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Eleições 2026Neila Guimarães

Enquanto Tarcísio se afasta, PT mira o PSD de Kassab

Movimento ganha força em busca de apoio para um eventual segundo turno

25/09/2026 16:52
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Enquanto Tarcísio se afasta, PT mira o PSD de Kassab

O PT já começou a olhar para o segundo turno da eleição presidencial. Segundo apuração, a estratégia dos petistas passa por abrir conversas com partidos de centro, entre eles o PSD, e tentar ao menos garantir a neutralidade da legenda de Ronaldo Caiado. A ideia é que, sem um acordo nacional, lideranças estaduais tenham liberdade para fazer seus próprios movimentos.

O vice-presidente Geraldo Alckmin também tem interesse em manter aberta a aproximação com o PSD e, principalmente, com o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. Aliados próximos à vice-presidência contam que já houve conversas entre Alckmin e o partido. A relação ganha peso especialmente em São Paulo, onde Kassab mantém uma estrutura política construída a partir da presença do partido nas prefeituras.

A movimentação ocorre justamente quando a relação entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e Kassab atravessa uma fase de distanciamento.

Kassab deixou a Secretaria de Governo e Relações Institucionais do governo paulista em março, oficialmente para se dedicar às eleições. A saída aconteceu depois de meses de desgaste entre os dois. Tarcísio havia se incomodado com a atuação de Kassab para ampliar o PSD entre prefeitos e deputados da base governista.

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A relação ficou ainda mais delicada quando Kassab tentou emplacar seu nome como vice de Tarcísio na chapa de reeleição. O governador optou por manter Felício Ramuth, que deixou o PSD e migrou para o MDB.

Agora, aliados de Tarcísio afirmam que, caso o governador seja reeleito, o PSD deverá ter menos espaço no segundo mandato. A avaliação é de que a legenda continuará sendo importante, mas deverá ter participação menor na estrutura do governo paulista.

O detalhe é que Kassab não controla apenas uma sigla. Ele comanda uma estrutura municipal que se tornou uma das mais relevantes do país.

É justamente essa capilaridade que ajuda a explicar por que o PSD aparece no radar de diferentes grupos políticos. Em agosto, por exemplo, aliados da candidatura de Simone Tebet ao Senado procuravam Kassab e prefeitos da legenda em São Paulo. Cerca de 20 prefeitos do PSD haviam demonstrado interesse em apoiar Tebet, aguardando uma sinalização partidária.

Não foi apenas Simone Tebet que passou a mirar a estrutura de Kassab. No fim de julho, também houve uma aproximação entre Geraldo Alckmin e aliados do presidente do PSD. O movimento é relevante porque Alckmin conserva uma rede política própria no interior paulista, construída ao longo de quatro mandatos à frente do estado e reforçada pela passagem pela Vice-Presidência da República. Nos últimos meses, o próprio entorno de Lula passou a contar com Alckmin para conversar com prefeitos e lideranças municipais do interior, justamente onde o petismo encontra mais resistência.

Há ainda um componente que extrapola a eleição deste ano

Com mais de 200 prefeitos em São Paulo e quase 900 prefeitos eleitos nacionalmente em 2024, o PSD chega à disputa presidencial com uma estrutura municipal que interessa a diferentes projetos políticos.

Por isso, enquanto São Paulo discute quanto espaço o PSD terá em um eventual segundo mandato de Tarcísio, Brasília já discute quanto vale manter aberta a porta com Kassab.

E talvez esteja aí a ironia do calendário eleitoral: a eleição presidencial ainda nem terminou, mas os partidos já começam a olhar para a próxima. Quem tem prefeitos, vereadores e presença no interior não precisa necessariamente estar no centro do palco para continuar sendo procurado nos bastidores.