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Mirelle Pinheiro

Tortura e nudez: servidor é indiciado por obrigar esposa a usar crack

O coveiro da Prefeitura de Divinópolis (MG) manteve a vítima em cárcere por 8 dias e tentou matá-la a facadas antes de ser preso pela PM

01/07/2026 17:00
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Divulgação/PCMG
Tortura e nudez: servidor é indiciado por obrigar esposa a usar crack

Um servidor da Prefeitura de Divinópolis (MG), de 44 anos, foi indiciado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) por tentativa de feminicídio, tortura, cárcere privado, divulgação de cena de nudez e dano contra a própria esposa, de 47 anos. A conclusão do inquérito foi divulgada nesta quarta-feira (1º/7).

O investigado, que trabalha como coveiro e não teve a identidade revelada, permanece preso preventivamente.

Segundo a apuração, a vítima foi mantida em cárcere privado por aproximadamente oito dias, em um apartamento no bairro Padre Eustáquio, em Divinópolis (MG). Durante esse período, ela sofreu sucessivas agressões físicas e psicológicas motivadas por ciúmes.

A Polícia Civil afirma que a mulher foi privada de alimentação, obrigada a consumir crack, tomar banhos gelados e permanecer ajoelhada sobre grãos, sem roupas.

As investigações apontam que as agressões eram constantes e tinham como objetivo humilhá-la e submetê-la ao controle do companheiro.

Ainda conforme o inquérito, um dos episódios de violência foi gravado pelo próprio suspeito e compartilhado com outras pessoas como forma de constranger a vítima. Por esse motivo, ele também foi indiciado pelo crime de divulgação de cena de nudez.

Além disso, em uma das tentativas de escapar, a mulher conseguiu deixar o apartamento enquanto o suspeito estava fora. No entanto, ela foi alcançada nas proximidades do imóvel e arrastada de volta para dentro da residência.

A cena foi presenciada por um vizinho, que acionou a Polícia Militar.

Antes da chegada dos policiais, o homem ainda tentou matar a companheira com golpes de faca, inclusive na vagina. Segundo a Polícia Civil, a tentativa de feminicídio só não foi consumada porque a vítima reagiu e os militares chegaram ao local a tempo de impedir o crime.

O suspeito foi preso em flagrante no dia 16 de junho. Posteriormente, a prisão foi convertida em preventiva.

Após ser resgatada, a mulher foi encaminhada para atendimento e recebeu acolhimento da rede de proteção às vítimas de violência doméstica.

O inquérito foi conduzido pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Divinópolis e encaminhado ao Poder Judiciário.