
Mirelle PinheiroColunas

Saiba quem é o pastor condenado por estelionato após vender “milagres”
O religioso prometia ter o poder para fazer nascer dentes, reconstruir seios e curar cegueiras
atualizado
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O pastor condenado pela Justiça de Mato Grosso do Sul (MS) por estelionato religioso é David Tonelli Mainarte (foto em destaque). Ele prometia ter superpoderes para curar pessoas, fazer nascer dentes, reconstruir seios e reverter quadro de cegueiras.
Para operar os milagres, porém, ele cobrava valores que ultrapassam mil reais. Ele, que atuava na Igreja Quadrangular, em São Paulo (SP), e na Igreja Missão Céu na Terra, em Campo Grande, foi condenado a um ano de reclusão.
A denúncia
O caso que resultou na condenação do pastor ocorreu em 2016. Na ocasião, uma moradora de Dourados assistiu a vídeos do pastor no YouTube, nos quais ele prometia curas milagrosas.
Acreditando que poderia eliminar cicatrizes de queimaduras nas pernas, a mulher arcou com os custos de transporte, alimentação e hospedagem do pastor e de sua família para que ele realizasse cultos em uma igreja de Campo Grande.
Um sobrinho da mulher, à época pré-adolescente, também entregou ao pastor os R$ 100 que havia recebido do pai, na esperança de se livrar de uma cicatriz. Eles não alcançaram os resultados prometidos.
A denúncia foi apresentada em janeiro de 2025 pelo promotor de Justiça João Linhares, após a conclusão do inquérito da Polícia Civil.
Falsas promessas
Para o juiz Marcelo da Silva Cassavara, da 1ª Vara Criminal, foram constatadas evidências claras de que David Mainarte prometeu curar cicatrizes.
“O réu agiu com dolo, ou seja, com plena consciência de que suas promessas de cura eram falsas (…). Este Juízo não está cerceando a liberdade religiosa, mas não pode permitir que alguém use a fé alheia para obter benefício indevido”, afirmou na decisão.
O pastor foi condenado a um ano de prisão, em regime aberto, além do pagamento de multa. Ele também deve prestar serviços à comunidade.
Da decisão cabe recurso. A coluna tenta localizar a defesa do pastor. O espaço segue aberto.
