
Mateus Simões mira alianças de Cleitinho em Minas
Na reta final da eleição, governador critica aliados do senador e enfrenta questionamentos sobre suas próprias relações políticas

A disputa pelo governo de Minas colocou Mateus Simões (PSD) e Cleitinho Azevedo (Republicanos) em campos cada vez mais opostos. Depois de meses falando em uma possível aliança, Mateus passou a atacar as escolhas políticas do senador.
No debate da Record Minas, na segunda-feira (21), o governador afirmou que Cleitinho havia “escolhido as piores pessoas para estar ao lado dele” e voltou a citar o deputado federal Euclydes Pettersen, presidente estadual do Republicanos. Dias antes, após o debate da TV Alterosa, havia questionado por que o senador “escolhe tanta gente esquisita” para acompanhá-lo.
Pettersen é alvo de investigação da Polícia Federal no caso dos descontos indevidos do INSS e nega participação nas irregularidades.
A ofensiva de Mateus, porém, também coloca suas próprias relações políticas no debate. Na posse como governador, em março, ele chamou o ex-governador Eduardo Azeredo de “meu amigo, amigo de meu pai”. Azeredo foi condenado no caso do chamado mensalão mineiro por peculato e lavagem de dinheiro. Em 2021, o STF determinou o envio do processo à Justiça Eleitoral de Minas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesIncentivos fiscais
Outro tema que entrou na disputa são os incentivos fiscais. Na sexta-feira (18), Mateus apresentou à Assembleia Legislativa um projeto que permite reduzir, cassar ou extinguir benefícios concedidos por regimes especiais de tributação.
O assunto já vinha sendo discutido pelos deputados. Em maio, a Comissão de Administração Pública aprovou requerimentos sobre benefícios fiscais concedidos a empresas ligadas a Daniel Vorcaro, seu pai, Henrique Vorcaro, e seu primo, Felipe Vorcaro, citados nas investigações do caso Master.
Um dos pedidos, o RQN 18.192/2026, solicita à Secretaria de Fazenda informações sobre regimes especiais, recuperações fiscais e isenções concedidas a empresas ligadas aos três, além dos valores envolvidos.
Outro requerimento, o RQN 18.191/2026, foi encaminhado ao Tribunal de Contas de Minas. O documento pede a apuração dos benefícios fiscais e o cruzamento dos sócios das empresas beneficiadas com doadores de campanha do Novo e do PSD e, nominalmente, com Romeu Zema e Mateus Simões.
O pedido foi encaminhado ao TCE-MG em junho. Até agora, não há resposta publicada do Tribunal.
Com a eleição se aproximando da definição, alianças políticas, relações pessoais e incentivos fiscais passaram a fazer parte do embate entre os dois candidatos.



