Vereadores são investigados por compra de apoio na Câmara de Japeri
PCERJ investiga esquema de propina que envolveu oferta de R$ 400 mil a vereador. Uma operação foi deflagrada nesta sexta-feira (21/8)

Uma operação foi deflagrada nesta sexta-feira (21/8) pela Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ) para apurar um possível esquema de corrupção ativa, passiva e extorsão dentro da Câmara Municipal de Japeri, na Baixada Fluminense, que teria como objetivo viabilizar o afastamento da prefeita Fernanda Machado Ontiveros.
Entre os investigados estão os vereadores Rogério Gomes Castro e Mateus Coutinho Ferraz.
Batizada de Operação Preço do Poder, a ação investiga a oferta de vantagens financeiras e cargos públicos a agentes políticos para influenciar votações do Legislativo e formar uma maioria favorável ao afastamento da prefeita. Investigadores da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) cumprem mandados de busca e apreensão em endereços ligados a três alvos na cidade.
A investigação
A investigação teve início a partir de um registro de ocorrência feito na unidade policial sobre supostas articulações entre agentes políticos para a obtenção de vantagens patrimoniais indevidas e a cooptação de vereadores.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Mirelle PinheiroSegundo as apurações, a estratégia envolveria a oferta de vantagens econômicas e cargos em comissão para formar uma maioria parlamentar favorável ao afastamento da chefe do Executivo.
Os policiais civis também apuram o uso da estrutura administrativa da Câmara para viabilizar as vantagens e a possível existência de “servidores fantasmas”. Segundo a investigação, os cargos seriam ocupados por pessoas indicadas pelos próprios vereadores beneficiários, sem efetiva prestação de serviço, com remunerações superiores a R$ 10 mil mensais. A hipótese ainda será apurada.
Entre os alvos está um homem nomeado para um cargo em comissão que teria atuado como intermediador operacional e financeiro das vantagens oferecidas aos parlamentares. Também são investigados dois vereadores.
Entre os elementos reunidos pela polícia está a promessa de pagamento de R$ 400 mil para que um dos parlamentares permanecesse alinhado ao grupo político.
Durante a análise de dados telemáticos, os policiais localizaram conversas entre um dos vereadores e um assessor parlamentar. Nas mensagens, o vereador teria relatado dificuldades financeiras e solicitado ajuda em diferentes ocasiões, incluindo um pedido de R$ 14 mil. Em outra conversa, afirmou que, caso a ajuda não fosse providenciada, “vai dar ruim aqui”.
Em outra troca de mensagens, o vereador teria relatado ao assessor a oferta de R$ 400 mil para permanecer alinhado ao grupo investigado. Segundo a polícia, ele teria afirmado que a quantia resolveria seus problemas financeiros.
Os investigadores identificaram ainda que o responsável pela suposta oferta havia sido nomeado, dias antes, para um cargo em comissão na Câmara Municipal.
Com base nos elementos reunidos, a DRCI representou pela realização das buscas, autorizadas pela Justiça. Os agentes buscam celulares, computadores, tablets, mídias de armazenamento, documentos e outros materiais que possam esclarecer a dinâmica dos fatos e identificar a eventual participação de outras pessoas.





