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Mirelle Pinheiro

Venda de sentenças no STJ: veja os alvos da PF por morte de advogado

Roberto Zampieri foi morto com dez tiros dentro do próprio carro, em frente ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá

28/05/2025 08:36, atualizado 28/05/2025 09:31
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Roberto Zampieri
Roberto Zampieri

A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (28/5), a 7ª fase da Operação Sisamnes, para investigar os mandantes e eventuais coautores do assassinato do advogado Roberto Zampieri (foto em destaque), morto a tiros em dezembro de 2023, em Cuiabá (MT).

A ação tem como objetivo desarticular uma organização criminosa que praticava espionagem e homicídios por encomenda, com participação de militares ativos e da reserva.

Por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, quatro de monitoramento eletrônico e seis de busca e apreensão em Mato Grosso, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.

Também foram determinadas medidas cautelares, como recolhimento domiciliar noturno, proibição de contato entre investigados, entrega de passaportes e impedimento de saída do país.

Quem são os alvos de prisão

A Polícia Civil de Mato Grosso atribuiu funções específicas aos suspeitos indiciados em 2024:

  • Aníbal Manoel Laurindo: produtor rural, apontado como suposto mandante do homicídio;
  • Coronel Luiz Cacadini: militar da reserva, suposto financiador do crime;
  • Antônio Gomes da Silva: identificado como suposto atirador, autor dos disparos que mataram o advogado
  • Hedilerson Barbosa: suposto intermediador e auxiliar do atirador; também seria o dono da pistola 9mm utilizada no assassinato;
  • Gilberto Louzada da Silva: envolvimento sob investigação.

Crime

Roberto Zampieri foi morto com 10 tiros dentro do próprio carro, em frente ao escritório onde trabalhava, em Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, ele foi surpreendido por um homem de boné, que disparou pelo vidro do passageiro e fugiu em seguida. O advogado já utilizava veículo blindado havia mais de cinco anos.

Durante as investigações, a PF identificou que o grupo criminoso se autodenominava “Comando C4”, ou “Comando de Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos”, e mantinha tabelas impressas com o “preço” de cada assassinato, conforme a função ou status da vítima.

As apurações sobre o homicídio também levaram à descoberta de um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso e levantaram suspeitas sobre práticas semelhantes no Superior Tribunal de Justiça (STJ).