
Mirelle PinheiroColunas

Zero Grau: veja quem são os influenciadores presos em operação no Rio. Veja vídeo
Eles são investigados por transformar manobras ilegais, “pegas” e exibições de risco extremo em conteúdo para as redes sociais
atualizado
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A coluna apurou os nomes de todos os presos na Operação Zero Grau, deflagrada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) na manhã desta segunda-feira (8/12).
Além de Wandemberg da Silva Ribeiro (foto em destaque), de 32 anos, o influenciador com mais de 100 mil seguidores, conhecido como Lobão nas redes sociais, outros cinco criadores de conteúdo foram alvos dos investigadores. São eles: Alessandra dos Santos Alves, Jean Batista Borges, Marcela Natarelli Soares, Roger Barreiros de Souza Ferreira e Victor Soares Queiroz.
Crimes gravados e divulgados na internet
A Polícia Civil afirma que os influenciadores atuavam como uma espécie de “hub digital” do crime de trânsito.
Por meio de perfis nas redes sociais, eles marcavam os encontros, divulgavam rotas, exibiam veículos adulterados e anunciavam eventos clandestinos.
Nesta fase da ação policial, os investigadores visam a interrupção da cadeia de publicações e a apreensão de eletrônicos que permitam identificar outros envolvidos, inclusive donos de veículos e financiadores das gravações.
Foram apreendidos material digital, motocicletas, quadriciclos e carros de luxo usados nas gravações.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos na zona Norte, zona Oeste e Baixada Fluminense. Durante as buscas, os policiais apreenderam diversos veículos de luxo e moto aquática.
A investigação
A apuração policial começou depois que vídeos viralizaram mostrando motociclistas fazendo manobras de alto risco em vias movimentadas, como linhas expressas e corredores de tráfego intenso.
Em comum, os perfis mantinham um padrão, publicações sincronizadas, hashtags idênticas e aparições conjuntas, sempre com equipamentos adulterados, motos de alto valor e uma estética fabricada para atrair seguidores.
Segundo a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), não se tratava apenas de exibicionismo. Havia uma rede organizada, com influenciadores que lucravam com publicidade, venda de produtos, monetização de vídeos e até eventos clandestinos.
Os investigadores identificaram crimes de atentado à segurança de meios de transporte, receptação, adulteração de sinal identificador de veículo, incitação ao crime e associação criminosa.
Criador do “motojet”
Um dos alvos, Wandemberg Ribeiro, chegou a divulgar jovens fazendo manobras radicais no Instagram, no fim de semana, e anunciou “novo projeto” do “motojet”, uma motocicleta Suzuki AN125 com estrutura de moto aquática.
O influenciador ganhou visibilidade e passou a divulgar o “jogo do tigrinho” após ser visto pilotando o motojet sobre a Ponte Rio–Niterói.
O caso ocorreu em janeiro e chamou a atenção pela audácia do condutor. Ele divulgou nas redes sociais vídeos em que atravessava a ponte de chinelos, sem equipamentos de segurança, pilotando o veículo adulterado.
A investigação aponta que Wandemberg não agiu sozinho, equipes seguiam o equipamento em um veículo de passeio, que teria deixado motojet adaptado na descida do vão central.
Ele também teria circulado com o equipamento pela Linha Vermelha, Linha Amarela e por até faixas do BRT, sempre registrando tudo em vídeo.
A PRF concluiu que não havia qualquer autorização do Detran para circulação daquele tipo de veículo, que representa risco severo para o trânsito.






