Ação aponta ordem para apagar logs e levanta suspeita sobre caso do INSS
Reclamação trabalhista cita Alexandre Caetano, ligado ao Careca do INSS; ele é representado por Willer Tomaz

Uma reclamação trabalhista contra Alexandre Caetano dos Reis, sócio-administrador da Voga Serviços Contábeis, relata que ele teria ordenado a um funcionário que apagasse registros do sistema contábil Athenas em 28 de abril de 2025, cinco dias após uma operação da Polícia Federal relacionada ao caso do INSS. Segundo o trabalhador, a determinação tinha como objetivo ocultar alterações contábeis de empresas atendidas pela contabilidade. Ele afirma que se recusou a cumprir a ordem, por considerá-la ilícita.
A peça judicial sustenta que, apesar da recusa, alterações teriam sido implementadas por terceiros com acesso administrativo ao sistema, sob comando da gestão da empresa. O documento também relata a existência de bancos de dados anteriores e posteriores às modificações, que, segundo o trabalhador, foram preservados para permitir uma análise pericial.
Alexandre é apontado como contador de empresas ligadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e à Vênus Consultoria, relacionada nas investigações ao recebimento de recursos provenientes de descontos indevidos em benefícios previdenciários. A Voga também presta serviços contábeis ao escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O contador é representado na ação trabalhista pelo advogado Willer Tomaz, investigado no caso do INSS e apontado como amigo de Flávio. Outro vínculo mencionado é o de Letícia Caetano dos Reis, irmã de Alexandre, que atua na administração do escritório de advocacia do senador. Empresas ligadas ao grupo também compartilham endereços comerciais em Brasília.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAs alegações sobre a suposta ordem para apagar registros, as alterações no sistema e os vínculos empresariais levantam questões sobre a eventual relação entre os dados contábeis e as empresas investigadas.
Suposta ordem ocorreu após operação da PF
De acordo com o relato apresentado à Justiça do Trabalho, a ordem teria sido dada em 28 de abril de 2025, depois de uma operação policial realizada nas dependências da empresa entre os dias 21 e 24 daquele mês. O documento afirma que a ação policial envolveu a apreensão de veículos de um dos sócios.
A peça também contextualiza a ordem com a relação comercial entre a contabilidade e empresas ligadas ao Careca do INSS. Segundo o trabalhador, a determinação para alterar os registros teria ocorrido justamente após a operação policial, com a finalidade de ocultar mudanças indevidas na contabilidade dos negócios atendidos pela empresa.
A reclamação atribui aos sócios da empresa uma atuação coordenada na condução de práticas que considera irregulares.
Trabalhador diz ter preservado bancos de dados
Um dos elementos destacados na ação é a afirmação de que o funcionário preservou pelo menos duas cópias de bancos de dados anteriores às alterações, além de outras cópias posteriores às modificações realizadas.
De acordo com a peça, o material permitiria comparar as versões e submeter as mudanças a uma perícia técnica. O trabalhador afirma que atuava como responsável técnico pelo ambiente de tecnologia da informação e que tinha conhecimento das operações realizadas no sistema.
A reclamação descreve o Athenas como o principal sistema corporativo da empresa, utilizado para concentrar informações operacionais e registros sensíveis. Por isso, sustenta que a manipulação de arquivos, bancos de dados e logs poderia comprometer a rastreabilidade das operações.
Os logs são registros eletrônicos que podem documentar eventos de um sistema, como acessos, operações e alterações. Sua utilidade para reconstruir o histórico de uma atividade depende, entre outros fatores, das funcionalidades do programa, das configurações adotadas e da preservação dos arquivos originais.
Peça relata compartilhamento de senhas e acessos administrativos
Outro trecho da reclamação descreve um ambiente de tecnologia da informação com fragilidades nos controles de acesso. Segundo o trabalhador, havia utilização de senhas padrão e compartilhamento de credenciais entre vários usuários, além de registros de alterações feitas por meio de um perfil administrativo vinculado a outro funcionário.
A peça afirma que essas práticas dificultavam a identificação individual de quem realizava cada operação no sistema. Também menciona monitoramento de usuários e captura de dados sensíveis, aspectos que, segundo o trabalhador, ampliavam o controle da administração sobre as informações e as atividades realizadas no ambiente corporativo.
Alterações teriam ocorrido mesmo após recusa
A reclamação afirma que, apesar de o funcionário ter se recusado a realizar as modificações solicitadas, as alterações teriam sido executadas por terceiros com acesso administrativo ao sistema. Segundo a narrativa, as operações ocorreram sob orientação da gestão empresarial.
O trabalhador sustenta que a recusa em executar as alterações foi motivada pela compreensão de que as condutas eram ilícitas. A peça também relata que o episódio teria intensificado os conflitos profissionais e as perseguições que ele afirma ter sofrido no ambiente de trabalho.
Em outro trecho, o funcionário descreve uma sequência de problemas que, segundo ele, começou em 2024 e teria incluído aumento da carga de trabalho, exigência de cópias de segurança de grandes volumes de dados ao final do expediente e cobranças relacionadas a supostas alterações salariais.
O outro lado
Alexandre é representado no processo por Willer Tomaz, advogado investigado no caso do INSS. Procurada pela coluna, a defesa preferiu não se manifestar













