiras diferentes. Brad e Billie têm química e uma conexão incrivelmente rara, mas também têm uma história conturbada e difícil. Todo mundo tem alguém assim no passado. E Cooper é um parceiro carinhoso, confiável e perfeito, mas ele e a Billie simplesmente não têm a mesma química sexual.

SHAHI: Eu acho que, se fizemos bem o nosso trabalho, o público vai ficar dividido. Eu quero que as pessoas fiquem divididas. Quero elas indo e vindo entre o Brad e o Cooper. Se não vai ser fácil para a Billie escolher, também não deveria ser fácil para vocês.

Como vocês esperam que as pessoas se sintam depois de assistir a Sex/Life?
RUKEYSER: Eu espero que entendam a vida da Billie e por que ela se sente tão em conflito. E espero que sintam saudades do próprio passado, que nossa série faça as pessoas relembrarem aquela época da vida da maneira mais divertida possível. A série é uma fuga para um mundo de homens bonitos, bom sexo, melhores amigas e baladas incríveis cheias de glamour. É uma fuga para o mundo da Billie, cujo presente tem certos sonhos realizados — uma bela casa, uma linda família, filhos fofos e um marido marido lindo. Nesse sentido, a série é uma delícia.

SHAHI: Tem tanta coisa incrível nessa série, tudo revestido de glitter, glamour e desejos. Realmente é uma delícia, espero que seja como um pedaço de chocolate maravilhoso.

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