
Mirelle PinheiroColunas

Vereador é preso por ligação com líderes do CV no Rio de Janeiro
Investigação aponta que vereador teria recebido autorização do CV para atuar em comunidade
atualizado
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A megaoperação da Polícia Civil do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho (CV), realizada na manhã desta quarta-feira (11/3), mostrou indícios de infiltração política em áreas dominadas pela facção criminosa. A coluna apurou que o vereador Salvino de Oliveira Barbosa (PSD) foi preso.
Segundo a investigação, o vereador, que atua na Câmara Municipal do Rio, teria recebido autorização de lideranças do tráfico para atuar politicamente na comunidade da Gardênia Azul, na zona oeste da capital.
A informação consta no inquérito conduzido pelos delegados Pedro Cassundé e Vinicius Miranda de Moraes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), que investiga a estrutura de poder da facção e suas conexões com agentes públicos.
De acordo com os diálogos telemáticos analisados pela polícia, Elder de Lima Landim, conhecido como “Dom”, administrador local da comunidade e ligado ao Comando Vermelho, teria informado ao traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca da Penha, que o parlamentar possuía “autorização prévia” para trabalhar na região.
Segundo a conversa registrada no inquérito, a autorização teria sido atribuída ao próprio Doca e a Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, apontado como tesoureiro da facção.
Ainda conforme a investigação, o acordo previa que o vereador poderia atuar na comunidade e receber “suporte” para seus projetos políticos.
Suspeita de troca de favores
Para os investigadores, o diálogo sugere um possível arranjo de troca de favores entre o crime organizado e o político.
Nesse cenário, o Comando Vermelho manteria seu domínio territorial sobre a comunidade, oferecendo apoio logístico, controle social e influência local.
Em contrapartida, o político poderia obter capital eleitoral dentro da região, com direcionamento de votos e fortalecimento de sua base.
A polícia aponta que esse tipo de articulação pode resultar na formação de “currais eleitorais” controlados por organizações criminosas, com influência direta no comportamento político das comunidades.
