
Michelle leva protesto contra veto à imagem de Bolsonaro para rádio e TV
Candidata exibirá inserções com foto do ex-presidente coberta e imagem acompanhada da palavra "censurado"

A estratégia adotada por Michelle Bolsonaro nas redes sociais para contestar a proibição do uso da imagem de Jair Bolsonaro será levada nesta terça-feira (22) para as inserções de rádio e TV da campanha ao Senado pelo Distrito Federal.
Na segunda-feira (21), Michelle publicou um vídeo em que aparece segurando junto ao peito uma fotografia do marido e cobrindo o rosto dele com a própria mão. A publicação foi uma reação à decisão da Justiça Eleitoral que determinou a suspensão de uma propaganda da candidata na qual apareciam imagens dos dois.
Agora, a campanha pretende transformar a mesma linguagem em peças para o horário eleitoral. Segundo o comunicado divulgado pela equipe de Michelle, uma das inserções de televisão mostrará a candidata abraçada à fotografia de Jair Bolsonaro, mas com o rosto dele coberto. Em outra, a imagem do ex-presidente aparecerá acompanhada de uma tarja preta com a palavra “censurado”.
A campanha apresenta a iniciativa como parte da estratégia de defesa das liberdades e classifica a decisão como um “cerceamento injusto”. A expressão “censura” também é utilizada pela defesa da ex-primeira-dama no pedido de reconsideração apresentado ao TRE-DF.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO caso começou após uma representação apresentada pela campanha de Erika Kokay (PT). Em 17 de setembro, o TRE-DF determinou a suspensão de uma inserção de cerca de 30 segundos que mostrava fotografias de Michelle e Jair Bolsonaro e reproduzia uma declaração atribuída ao ex-presidente.
A decisão estabeleceu ainda multa diária de R$ 5 mil em caso de reapresentação da propaganda.
Na defesa apresentada ao tribunal, Michelle pede a reconsideração da liminar e afirma que a restrição imposta a Bolsonaro não poderia ser automaticamente estendida à propaganda de uma terceira pessoa. Os advogados também citam parecer da Procuradoria-Geral Eleitoral segundo o qual a utilização da imagem do ex-presidente, sem manifestação originária, participação ou autorização dele relacionada à propaganda, não seria suficiente para caracterizar manifestação político-eleitoral atribuível a Bolsonaro.
A campanha agora tenta transformar a própria restrição judicial em elemento da comunicação eleitoral. Nas redes sociais, a publicação de segunda-feira já havia provocado manifestações de apoio, segundo a assessoria, incluindo compartilhamentos de fotos de Michelle e Jair Bolsonaro. A senadora Damares Alves também lançou a campanha “Ela não pode, mas eu posso”, incentivando apoiadores a publicar imagens do casal.



