
Mirelle PinheiroColunas

“Senhor do senhor das armas”, que armou o CV, volta a ser alvo da PF. Veja vídeo
Os policiais são suspeitos de extorquir mensalmente um empresário para que nenhuma investigação fosse aberta contra ele
atualizado
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A Polícia Federal (PF) revelou, nesta quinta-feira (6/11), um novo braço da corrupção infiltrada dentro das forças de segurança do Rio. Três policiais federais e um policial militar foram afastados na Operação Mundemus. Um dos alvos é o policial federal aposentado Josias João do Nascimento (foto em destaque), o “Senhor do Senhor das Armas”, suspeito de chefiar um dos maiores esquemas de tráfico internacional de fuzis do país.
Eles são suspeitos de extorquir mensalmente um empresário para que nenhuma investigação fosse aberta contra ele.
A ação contou com apoio do Ministério Público Federal e da Corregedoria da PMERJ.
Blindado, giroflex e distintivo falso na casa do empresário
Durante as buscas em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, os agentes encontraram carteira funcional falsificada da PF, distintivo da PF, arma e munições e veículo blindado com sirene e giroflex. Os matérias teriam sido cedido pelos policiais investigados ao empresário para se passar por policial federal, o homem foi preso em flagrante.
Os investigados foram obrigados a entregar armas, distintivos e acessos institucionais e estão proibidos de deixar o país e de ter contato entre si.
A ponte com um esquema que mandou 2 mil fuzis ao Comando Vermelho
A Mundemus nasceu a partir de provas da Operação Cash Courier, deflagrada em março. Na ocasião, a PF mirou o policial federal aposentado apontado como o verdadeiro líder do esquema internacional que abasteceu o Comando Vermelho com armamento de guerra — fuzis AK-47, G3, AR-10, enviados dos Estados Unidos para o Rio ao longo de oito anos.
Esse ex-agente, por ter chefiado o traficante Frederick Barbieri, o “Senhor das Armas”, ganhou da PF uma alcunha ainda mais pesada, o “Senhor do Senhor das Armas”
As novas diligências indicam que o grupo alvo desta quinta-feira era um segundo círculo de atuação, responsável por transformar poder armado em poder de extorsão, explorando o medo, o acesso institucional e o uso criminoso de insígnias policiais.
As investigações apontam para uma estrutura organizada de corrupção policial, com agentes que vendiam silêncio, fabricavam influência, negociavam proteção estatal e monetizavam as próprias funções públicas.
Operação Mundemus
O termo em latim mundemus vem do verbo mundare (“limpar, purificar”), sendo a 1ª pessoa do plural do presente do subjuntivo (“limpemos”, “purifiquemos”). É uma forma usada, por exemplo, em textos eclesiásticos: Mundemus corda nostra = “Purifiquemos nossos corações”.
Como nome da operação em questão, “Mundemus” remete a “vamos limpar” ou “purifiquemos”, fazendo alusão ao combate à corrupção interna.






